11/03/2026
Iniciar na Psicologia do Trabalho foi um desafio para mim. Sempre fui um pouco tímida e insegura para falar diante das pessoas, especialmente durante a graduação.
Ao tentar conciliar a vida acadêmica com o início da vida profissional, ainda como estudante e estagiária, vivi uma rotina marcada por cansaço e ansiedade. Mesmo nos momentos de descanso, sentia os efeitos de uma rotina intensa e com pouca qualidade de vida. A psicoterapia foi fundamental nesse período, tornando-se um importante espaço de cuidado e reflexão para minha trajetória.
Hoje percebo o quanto teria sido transformador contar, naquele momento, com um ambiente de trabalho mais atento às dimensões humanas do trabalho, com espaços de escuta, acolhimento e reconhecimento das demandas emocionais presentes na rotina profissional. Muitas pessoas ainda vivenciam esse processo em silêncio.
Atuar como psicóloga plantonista em empresas me permite justamente alcançar trabalhadores que enfrentam essas mesmas dificuldades e que, muitas vezes, não têm acesso a suporte ou informação. Nesse contexto, posso oferecer escuta, orientação e promover reflexões sobre saúde mental no trabalho.
Embora a psicoterapia seja um recurso valioso para o cuidado com a saúde mental, sabemos que nem todos conseguem acessá-la. Por isso, torna-se fundamental ampliar o olhar para o contexto organizacional, reconhecendo que as empresas também têm um papel importante na promoção de ambientes mais saudáveis.
A atualização da NR-1 e a inclusão dos fatores psicossociais reforçam essa necessidade. Mais do que uma exigência normativa, trata-se de um compromisso com ambientes de trabalho mais humanos, pautados no respeito, na dignidade e na promoção da qualidade de vida dos trabalhadores.