30/09/2026
💛 Setembro termina. O cuidado, não.
Durante este mês, falamos mais sobre saúde mental, sofrimento psíquico, acolhimento e prevenção do suicídio.
Mas, quando o amarelo deixa de ocupar as redes, permanece uma pergunta que talvez precise continuar nos acompanhando:
Como temos cuidado do sofrimento do outro e do nosso próprio para além de setembro?
Na clínica, aprendemos que nem todo sofrimento se anuncia.
Há dores que não fazem barulho, angústias que permanecem silenciosas e pessoas que seguem funcionando, trabalhando, sorrindo e cumprindo suas tarefas enquanto, internamente, algo pede para ser escutado.
Nem sempre é possível saber o que o outro está vivendo. E nem sempre quem sofre consegue transformar aquilo que sente em um pedido de ajuda.
Por isso, cuidar também é abrir espaço para a palavra.
É poder perguntar, escutar sem pressa, sem julgamento e sem tentar imediatamente silenciar a dor com respostas prontas.
Na perspectiva da psicanálise, escutar não signif**a ter uma resposta para tudo. Signif**a sustentar um espaço onde aquilo que causa sofrimento possa, pouco a pouco, encontrar palavras e sentidos.
Mas cuidar também é reconhecer nossos limites. Não precisamos dar conta sozinhos do sofrimento do outro. Em algumas situações, é necessário buscar ajuda profissional e acionar uma rede de cuidado.
Que setembro não seja apenas um mês de conscientização, mas uma oportunidade de transformar a forma como olhamos para o sofrimento ao longo de todo o ano.
Setembro termina.
A escuta continua.
O cuidado também. 💛
🎗️