Cardiologia do Esporte

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Cardiologia do Esporte Dra. Renata Castro. Médica especialista em clínica médica, medicina do exercício e do esporte, mestre em cardiologia e doutora em fisiopatologia clínica.

14/10/2026

Sobre o caso da Ketlen Vieira:

um teste positivo em doping não conta a história toda sozinho.

Na prática, o que importa é entender:
• qual substância apareceu
• se houve uso de algo proibido no tratamento
• se existe explicação clínica para o contexto

E aqui mora o ponto importante: muita gente acha que “tratamento” e “intenção de trapacear” são a mesma coisa.
Não são.

Mas, no esporte de combate, qualquer medicação, infiltração ou suplemento precisa ser checado antes — porque o risco de um resultado positivo existe.

O caso é um bom lembrete de algo que eu falo sempre:
antidoping não é só sobre performance.
É sobre cuidado, rastreio e responsabilidade com o que entra no corpo.

Se você quer entender melhor como isso impacta atletas, sigo explicando por aqui.

13/10/2026

Tem muito médico solicitando score de cálcio como check-up e esquecendo que placas coronarianas novas podem não ter calcificação.
Score de cálcio zero não é sinônimo de coronárias normais!

Você já ouviu falar em memória muscular.Mas e se o tecido adiposo também pudesse guardar uma espécie de “memória” da obe...
07/10/2026

Você já ouviu falar em memória muscular.
Mas e se o tecido adiposo também pudesse guardar uma espécie de “memória” da obesidade?

Um estudo experimental encontrou algo intrigante: em camundongos que tiveram obesidade e depois perderam peso, algumas alterações nas células de gordura permaneceram mesmo após o emagrecimento.

Entre elas, permaneceu elevada a asprosina, um hormônio produzido pelo tecido adiposo que atua no cérebro estimulando o apetite.

Ou seja: o peso caiu, mas parte da biologia associada ao estado anterior não voltou imediatamente ao ponto de partida.

E aqui está a parte mais importante:
⚠️ isso ainda não significa que descobrimos por que seres humanos recuperam peso. Esse mecanismo foi demonstrado em modelo animal e ainda precisa ser confirmado em humanos.

Mas ele acrescenta uma peça interessante a algo que a medicina já sabe há bastante tempo:

manter o peso perdido não é simplesmente uma questão de força de vontade.

O organismo participa dessa história.

E talvez estejamos começando a entender melhor como ele “se lembra”.

📩 Envie este post para quem ainda acha que recuperar peso é simplesmente “falta de disciplina” ou que basta “fechar a boca”.

05/10/2026

E se o próximo avanço no tratamento da obesidade não for perder MAIS peso — mas perder MELHOR?

Medicamentos como a semaglutida promovem importante perda de peso, mas parte dessa redução pode incluir massa magra.

Agora, uma nova estratégia está sendo estudada: associar a semaglutida ao trevogrumab, um anticorpo que bloqueia a miostatina, proteína envolvida na regulação da massa muscular.

Os resultados apresentados no estudo COURAGE são interessantes: a associação reduziu a perda de massa magra e mostrou maior preservação muscular em comparação à semaglutida isolada.

Mas existe uma diferença fundamental:

preservar músculo na imagem não significa, necessariamente, preservar força, função ou performance.

Ainda precisamos dessas respostas.

Talvez estejamos entrando em uma nova fase do tratamento da obesidade, em que a pergunta deixa de ser apenas:

“Quantos quilos você perdeu?”

e passa a incluir:

“O que você perdeu?”

📤 Compartilhe com alguém que ainda acha que emagrecimento se mede apenas pela balança.

A vitória aconteceu no octógono. Mas a parte mais interessante dessa história começou muito antes da luta.Durante anos, ...
04/10/2026

A vitória aconteceu no octógono. Mas a parte mais interessante dessa história começou muito antes da luta.

Durante anos, Johnny competiu nos meio-pesados. Para chegar aos 93 kg, precisava reduzir peso — e parte dessa redução acontecia por desidratação. Agora, nos pesados, esse corte praticamente desapareceu.

Eu estava desidratando meu cérebro.” A frase é do próprio Johnny Walker. Não é uma descrição fisiológica literal — mas traduz uma preocupação real da medicina dos esportes de combate.

