Dra. Amanda Buchmann ∙ Gastroenterologista

Dra. Amanda Buchmann ∙ Gastroenterologista Te ajudo a melhorar a saúde digestiva com bons hábitos.
💚 Medicina integrativa
👩‍⚕Mãe do Levi e Gastro ∙ 🩺 RQE2538
👇🏻Atendimento presencial e online

08/08/2026

A digestão começa muito antes de o alimento chegar ao estômago.

Ela começa na boca.

Enquanto mastigamos, várias coisas acontecem ao mesmo tempo: os dentes trituram o alimento, a língua ajuda a movimentá-lo e formar o bolo alimentar, e as glândulas salivares liberam saliva, que lubrifica o alimento e já participa do início da digestão de alguns nutrientes.

E mastigar não é apenas “quebrar a comida”.

A mastigação aumenta a superfície do alimento que ficará disponível para a ação das enzimas digestivas e prepara o bolo alimentar para uma deglutição eficiente.

Depois, começa uma sequência extremamente coordenada: língua → faringe → esôfago → estômago.

No esôfago, movimentos peristálticos conduzem o alimento até o estômago, onde começa uma nova etapa do processo digestivo.

Por isso, quando falamos em digestão, não deveríamos pensar apenas em estômago e intestino.

Comer também é um processo fisiológico — e ele começa na boca.

Esse trecho de Sabor da Vida mostra de uma forma linda algo que explicamos tanto na gastroenterologia: até um ato aparentemente simples como comer depende de uma sequência sofisticada e coordenada do nosso organismo.

E talvez fique uma reflexão para a próxima refeição:
quanto tempo você realmente dedica a mastigar?

07/08/2026

O exame mais simples e mais utilizado na prática é a ultrassonografia abdominal, que pode identificar a presença de esteatose hepática.

A gordura no fígado também pode ser encontrada incidentalmente em uma tomografia ou ressonância magnética solicitadas por outros motivos. Entre os métodos de imagem, técnicas específicas de ressonância magnética, como a MRI-PDFF, são as mais precisas para quantificar a gordura hepática.

E onde entra a elastografia hepática?

Ela tem um papel especialmente importante na avaliação da rigidez do fígado, ajudando a estimar a presença e a gravidade da fibrose — informação fundamental para entender o risco de progressão da doença. Dependendo da tecnologia utilizada, a elastografia também pode fornecer parâmetros relacionados à quantidade de gordura no fígado.

Ou seja: detectar gordura é apenas uma parte da avaliação. Quando identificamos esteatose, o próximo passo é entender o contexto metabólico do paciente e, principalmente, avaliar o risco de fibrose.

Por isso, o melhor exame depende do que precisamos investigar em cadapaciente.

18/07/2026

💩🏃‍♀️Já precisou parar um treino porque a vontade de ir ao banheiro apareceu do nada? Ou conhece alguém que passou por isso?

Apesar de parecer uma situação incomum, sintomas gastrointestinais durante corridas de longa distância são extremamente frequentes, acometendo entre 30% e 90% dos corredores de endurance.

Isso acontece porque, durante o exercício intenso:
🩸 O fluxo de sangue é desviado do intestino para os músculos, reduzindo temporariamente a irrigação intestinal.
🏃‍♀️ O impacto repetitivo da corrida aumenta o estímulo mecânico sobre o trato gastrointestinal.
📌Alterações hormonais e o estresse fisiológico do exercício também contribuem para esses sintomas.

E o famoso gel de carboidrato? Ele não é o vilão! Pelo contrário: é uma estratégia importante para manter o desempenho. Porém, a escolha do tipo de gel e, principalmente, o treinamento do intestino fazem toda a diferença.

✔️ Prefira géis que combinem glicose e frutose (múltiplos transportadores), pois essa associação melhora a absorção intestinal e pode reduzir o risco de desconforto gastrointestinal.

✔️ Além disso, nunca deixe para testar um gel novo no dia da prova. O intestino também precisa ser treinado!

Outras estratégias que podem ajudar incluem:
• Reduzir o consumo de fibras e gorduras antes da corrida;
• Em alguns casos, utilizar uma dieta pobre em FODMAPs nos dias que antecedem competições;
• Individualizar a estratégia nutricional, especialmente em atletas que já apresentam sensibilidade gastrointestinal.

Se você é corredor ou conhece alguém que sempre procura um banheiro durante os treinos, compartilhe este post! 🏃‍♂️🚽

👇 Você já teve algum sintoma gastrointestinal durante uma corrida? Conta aqui nos comentários!

08/07/2026

Seu microbioma pode estar influenciando a resposta aos agonistas de GLP-1.

E isso pode ajudar a explicar algo que observamos todos os dias na prática clínica: pessoas usando o mesmo medicamento podem apresentar respostas muito diferentes.

Até pouco tempo, essa variabilidade era atribuída principalmente à adesão ao tratamento, alimentação, atividade física, dose utilizada e fatores genéticos.

Hoje, um novo protagonista começa a ganhar espaço nessa conversa: a microbiota intestinal.

Um estudo publicado em 2026 mostrou que características da microbiota antes do início do tratamento estiveram associadas à resposta glicêmica observada após o uso da semaglutida. Além disso, uma revisão recente reforça que a relação entre os agonistas de GLP-1 e o microbioma é bidirecional: o medicamento pode modificar a microbiota, e a microbiota também pode influenciar a resposta ao tratamento.

Isso não significa que já possamos utilizar o perfil da microbiota para escolher o melhor medicamento para cada paciente. Ainda não chegamos a esse ponto.

Mas essas descobertas reforçam uma mudança importante na medicina metabólica: compreender o paciente vai muito além de prescrever um medicamento.

Cada vez mais, entendemos que obesidade, síndrome metabólica e saúde intestinal fazem parte de um sistema integrado, no qual hormônios, microbiota, alimentação, inflamação e estilo de vida interagem continuamente.

Talvez o próximo passo da medicina metabólica não seja apenas desenvolver novos medicamentos.

Seja compreender melhor quem é o paciente que está recebendo esse tratamento.

Referências
• Klemets A, Reppo I, Krigul KL, et al. F***l Microbiome Predicts Treatment Response After the Initiation of Semaglutide or Empagliflozin. Scientific Reports. 2026.
• Kamath S, Chan NSL, Joyce P. GLP-1 Agonists and the Gut Microbiome: A Bidirectional Relationship. British Journal of Clinical Pharmacology. 2026.

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