08/09/2026
Eu atendi uma senhora que tomava quase 20 remédios por dia. Olhando de fora, a primeira coisa que a gente pensa é que ela devia ter um monte de doenças. Quando eu comecei a revisar a lista, não era isso.
Tinha remédio fazendo função muito parecida com a de outro. Tinha medicamento agindo praticamente no mesmo problema. E tinha coisa que já não tinha mais motivo pra continuar ali.
E dá pra entender exatamente como se chega numa lista dessas. A pessoa vai num médico e recebe uma medicação. Depois vai em outro, por outro motivo, e recebe outra. Vai em mais um, entra mais uma. Cada profissional resolve muito bem a parte dele, e ninguém para pra abrir a lista inteira e perguntar: ela ainda precisa de tudo isso? Tem remédio repetindo função? Algum deles está interagindo com outro? Dá pra simplif**ar?
Esse é o problema do cuidado fragmentado. Um olha a pressão, outro olha o coração, outro olha o colesterol, outro olha a dor, outro olha o sono. No fim tem vários profissionais tratando doenças e ninguém olhando a pessoa inteira.
Em paciente idoso isso pesa mais, porque quanto mais medicamento entra, maior o risco de interação, efeito colateral, tontura, queda e confusão mental.
E eu preciso ser claro: eu não sou contra remédio. Tem medicação que é fundamental e salva vida. E nada do que eu falei aqui signif**a parar medicação por conta própria, o que é perigoso e às vezes mais perigoso do que continuar. O que eu defendo é revisão: medicamento precisa ter indicação, precisa ter motivo, e precisa de alguém acompanhando ao longo do tempo.
Se você cuida de um pai ou de uma mãe idosa, junta todas as caixas numa sacola e leva na próxima consulta. A lista inteira, de uma vez.