24/10/2025
A relação de sono e dor é uma relação bidirecional. Ou seja, sono de má qualidade causa dor e dor causa prejuízo no sono.
Contudo, estudos vêm mostrando que a probabilidade de um paciente com sono de má qualidade desenvolver dor é maior, sendo a principal força de correlação.
E por que isso acontece?
🔹 1. Redução da atividade inibitória
O sono de má qualidade diminui a liberação de neurotransmissores analgésicos, como:
Serotonina,
Noradrenalina,
Endorfinas e encefalinas.
Essas substâncias são essenciais para o funcionamento do sistema modulatório descendente da dor, que normalmente “freia” a dor.
Sem elas, os sinais dolorosos chegam ao cérebro com mais força.
🔹 2. Aumento da sensibilidade central
A falta de sono favorece a chamada sensibilização central — o cérebro e a medula ficam hiperreativos aos estímulos, mesmo os leves.
Assim, o sistema modulatório descendente, citado acima, deixa de inibir e passa a facilitar a dor.
🔹 3. Desbalanço emocional e cognitivo
Áreas como o córtex pré-frontal e o cíngulo anterior, que modulam a dor e as emoções, ficam menos ativas com privação de sono.
Isso aumenta a reação emocional negativa à dor, a dificuldade de lidar com o desconforto, e a percepção de sofrimento.
🔹 4. Mais inflamação, menos regulação
O sono ruim eleva citocinas inflamatórias, que também atuam no sistema nervoso, inibindo os circuitos descendentes e aumentando a excitabilidade dos nociceptores.
Em resumo:
O sono de má qualidade “desliga o freio” e “acelera o amplificador” da dor.
O cérebro perde parte da sua capacidade de controlar o quanto sentimos dor, tornando o corpo mais sensível a estímulos.
Espero que esse textão te ajude a repensar sua relação com sono e também ajude a entender o quanto isso é capaz de influenciar sua dor.