30/04/2026
No filme “O Drama”, o passado não aparece como lembrança distante, mas como algo que continua vivo, atravessando as escolhas e os vínculos dos personagens. Ele se infiltra nas relações, nos conflitos e até nos silêncios, como uma força que insiste em se atualizar. E talvez seja justamente aí que o filme toca em algo essencial: não é sobre o que ficou para trás, mas sobre aquilo que ainda não foi elaborado — e que, por isso, segue pedindo lugar no presente.
A psicologia analítica entende que o passado não nos define de maneira fixa, mas nos constitui. Aquilo que fomos — nossas escolhas, erros, acertos — faz parte do que nos tornamos.
O problema não é o passado em si. É quando ficamos aprisionados a ele, condenados à repetição de um roteiro já escrito.
O caminho não é apagar o passado, mas integrá-lo. Olhar para o que foi vivido sem se confundir com isso. Porque você não é só o que fez ou o que pensou — você também é o que escolhe construir a partir disso.
O processo de individuação exige esse movimento: reconhecer a própria história sem ser reduzido a ela. Acolher a sombra sem ser engolido por ela.
Então, talvez a pergunta não seja se você ainda é o seu passado, mas: o que você está fazendo, hoje, com aquilo que você foi?
Rillary Alcântara Durand
Psicóloga Junguiana
CRP - 05/71381