10/06/2026
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Freud dizia que encontrar um objeto de amor é sempre reencontrá-lo. A frase está nos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, de 1905, e diz uma coisa simples: ninguém ama do zero.
Antes de qualquer paixão, alguém já te cuidou, te desejou, te deixou esperando e isso vira um molde. Quando você se apaixona, não está começando do nada, está reconhecendo alguma coisa, mesmo sem saber o quê. É por isso que certas pessoas parecem familiares rápido demais.
Aqui entra o que costumam entender errado. Reencontrar não quer dizer necessariamente repetir o trauma... O que volta é a marca do primeiro amor, e essa marca pode ser de dor ou de colo. Tem gente que reencontra a instabilidade que conheceu em casa e chama de química. Tem gente que reencontra o cuidado bom e se sente em casa de novo. Os dois são reencontro. O que muda é o que ficou inscrito lá atrás.
E não é só “procurar a mãe” ou “procurar o pai”. O que a gente herda é também a posição que aprendeu a ocupar. Quem só era visto quando agradava tende a escolher alguém difícil de agradar, e a achar que isso é amor de verdade porque dá trabalho. Às vezes a pessoa jura que escolheu o oposto exato dos pais, e mesmo assim continua girando em torno deles, porque fugir de uma figura também é um jeito de ficar preso a ela.
A análise não tira de você esse reencontro. Ela só te deixa ver o que anda reencontrando, e perguntar se ainda quer.
Créditos: Two and a half men