07/08/2026
O PAU DE CHUVA E GUILHERME:
UMA PARCERIA QUE DEU CERTO
Há algo de profundamente humano no som do pau de chuva.
Seu soar contínuo, raspado, de atrito e deslizamento, incessante e envolvente, desperta em nós memórias sonoras muito primitivas. É como se, ao ouvi-lo, fôssemos convidados a permanecer em silêncio, recolhidos em um abrigo: uma caverna, uma casa de pau a pique, uma cabana de camping ou mesmo um apartamento na cidade. Ficamos apenas ouvindo a chuva construir sua paisagem sonora.
Essa escuta nos conduz aos recantos mais íntimos de nossas lembranças. Recorda nossa condição humana de vulnerabilidade diante da natureza e, ao mesmo tempo, a busca ancestral por proteção, acolhimento e descanso.
Foi por isso que construí este pau de chuva gigante: para oferecer aos meus pacientes um tempo maior de permanência nessa sonoridade tão vital para a nossa existência. Um tempo de escuta, de presença e de encontro consigo mesmo.
Na musicoterapia, também cuidamos das memórias. Resgatamos experiências sonoras primitivas que nos confortam, nos acalentam e nos ajudam a reencontrar um estado de tranquilidade. Não para fugir do mundo, mas para reunir forças e, em seguida, enfrentar as intempéries sonoras que as grandes cidades nos impõem diariamente.
Às vezes, basta um momento. Um único momento de tranquilidade, de dignidade e de carinho sonoro para que algo em nós volte a respirar.
JH Nogueira