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03/10/2026

“O EU NÃO É SENHOR EM SUA PRÓPRIA CASA.”

Com essa famosa frase, Freud desferiu a terceira grande ferida narcísica na humanidade ao revelar a existência do inconsciente: a maior parte do que pensamos, sentimos e fazemos não é comandada pela nossa razão ou vontade consciente.

Somos atravessados por desejos recalcados, impulsos inconscientes e dinâmicas familiares que operam nos bastidores da nossa psique. É exatamente por isso que nos pegamos repetindo histórias e padrões que juramos nunca viver. Afinal, acreditamos estar no controle das nossas decisões, quando, na verdade, estamos apenas respondendo aos mandatos silenciosos do nosso inconsciente.

O que a Psicanálise nos revela sobre essa dinâmica?

- Os Impulsos Inconscientes Comandam: Traumas antigos, medos e a busca inconsciente por aprovação ditam nossas escolhas afetivas, profissionais e comportamentais.

- A Compulsão à Repetição: Repetimos o que não conseguimos elaborar. Agimos no piloto automático para manter a ilusão de lealdade e pertencimento à família de origem.

- A Culpa por Desobedecer: Tentar “tomar a posse da casa” (tomar consciência) gera resistência e culpa, pois diferenciar-se do padrão familiar parece, para o ego, uma traição.

O caminho da análise:
Ser analista ou estar em análise não signif**a dominar o inconsciente perfeitamente, mas deixar de ser refém dele. Ao trazer os impulsos inconscientes para a luz da consciência, transformamos a repetição cega em escolha livre.

Honrar a sua história não é repetir o sofrimento dos seus antepassados. É ter a coragem de habitar a própria vida com mais consciência.

O que tem governado a “sua casa” sem que você perceba?

Reflexão com suporte da IA

Repost from: Psicanalista Vinicius Martins A infância termina no calendário, mas não necessariamente dentro de nós.Cresc...
01/10/2026

Repost from: Psicanalista Vinicius Martins
A infância termina no calendário, mas não necessariamente dentro de nós.

Crescemos, mudamos de casa, de corpo, de sonhos. Ainda assim, carregamos marcas de um tempo em que dependíamos do amor do outro para compreender quem éramos.

Há lembranças que aquecem porque um dia fomos acolhidos, protegidos, olhados com ternura. E há dores que permanecem justamente porque, quando aconteceram, ainda não tínhamos palavras para entendê-las.

Na vida adulta, muito do que chamamos de “meu jeito” pode carregar ecos dessa história. O medo de ser abandonado, a necessidade de agradar, a dificuldade de confiar, a culpa ao dizer não, a busca desesperada por reconhecimento. Mas também levamos conosco a capacidade de amar, criar vínculos, brincar, desejar e encontrar abrigo no outro.

Para a psicanálise, o passado não f**a simplesmente para trás. Ele pode continuar presente nas escolhas, nos afetos, nas repetições e até naquilo que juramos nunca mais viver.

Talvez amadurecer não seja abandonar a criança que fomos.

Seja reconhecer que, dentro do adulto que seguimos tentando ser, ainda existe alguém pequeno guardando suas alegrias e esperando que algumas dores finalmente encontrem palavras.

A infância passa. O que ela fez doer e o que fez florescer continuam morando em nós.

Pedro ri. Conversa. Faz piada. Está entre os outros.“Ele tem depressão?”O semblante responde: não.Mas o sofrimento psíqu...
27/09/2026

Pedro ri. Conversa. Faz piada. Está entre os outros.

“Ele tem depressão?”

O semblante responde: não.

Mas o sofrimento psíquico não se deixa capturar pelo que se mostra.

O sujeito não se reduz à imagem que oferece ao Outro. Pode sustentar um semblante de alegria enquanto algo, em sua relação com o desejo, permanece em sofrimento.

