08/06/2026
Os quadros deste espaço não foram escolhidos apenas pela estética.
Cada imagem carrega uma emoção humana profunda; daquelas que aparecem silenciosamente também na psicoterapia.
“A Árvore da Vida” fala sobre raízes, heranças invisíveis, ciclos familiares e a ligação entre passado, presente e futuro.
Os galhos se expandem como histórias que atravessam gerações. As espirais lembram padrões que se repetem, afetos que permanecem e caminhos internos que tentamos compreender ao longo da vida.
“O Beijo” fala sobre fusão, desejo, entrega e a dificuldade de separar onde termina o outro e começamos nós mesmos. Sobre vínculos que aquecem… e às vezes aprisionam.
“O Abraço” traz acolhimento, proteção emocional e a necessidade humana de existir em segurança no afeto de alguém.
“O Retrato de Adele Bloch-Bauer” revela identidade, presença, feminilidade e ancestralidade. Adele parece coberta de ouro, mas seus olhos continuam profundamente humanos; como quem sustenta histórias silenciosas por trás da beleza.
A música que toca ao fundo também faz parte do cuidado.
Ela desacelera o corpo, suaviza o excesso de ruído do mundo e cria um espaço interno de escuta.
E entre os livros, os dourados e os símbolos, existe também um pequeno gatinho decorativo que foi presente de uma paciente.
Talvez ele revele, de forma silenciosa, uma parte muito verdadeira de mim: meu amor pelos gatos, pelo afeto espontâneo e pelas presenças que acolhem sem precisar dizer uma palavra.
As obras de Gustav Klimt sempre me lembraram que a mente humana não é linear.
Somos feitos de memórias, símbolos, desejos, dores, afetos e lealdades invisíveis que atravessam gerações.
Talvez por isso esse espaço tenha se tornado mais do que um cenário de atendimento.
Ele virou uma extensão daquilo que acredito na clínica:
que toda história humana merece ser olhada com profundidade, delicadeza e significado.