12/06/2026
Amar não é só apostar em uma relação, mas também na própria capacidade psíquica de sobreviver a uma perda.
Em psicanálise Eros (amor) é também pulsão de vida, é o que nos move e, apesar de não nos garantir felicidade, nos retira do ensimesmamento narcísico.
Freud compreendia o amor como uma das expressões da pulsão de vida, a força que cria laços e nos coloca em relação com o outro.
Em uma cultura que valoriza a autossuficiência, amar pode parecer um risco e talvez poucos de nós ainda se disponham a correr esse risco, a abrir-se para a alteridade.
Byung-Chul Han defende que o amor exige uma saída de si:
“O poder de Eros implica uma im-potência na qual, em vez de me afirmar, me perco no outro ou me perco para o outro.”
Amar nos faz vulneráveis e nos lembra que, apesar do que a contemporaneidade exige como ideal, não somos completos. Afinal, como Lacan nos lembra, é a incompletude que possibilita o nascimento do desejo.
O amor pode nos ajudar a dar um sentido para a falta mas, para tanto, exige que sejamos capazes de reconhecer a sua existência.
Amar não é das tarefas mais fáceis, porque nos convoca a apostar, mesmo sem garantias, na experiência de sermos afetados, transformados pela colisão com um outro mundo.
Não é só uma aposta na relação, mas também na própria capacidade psíquica de sobreviver e elaborar um luto caso, em algum momento, o objeto de amor seja perdido, caso esses mundos tenham de se separar.
Feliz Dia dos Namorados não só para os que namoram de fato, mas para todos os corajosos e dispostos a se abrir ao encontro com a alteridade, a amar e a se perder um pouco.
Um brinde àqueles que ainda topam se aventurar em outros (a)mares.
Bárbara Genari • CRP 04/66298