Nem sempre o que se mostra é o que se vive.
E nem tudo aquilo que se vive encontra palavras para se mostrar.

Repost from Crescermos•Às vezes, duas pessoas podem estar deitadas uma ao lado da outra e, ainda assim, se sentirem a qu...
26/09/2026

Repost from Crescermos
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Às vezes, duas pessoas podem estar deitadas uma ao lado da outra e, ainda assim, se sentirem a quilômetros de distância. Uma delas continua fazendo perguntas, tentando entender o que mudou, se existe outra pessoa e por que a outra parece estar mais feliz de repente. Mas, às vezes, a resposta não é outra pessoa. Às vezes, alguém simplesmente aprende a parar de depender do outro para ser feliz.

A cura pode acontecer em silêncio. Pode signif**ar passar mais tempo sozinho, focar na própria vida, aceitar aquilo que não pode ser mudado e, aos poucos, entender que sentir falta de alguém nem sempre signif**a que você precisa dessa pessoa de volta. Você ainda pode se importar, lembrar e até sentir saudade em alguns momentos, sem se perder no processo.

Talvez a parte mais difícil seja perceber que a felicidade nem sempre vem de insistir em algo. Às vezes, ela surge quando você finalmente deixa de precisar ser escolhido, compreendido ou completado por outra pessoa. E quando aprende a f**ar bem consigo mesmo, você não se torna uma pessoa sem sentimentos — você apenas se torna mais forte.

❤

“Duas Cabeças”, de Alulu Paranhos, parece encontrar sua força justamente naquilo que não se resolve.A imagem de uma mulh...
22/09/2026

“Duas Cabeças”, de Alulu Paranhos, parece encontrar sua força justamente naquilo que não se resolve.

A imagem de uma mulher “meio onça, meio princesa” sugere não uma divisão, mas a coexistência de diferentes modos de ser, desejar e se apresentar ao outro.

Talvez seja possível aproximá-la de uma conhecida formulação de Lacan: “A mulher não existe”.

Não se trata, evidentemente, de negar a existência das mulheres, mas de questionar a possibilidade de uma definição universal capaz de dizer o que seria “A Mulher”. Não há uma essência feminina que reúna todas sob uma mesma identidade. Há mulheres, uma a uma, em suas singularidades.

Nesse sentido, as “duas cabeças” da canção ganham outra dimensão. A onça não precisa desaparecer para que a princesa exista. Nem a princesa precisa domesticar a onça. Ambas podem permanecer em tensão, sem a necessidade de uma síntese que as transforme em uma identidade única.

É aí que o feminino, em Lacan, se aproxima do não-todo: aquilo que escapa à tentativa de nomear, definir e completar. Há sempre algo do desejo e do gozo que não se deixa capturar inteiramente pelas palavras.

Talvez por isso a impermanência seja tão importante. Mudamos de posição, de desejo, de maneira de amar e de nos relacionar com o outro. E isso não signif**a necessariamente ausência de identidade.

Talvez o equívoco esteja justamente na tentativa de definir uma mulher de uma vez por todas.

“Duas Cabeças” pode ser escutada como uma recusa dessa exigência de unidade. Não é preciso escolher entre força e delicadeza, ferocidade e vulnerabilidade, aquilo que se mostra e aquilo que permanece enigmático.

Porque talvez não exista uma mulher inteira esperando ser encontrada.

Existem mulheres. E cada uma, em sua singularidade, permanece um pouco além daquilo que conseguimos dizer sobre ela.

Talvez sejam essas duas cabeças — e todas as outras que ainda não sabemos nomear — que façam do feminino não uma identidade a ser concluída, mas algo que permanece aberto ao desejo.

Reflexão autoral com suporte de IA

Na neurose obsessiva, a ladainha faz nó.
21/09/2026

Na neurose obsessiva, a ladainha faz nó.

