Rodrigo Siqueira Endocrinologista

Rodrigo Siqueira Endocrinologista Página com informações sobre endocrinologia e metabologia!

Tem dias em que tudo parece encaixar. A glicemia permanece mais estável, as decisões funcionam e o gráfico f**a exatamen...
28/08/2026

Tem dias em que tudo parece encaixar. A glicemia permanece mais estável, as decisões funcionam e o gráfico f**a exatamente como gostaríamos. Em outros, você repete praticamente a mesma rotina e o resultado é completamente diferente. Nenhum desses dias, sozinho, define como está o seu diabetes.

O controle glicêmico não deve ser interpretado como uma fotografia de 24 horas. Alimentação, atividade física, sono, estresse, doenças intercorrentes, hormônios e até a absorção da insulina podem modif**ar a glicemia. Por isso, na prática clínica, procuramos padrões ao longo do tempo, e não perfeição diária.

É também por isso que relatórios de monitorização contínua ganham valor quando analisados por períodos representativos. Tempo no alvo, tempo abaixo e acima da faixa, variabilidade e recorrência dos padrões ajudam a construir uma visão muito mais útil do que aquela curva difícil de ontem ou aquele gráfico impecável de hoje.

Então, se hoje foi um daqueles dias em que nada pareceu funcionar, não transforme os números em julgamento. Observe, registre o que fizer sentido e siga. Diabetes não é uma prova que você precisa passar todos os dias. É uma história clínica que precisamos aprender a ler ao longo do tempo.

Referências: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026. Battelino T, et al. Continuous glucose monitoring and metrics for clinical trials: an international consensus statement. Lancet Diabetes Endocrinol. 2023.

Você terminou o treino, guardou o tênis e seguiu o dia. Para o seu metabolismo, porém, o exercício ainda pode estar acon...
26/08/2026

Você terminou o treino, guardou o tênis e seguiu o dia. Para o seu metabolismo, porém, o exercício ainda pode estar acontecendo. A atividade física modif**a a forma como o músculo utiliza glicose e pode aumentar a sensibilidade à insulina por várias horas após o término do esforço.

Durante a contração muscular, mecanismos parcialmente independentes da insulina aumentam a captação de glicose pelo músculo. Depois do exercício, o organismo também trabalha para repor os estoques de glicogênio utilizados durante a atividade. É uma das razões pelas quais algumas pessoas que usam insulina percebem necessidades diferentes no restante do dia e, dependendo do exercício e do horário, até durante a madrugada.

Mas existe um detalhe importante: nem todo exercício faz a glicemia cair imediatamente. Atividades muito intensas, musculação pesada, sprints e exercícios competitivos podem aumentar temporariamente a glicose pela liberação de catecolaminas. Isso não signif**a que o exercício “não funcionou”. Tipo, intensidade, duração, alimentação e quantidade de insulina ativa ajudam a determinar a resposta glicêmica.

É por isso que exercício e diabetes não combinam bem com fórmulas universais. Observar como o próprio organismo responde a diferentes atividades permite ajustar alimentação e insulinoterapia com mais segurança. Você pode ter terminado o treino há horas. Seu metabolismo ainda está respondendo a ele.

Referências: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026. Riddell MC, et al. Exercise management in type 1 diabetes: a consensus statement. Lancet Diabetes Endocrinol. 2017;5:377-390. Sylow L, Kleinert M, Richter EA, Jensen TE. Exercise-stimulated glucose uptake: regulation and implications for glycaemic control. Nat Rev Endocrinol. 2017;13:133-148.

Ontem foi dia de falar sobre o futuro , e o presente , do cuidado em diabetes.Participei de um evento muito especial fru...
26/08/2026

Ontem foi dia de falar sobre o futuro , e o presente , do cuidado em diabetes.

Participei de um evento muito especial fruto da parceria entre Mantecorp e Roche Diagnóstica, unindo dois pilares cada vez mais relevantes na prática clínica: GLP-1 e monitorização contínua da glicose.