Você passa horas levando o corpo ao limite para bater o peso. Depois tem poucas horas para recuperá-lo — e entra em um esporte em que vai levar golpes na cabeça. Esse é o ponto.

E aqui mora a armadilha: o peso volta rápido. O corpo, nem sempre. Ver o número subir na balança não significa que você já está pronto para lutar.

Johnny venceu porque subiu de categoria? Não dá para saber. Mas a vitória deixa uma pergunta melhor: de que adianta ser maior que o adversário se você precisa chegar pior que ele para lutar?

Essa é uma reflexão que faço praticamente todos os dias quando atendo lutadores na Cardiologia, Medicina do Esporte e Performance . A cultura do esporte nem sempre leva a ciência do esporte em consideração. E quem sofre com isso é o próprio atleta.

No fim, a balança não luta. Quem entra no octógono é o atleta — e ele precisa chegar pronto para performar. 🥊 Conhece alguém que gosta de luta? Envie este post para ele.

Johny walkerufc UFC Brasil UFC

03/10/2026

Inchaço no cérebro depois de uma luta: foi só a pancada? 🥊

Depois da luta de Raoni Barcelos, Glover Teixeira relatou que os exames mostraram inchaço cerebral e levantou a possibilidade de lesão traumática.

É uma explicação absolutamente plausível.

Mas atletas de esportes de combate têm uma variável adicional: o corte de peso e, principalmente, o que acontece nas horas seguintes à pesagem.

Depois de uma desidratação importante, não basta colocar água de volta no corpo. Se a reposição for inadequada e houver água demais em relação ao sódio, o sódio no sangue pode cair rapidamente. Em casos graves, isso pode levar à entrada de água nas células cerebrais e provocar edema cerebral, confusão, convulsões e perda de consciência.

⚠️ Isso aconteceu com Raoni? Não sabemos.

Não temos acesso ao sódio, à osmolaridade, ao grau de desidratação nem ao protocolo de reidratação dele. Portanto, atribuir o episódio à hiponatremia seria especulação.

Mas o caso traz uma mensagem importante para qualquer atleta de categoria de peso:

recuperar os quilos perdidos não significa necessariamente que o organismo já recuperou seu equilíbrio.

Corte de peso não termina na balança.

📤 Compartilhe com quem pratica ou acompanha esportes de combate.

02/10/2026

Ele tem 55 anos. Peso normal. E corre maratonas.

À primeira vista, parece exatamente o perfil de alguém em ótima condição física.

Mas hoje, durante uma avaliação pré-operatória, a análise da composição corporal mostrou uma informação que o peso sozinho não revelava: baixa massa muscular, especialmente em membros superiores.

E aqui existe uma mensagem importante, principalmente depois dos 50:

ser magro não significa ter músculo suficiente.
Ter peso normal não significa ter boa composição corporal.
E fazer exercício aeróbico não elimina a necessidade de treinar força.

Nesse caso, a quantidade absoluta de gordura corporal nem era elevada. Mas, quando a quantidade de músculo é menor, a gordura passa a representar uma proporção maior do peso corporal.

E o músculo que perdemos com o envelhecimento não faz falta apenas no espelho.

Ele faz falta para levantar de uma cadeira, carregar peso, manter equilíbrio, preservar autonomia e reserva funcional — inclusive quando precisamos enfrentar uma doença, uma internação ou uma cirurgia.

Por isso, depois dos 50, talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas:

“Meu peso está bom?”

Mas também:

“Estou preservando músculo?”

E um detalhe importante: baixa massa muscular em um exame de composição corporal, isoladamente, não é sinônimo de sarcopenia. Força e desempenho físico também fazem parte dessa avaliação.

📤 Envie para alguém que ainda acredita que peso normal é sinônimo de boa composição corporal.

Caso clínico compartilhado de forma anonimizada e exclusivamente para fins educativos.

O médico que aparece no seu feed pode simplesmente não existir.O Ministério da Saúde analisou 97 perfis que usavam intel...
01/10/2026

O médico que aparece no seu feed pode simplesmente não existir.

O Ministério da Saúde analisou 97 perfis que usavam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde. Eram avatares com aparência humana, apresentados como especialistas e até com qualificações profissionais fictícias.

E eles não estavam ali apenas produzindo conteúdo.

