13/08/2026
Um exame mostrou que uma perna é mais curta. Isso significa que uma criança com escoliose precisa usar um calço?
Não necessariamente.
A escanometria pode identificar uma diferença entre os membros inferiores. Mas o número encontrado não responde, sozinho, à pergunta mais importante:
Essa diferença realmente existe no comprimento dos ossos ou é uma diferença funcional, criada pela posição da pelve e pelas compensações da própria escoliose?
Essa distinção é fundamental.
Quando existe uma discrepância estrutural verdadeira e ela participa da origem da curva, o calço pode ter indicação.
Mas, em uma criança com escoliose idiopática, uma perna também pode apenas parecer mais curta. A assimetria pode fazer parte da maneira como o corpo está tentando manter o equilíbrio.
Nesses casos, corrigir automaticamente aquilo que aparece no exame pode modificar:
— a posição da pelve e do sacro;
— a organização da curva lombar;
— o alinhamento do tronco;
— uma compensação importante para o equilíbrio corporal.
Isso não significa que todo calço seja prejudicial.
Significa que a escanometria não deveria ser interpretada isoladamente nem transformada automaticamente em uma prescrição.
Antes de colocar um calço, não pergunte apenas:
“Quantos milímetros de diferença apareceram no exame?”
Pergunte também:
“Essa diferença realmente existe nos ossos ou foi criada pela própria escoliose?”
Um número pode medir uma assimetria.
Mas não explica, sozinho, por que ela existe.
Se indicaram um calço para seu filho, leve essa pergunta para o profissional responsável.
E compartilhe este vídeo com outra família que também precisa conhecer essa diferença.