O Dr. Alexandre Benchimol abordou a terapia com GLP-1, no contexto do lançamento do Semavy, e eu tive a oportunidade de discutir o papel do Accu-Chek SmartGuide e como o CGM pode ajudar a compreender, de forma muito mais profunda, a resposta individual ao tratamento.

Mais do que olhar apenas para a HbA1c, hoje podemos avaliar tempo na faixa-alvo, variabilidade glicêmica e resposta pós-prandial, tornando as decisões terapêuticas cada vez mais personalizadas.

A sessão foi brilhantemente moderada pelo Dr. Carlos Eduardo Barra Couri | Médico Endocrinologia RQE 57342

Meu agradecimento especial ao Adonai Dutra Junior , da Mantecorp, e à Vanessa Brito, da Roche Diagnóstica, pelo convite e por idealizarem um encontro tão inovador.

Quando terapêutica, tecnologia e dados caminham juntos, o cuidado em diabetes evolui.

Você calcula os carboidratos, aplica a insulina corretamente e, mesmo assim, a glicemia cai primeiro e sobe horas depois...
20/08/2026

Você calcula os carboidratos, aplica a insulina corretamente e, mesmo assim, a glicemia cai primeiro e sobe horas depois. Em algumas pessoas com diabetes, o problema pode não estar na dose. Pode estar no tempo em que o alimento deixa o estômago.

Na gastroparesia diabética, uma alteração da motilidade gástrica pode retardar o esvaziamento do estômago. A insulina aplicada começa a agir, mas parte dos carboidratos ainda não chegou ao intestino para ser absorvida. Esse desencontro pode contribuir para hipoglicemia após a refeição e hiperglicemia mais tardia, tornando o comportamento glicêmico particularmente imprevisível.

Saciedade precoce, sensação de estômago cheio por muito tempo, distensão, náuseas e vômitos podem levantar essa suspeita. Mas variabilidade glicêmica, isoladamente, não diagnostica gastroparesia. Outras causas precisam ser consideradas e, quando existe indicação clínica, o diagnóstico exige avaliação adequada do esvaziamento gástrico.

Esse é mais um exemplo de por que nem toda glicemia difícil de explicar se resolve simplesmente aumentando ou diminuindo insulina. Às vezes, a insulina e a comida estão seguindo relógios diferentes. Entender qual deles está atrasado muda completamente o raciocínio clínico.

Referências: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026. Camilleri M, et al. ACG Clinical Guideline: Gastroparesis. American Journal of Gastroenterology. 2022;117:1197-1220. Bharucha AE, Kudva YC, Prichard DO. Diabetic Gastroparesis. Endocrine Reviews. 2019;40:1318-1352.

Melhorar a glicemia é um dos pilares para proteger a visão de quem vive com diabetes. Mas existe um fenômeno pouco conhe...
19/08/2026

Melhorar a glicemia é um dos pilares para proteger a visão de quem vive com diabetes. Mas existe um fenômeno pouco conhecido: em algumas pessoas, especialmente quando já existe retinopatia diabética, uma redução rápida e expressiva da glicose pode estar associada a uma piora inicial da retinopatia. Isso é conhecido como early worsening.

Isso não signif**a que controlar melhor o diabetes faça mal aos olhos. Pelo contrário. No longo prazo, um bom controle glicêmico reduz o risco de desenvolvimento e progressão da retinopatia. O ponto é que o organismo pode precisar de atenção especial durante uma mudança metabólica muito intensa, principalmente em quem partia de uma HbA1c elevada ou já apresentava alterações importantes na retina.

Por isso, quando planejamos uma intensif**ação signif**ativa do tratamento, não deveríamos olhar apenas para quanto a HbA1c pode cair. Precisamos saber também como estão os olhos daquele paciente. A ADA recomenda avaliar o estado da retinopatia quando terapias hipoglicemiantes são intensif**adas, justamente porque reduções rápidas da HbA1c estão associadas a esse risco inicial.

