10/07/2026
Está cada vez mais comum escutarmos a queixa de pessoas exaustas e sem tempo. Assim como está cada vez mais comum vermos nas redes sociais pessoas acordando às 5h da manhã para que seu dia seja produtivo.
Essas queixas aparecem também na clínica e demonstram como grande parte das patologias atuais se relacionam com uma exaustão psíquica, como é o caso do número cada vez maior de pessoas sendo diagnosticadas com burn out ou chegando na clínica com queixas que se assemelham a esse quadro.
Mas de onde poderia vir isso?
Para o filósofo Byung Chul-Han, essa exaustão aponta para como na nossa sociedade atual os indivíduos buscam, cada vez mais, reafirmar suas identidades através de sua produtividade. É preciso produzir mais e mais para ser.
Hoje nada tem mais valor que a autoafirmação por meio do trabalho e da produtividade. Somente quando produzimos é que nos sentimos alguém, é que nos sentimos “útil”, que avaliamos nosso valor.
Por isso vê-se cada vez mais perfis que dão dicas de como ser produtivo, como aproveitar ao máximo as horas do seu dia, como acordar mais cedo para começar a produtividade desde cedo, reforçando o tão conhecido lema de “trabalhar enquanto eles dormem”, como se isso garantisse a nossa existência.
E com isso a vida acaba sendo reduzida à mera sobrevivência. Não há abertura para experiências que possam nos transformar, nos modificar. Não há espaço para a contemplação e para a improdutividade, que são justamente aquilo que nos permite realmente desfrutar a vida. Não há tempo para se desfrutar o agora quando se está preocupado apenas com o futuro.
Mas será que isso é viver? Como não estar exausto diante dessa lógica? Como não adoecer dentro desse mecanismo?