Havia promessas de cura, tratamentos sem comprovação científica e, em alguns casos, venda de produtos, e-books e serviços. Parte desses perfis era direcionada especialmente à população idosa.

A situação foi considerada grave o suficiente para a AGU notificar o YouTube, dando prazo de 72 horas para indisponibilizar os conteúdos identificados ou, conforme o caso, deixar explícita a natureza artificial dos personagens. As informações também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.

A inteligência artificial criou um problema novo para quem procura informação de saúde na internet.

Antes, precisávamos perguntar:

“Essa informação é verdadeira?”

Agora existe uma pergunta anterior:

“Esse médico existe?”

Cheque quem está falando. Procure o registro profissional. Avalie a fonte. E desconfie de quem promete cura fácil, rápida ou milagrosa.

Informação de saúde exige fonte.
E quem fala também precisa existir.

📤 Compartilhe este post. Alguém que você conhece pode estar seguindo um “médico” que nunca existiu.

Fonte: Ministério da Saúde — Programa Saúde com Ciência.

O “estômago alto” dos fisiculturistas sempre rendeu explicações: é comida demais, proteína demais, GH, insulina…Mas e se...
29/09/2026

O “estômago alto” dos fisiculturistas sempre rendeu explicações: é comida demais, proteína demais, GH, insulina…

Mas e se olharmos por dentro?

Foi isso que este estudo fez.

Usando ressonância magnética de corpo inteiro, os pesquisadores compararam fisiculturistas naturais, usuários de anabolizantes e controles.

E o achado chama atenção: nos usuários, não eram apenas os músculos que estavam maiores. Coração, fígado, baço e rins também apresentavam maior volume.

E tem um detalhe importante: os fisiculturistas naturais também consumiam muita proteína — cerca de 2,5 g/kg/dia — e não apresentaram o mesmo aumento dos órgãos internos.

Isso prova que foram os anabolizantes?

Não.

O estudo é transversal, pequeno e os usuários faziam uso de diferentes substâncias. Ele mostra uma associação, não permite estabelecer causa e efeito nem dizer qual droga seria responsável por qual alteração.

Mas deixa uma mensagem difícil de ignorar:

quando você modifica o corpo farmacologicamente, não pode olhar apenas para aquilo que aparece no espelho.

E, como cardiologista, há um órgão nessa história que me interessa especialmente: o coração.

Shape não é marcador de saúde.
E coração grande não é necessariamente coração saudável.

Se você quer entender o que os anabolizantes fazem onde o espelho não mostra, me siga.

E envie este post para aquela pessoa que ainda acha que o efeito termina no músculo.

Dr João Giffoni/ Mestre em cardiologia/ UFF Cardio para Todos

Um lutador apaga no octógono e a luta termina por nocaute.Mas, para a medicina, existe outra pergunta: por que ele perde...
28/09/2026

Um lutador apaga no octógono e a luta termina por nocaute.

Mas, para a medicina, existe outra pergunta: por que ele perdeu a consciência?

Raoni Barcelos perdeu a consciência durante o quinto round e precisou ser retirado de maca. Foi levado ao hospital, realizou tomografia e, felizmente, as primeiras informações divulgadas foram tranquilizadoras: estava estável, alerta e responsivo.

Mas estar bem depois não explica necessariamente o que aconteceu durante o esforço.

E esse é o ponto importante.

Perda de consciência durante exercício intenso merece investigação. Trauma é uma possibilidade óbvia em um esporte de combate, mas o diagnóstico diferencial não termina aí. Causas cardiovasculares, neurológicas, metabólicas e outras relacionadas ao contexto precisam ser consideradas.

⚠️ Isso não significa que o episódio de Raoni tenha sido causado pelo coração. Não temos elementos para fazer esse diagnóstico — e tentar fazê-lo assistindo a um vídeo seria irresponsável.

Mas existe uma lição que vale para qualquer atleta:

performance não é atestado de saúde.

Estar treinado, competir em alto nível e parecer completamente recuperado depois de um episódio não elimina a necessidade de descobrir o que aconteceu antes de definir um retorno seguro ao esporte.

Torço pela recuperação completa de Raoni. 👊

📤 Conhece alguém que treina, compete ou trabalha com atletas? Compartilhe este carrossel. Essa informação pode proteger um atleta.

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