A mensagem não é ter medo de melhorar a glicemia. É melhorar com acompanhamento, individualização e rastreamento adequado das complicações. No diabetes, chegar à meta importa. Mas conhecer o paciente que está percorrendo esse caminho importa ainda mais.

Referências: American Diabetes Association Professional Practice Committee. Retinopathy, Neuropathy, and Foot Care: Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S261–S276. Diabetes Control and Complications Trial/Epidemiology of Diabetes Interventions and Complications Research Group. Diabetic Retinopathy and Other Ocular Findings in the DCCT/EDIC Study. Diabetes Care. 2014;37:17–23.

Um LDL de 92 mg/dL é bom ou ruim? A resposta mais correta é: depende de quem está por trás desse resultado. O intervalo ...
18/08/2026

Um LDL de 92 mg/dL é bom ou ruim? A resposta mais correta é: depende de quem está por trás desse resultado. O intervalo de referência impresso pelo laboratório não é necessariamente a meta que buscamos para cada paciente.

No diabetes, a avaliação do colesterol precisa considerar o risco cardiovascular global. Idade, duração do diabetes, hipertensão, tabagismo, doença renal, histórico familiar e, principalmente, presença de doença cardiovascular aterosclerótica mudam a interpretação do mesmo LDL. Para alguns pacientes, 92 mg/dL pode ser aceitável. Para outros, estará consideravelmente acima do objetivo terapêutico.

Esse raciocínio também explica por que uma estatina pode ser indicada mesmo quando o colesterol não parece "alto" no exame. O objetivo não é simplesmente corrigir um número alterado, mas reduzir a probabilidade de infarto, AVC e outros eventos cardiovasculares ao longo dos anos. Quanto maior o risco, mais intensiva tende a ser a estratégia de redução do LDL.

Por isso, não se assuste se o endocrinologista olhar para um resultado que o laboratório não marcou em vermelho e ainda assim discutir tratamento. Exame tem valor de referência. Paciente tem contexto clínico. E são coisas diferentes.

Referências: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026. Mach F, Baigent C, Catapano AL, et al. ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. European Heart Journal. 2020. Virani SS, et al. AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Chronic Coronary Disease. Circulation. 2023.

Esta semana, no Panamá, fui convidado pela Roche para participar como palestrante do LATAM Expanding Leaders Forum, reun...
15/08/2026

Esta semana, no Panamá, fui convidado pela Roche para participar como palestrante do LATAM Expanding Leaders Forum, reunindo especialistas do Brasil e de diferentes países da América Latina. 🇧🇷🌎

Minha aula, “Menopause and the metabolic shift: navigating glycemic instability in midlife”, trouxe uma discussão que une duas áreas às quais tenho me dedicado muito: tecnologia em diabetes e interpretação clínica dos dados do CGM.

Falamos sobre como as mudanças hormonais e metabólicas da meia-idade podem se traduzir em novos padrões glicêmicos — e sobre como transformar a enorme quantidade de dados que hoje temos disponível em decisões clínicas mais precisas e individualizadas.

Foi uma excelente oportunidade para compartilhar experiência, discutir ciência e trocar perspectivas com líderes latino-americanos em diabetes.

Muito bom ver o Brasil participando ativamente dessas discussões. 🇧🇷

DigitalHealth

Existe uma coisa que eu gostaria que todo paciente com diabetes soubesse antes de entrar no consultório: você não precis...
13/08/2026

Existe uma coisa que eu gostaria que todo paciente com diabetes soubesse antes de entrar no consultório: você não precisa chegar aqui com uma glicemia perfeita para ser um bom paciente.

Se você esqueceu uma dose, diga. Se comeu sem calcular, diga. Se cansou do sensor, se teve medo de olhar os resultados, se passou alguns dias cuidando menos do que gostaria ou simplesmente não conseguiu seguir tudo o que combinamos, diga também. Eu não preciso de uma versão perfeita da sua rotina. Preciso da versão verdadeira.

