20/05/2026
Existe um filme de animação da Disney Pixar chamado Luca. O personagem principal, que dá nome ao filme, é um monstro marinho que vive uma ambivalência: visitar ou não o mundo dos humanos. Ao mesmo tempo em que tem medo dos humanos, Luca sente curiosidade e quer conhecer as belezas da superfície.
Quando ele encontra Alberto, um monstro marinho como ele, Alberto diz:
“Sabe aquela voz interna que impede a gente de fazer coisas legais? Eu chamo ela de Bruno. Às vezes, a gente precisa dizer: ‘Silêncio, Bruno!’ e simplesmente fazer as coisas legais.
Bruno é o superego de Alberto. Ele se diferenciou do seu Superego para poder negociar melhor os seus desejos.
Algumas abordagens diferentes da psicologia dão outros nomes ao Superego, e para essa técnica de nos separarmos dele. Em ACT chamam a técnica de desfusão, por exemplo. Em TCC, temos as crenças disfuncionais associadas a esse departamento mental.
Costumo dizer, na clínica: às vezes o Superego até fala coisas que dá pra aproveitar, mas a forma como ele fala é binária, não leva em conta a complexidade das escolhas. E, às vezes, não tem nada aproveitável ali, quando a crença já está totalmente obsoleta.
Recentemente, fui apresentado ao Superego de um cliente — o próprio cliente deu a ele o nome de Bob.
Achei ótimo! Superego parece meio formal e dramático mesmo, se a ideia é diminuir a tirania desse departamento mental, porque não transformar o seu nome em uma escolha mais pessoal?