10/04/2026
Nos atendimentos, entre um silêncio e outro, surge um tema recorrente, quase um clássico contemporâneo: as tarefas de casa.
E é curioso como, em muitos relatos masculinos, o lavar a louça ganha um peso quase existencial. Não é só o prato…
é “o cansaço”, “a cobrança”, “o nunca estar bom o suficiente”. De repente, a pia vira palco de algo muito maior.
Alguns dizem: “Mas eu ajudo!” E, na escuta, o “ajudo” às vezes escorrega, porque ajudar pressupõe que a responsabilidade é de outro.
Outros relatam um certo espanto: “Mas precisa fazer todo dia?”
Como se a casa, tal qual o inconsciente, produzisse conteúdos, continuamente.
Entre risos e interpretações,
o que aparece não é apenas sobre tarefas, mas sobre lugares: o que é esperado, o que foi aprendido, o que ainda causa desconforto em ocupar.
No fundo, não é sobre a louça.
É sobre divisão, reconhecimento, e quem sabe, sobre amadurecimento.
E assim seguimos, entre pratos, panelas e processos psíquicos, porque, às vezes, a resistência também passa pela cozinha.
Acontece por aí também?
Uma reflexão leve da semana 🍃
Cuidem-se 🤍
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lone Amado
Psicanalista Clínica
Especialista em Comportamento Neurociência e Psicopatologia
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