Resultados fora da meta não são uma prova de fracasso. São informações. E quando existe confiança suficiente para falar sobre o que realmente aconteceu, conseguimos entender padrões, identif**ar dificuldades e construir um tratamento que caiba na vida real. Medicina não deveria transformar uma consulta em prestação de contas.

Diabetes já exige decisões demais todos os dias. O consultório não pode ser mais um lugar onde você precisa sentir culpa. Ele precisa ser o lugar onde você consegue dizer “não estou conseguindo” e saber que, a partir daí, médico e paciente vão procurar juntos um caminho melhor.

A creatinina pode estar normal e, ainda assim, o rim já apresentar sinais iniciais de lesão. No diabetes, uma das altera...
12/08/2026

A creatinina pode estar normal e, ainda assim, o rim já apresentar sinais iniciais de lesão. No diabetes, uma das alterações que pode surgir precocemente é o aumento da excreção urinária de albumina, antes mesmo de uma redução evidente da taxa de filtração glomerular.

Por isso, avaliar a saúde renal não signif**a apenas solicitar creatinina. O rastreamento deve considerar também a relação albumina/creatinina urinária (RAC) e a taxa de filtração glomerular estimada (eTFG). Uma RAC ≥30 mg/g é considerada anormal, mas um resultado isolado não estabelece, necessariamente, doença renal crônica. A persistência da alteração precisa ser confirmada, considerando fatores capazes de elevar temporariamente a albuminúria.

Esse diagnóstico precoce importa porque muda condutas. Controle glicêmico e pressórico, revisão das medicações e, conforme o perfil clínico, terapias com benefício cardiorrenal podem reduzir a progressão da doença renal e o risco cardiovascular. Também é importante lembrar que nem toda doença renal em uma pessoa com diabetes é causada pelo diabetes, especialmente diante de apresentações atípicas.

Esperar sintomas ou uma creatinina claramente elevada pode signif**ar perder uma importante janela de prevenção. No diabetes, proteger os rins começa muito antes de eles "pararem de funcionar". Referências: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026. KDIGO. Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. 2024. KDIGO. Clinical Practice Guideline for Diabetes Management in Chronic Kidney Disease. 2022.

Uma glicemia de 118 mg/dL pode parecer tranquilizadora. Mas existe uma situação em que olhar apenas para esse número pod...
11/08/2026

Uma glicemia de 118 mg/dL pode parecer tranquilizadora. Mas existe uma situação em que olhar apenas para esse número pode ser perigoso: a cetoacidose diabética euglicêmica, caracterizada por cetose e acidose metabólica sem a hiperglicemia acentuada que tradicionalmente associamos à cetoacidose.

Ela merece atenção especial em pessoas que utilizam inibidores de SGLT2, mas também pode ocorrer em outros contextos, como redução ou omissão de insulina, jejum prolongado, baixa ingestão de carboidratos, vômitos, desidratação, doença aguda e período perioperatório. Nesses cenários, a glicemia pode não refletir a gravidade do distúrbio metabólico em curso.

Por isso, diante de sintomas compatíveis ou de uma situação de risco, uma glicemia aparentemente adequada não deve ser usada isoladamente para excluir cetoacidose. A avaliação pode exigir dosagem de cetonas, preferencialmente β-hidroxibutirato sanguíneo, além da investigação do equilíbrio ácido-base e do contexto clínico.

Esse é um bom exemplo de por que tratar diabetes não signif**a apenas controlar glicose. Números precisam ser interpretados dentro da fisiologia e da história do paciente. Uma glicemia dentro da faixa esperada não garante, sozinha, que o metabolismo esteja seguro.

Referências: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026. Umpierrez GE, et al. Hyperglycemic Crises in Adults With Diabetes: A Consensus Report. Diabetes Care. 2024. Goldenberg RM, et al. SGLT2 Inhibitor-associated Diabetic Ketoacidosis: Clinical Review and Recommendations. Clinical Therapeutics. 2016.

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