Diferença entre: Narcisismo, ferida narcísica e transtorno de personalidade narcisista.
19/09/2026

Diferença entre: Narcisismo, ferida narcísica e transtorno de personalidade narcisista.

18/09/2026

Antes mesmo de nascer, o filho já ocupa um lugar no desejo do Outro.

É sonhado, nomeado, imaginado. Inscreve-se no campo das fantasias e das expectativas maternas antes mesmo de poder dizer quem é.

Mas há o encontro com o real: o filho que se apresenta não coincide com o filho imaginado.

E é justamente nessa diferença que pode surgir o sofrimento — quando se exige do sujeito que corresponda ao lugar que lhe foi destinado no desejo materno.

Na perspectiva lacaniana, o filho não existe para completar a falta do Outro, nem para realizar aquilo que nele foi sonhado.

Ele é um sujeito desejante, marcado pela falta e pela diferença.

Talvez amar um filho implique, sobretudo, suportar a queda do filho idealizado para que possa emergir o sujeito real.

Porque, quando o desejo materno deixa de exigir completude, o filho pode finalmente encontrar espaço para desejar por si.

Repost from: Vitor Salgado Camorani E se essa voz que te culpa por tudo não fosse, de fato, a sua consciência?Freud cham...
09/09/2026

Repost from: Vitor Salgado Camorani
E se essa voz que te culpa por tudo não fosse, de fato, a sua consciência?
Freud chamou de superego essa instância psíquica que internaliza regras, proibições, expectativas e julgamentos. É como um juiz interno que, muitas vezes, não julga pela medida da justiça, mas pela régua das vozes que um dia nos educaram.

“Você deveria ter feito melhor.”
“Isso não é suficiente.”
“Você decepcionou alguém.”
“Você não pode errar.”

Com o tempo, algumas dessas vozes deixam de parecer externas e passam a ser confundidas com quem somos.

Mas nem toda culpa é consciência.
Nem toda cobrança é responsabilidade.
E nem todo julgamento interno é verdade.

Talvez parte do processo de se conhecer seja justamente aprender a reconhecer.

07/09/2026

Repost from: Michelle Seddig Jorge | psicanalista
Há tantas camadas de informação e interpretação neste trecho da entrevista com a talentosíssima e premiada atriz sul-africana Charlize Theron feito por e The Interview com tradução de EZ Traduções ing-ptbr que f**a até difícil saber por onde começar.

A atriz cresceu em um lar disfuncional com pai abusivo, violento e cercado por armas, algo cultural em seu país, assim como no nosso, principalmente de alguns anos para cá com a flexibilização de compras de armamentos e um número crescente de colecionadores e também de casos de feminicídio.

Quando um parceiro sente-se no direito de aniquilar a vida de uma mulher, ela deixou se ser pessoa, indivíduo, sujeito, para se tornar apenas um objeto. No episódio descrito acima, é surpreendente que a filha e a mãe não tenham sido alvejadas por detrás da porta. A razão para o ataque de fúria: a filha adolescente estava apertada para fazer xixi e correu para o banheiro. O pai se sentiu ofendido por ela talvez não ter pedido algo semelhante à benção e se achou no direito de matar a filha e a mãe.

E o desfecho foi o da mãe se proteger e atirar no marido antes que ele buscasse mais armas.

Dizem que toda história tem ao menos três versões. E que a verdade nunca é absoluta.

Aqui, poderíamos analisar a situação no aspecto da dinâmica familiar, da cultura, da misoginia, do trauma e também pela superação do trauma.

Superar um evento traumático não é esquecer ou ignorar. É achar uma forma de continuar vivendo sem f**ar paralisado em um momento trágico. É ressignif**ar.

Quando a atriz relata, portanto revive indiretamente o evento, f**a claro seu desconforto pelos lábios que se estreitam. Mas poder vocalizar nossas dores é certamente o caminho da cura.

E a psicanálise chega para nos trazer uma possibilidade de cura pela palavra.

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