Psicóloga Marcela Rocha

Como chegar

Psicóloga Marcela Rocha Sou Psicóloga e Psicanalista, comprometida com a saúde mental da população preta.

A formação do psicanalista não se faz só com psicanálise.Essa frase não significa abandonar Freud, Lacan ou a tradição p...
06/10/2026

A formação do psicanalista não se faz só com psicanálise.

Essa frase não significa abandonar Freud, Lacan ou a tradição psicanalítica. Para mim, significa levar a clínica suficientemente a sério para reconhecer que o sujeito que chega até nós não nasceu dentro de um seminário.

Ele chega atravessado por história, raça, gênero, território, trabalho, relações econômicas e pelas formas de violência do seu tempo.

É desse lugar que penso a supervisão clínico-política.

As informações sobre próximas turmas estão no link da bio.

Referências que atravessam essa perspectiva: Freud; Lacan; Frantz Fanon; Neusa Santos Souza; Lélia Gonzalez; Achille Mbembe; Vladimir Safatle.

28/09/2026

Pensar em coisas que me ajudaram na jornada acadêmica foi um reflexão interessante de se fazer. Especialmente porque, muito dessa jornada é descoberto no próprio percurso… no encontro com o outro, na sala de aula, na sua experiência com o estudo ou seu próprio mal-estar, rs.

Junto disso, quebrar com o ‘’ideal’’ de pesquisadora foi primordial. Afinal, achar que eu já deveria saber de tudo, mesmo ocupando tal espaço pela primeira vez, não me ajudou a chegar em lugar algum.

E claro, poder contar com o livro ‘’E não sou eu uma pesquisadora?’’ da Bárbara Carine (Bárbara Carine ) foi como uma luz no fim do túnel! Esse livro me salvou.

➡️ O que ajuda vocês nessa mesma jornada?

24/09/2026

Sinto que este seja um ponto particularmente difícil nessa discussão.

Porque respostas podem aliviar e, não, não acho que esse alívio deva ser tratado com desprezo. Mas alívio e trabalho clínico não são necessariamente a mesma coisa.

O CFP tem chamado atenção para os riscos de substituir a escuta clínica por respostas automatizadas e para a necessidade de preservar singularidade, responsabilidade e julgamento humano.

Do lado da psicanálise, acrescentaria uma questão que atravessa minha pesquisa:
há alguma coisa do sujeito que aparece justamente quando o sentido falha.
Nos momentos em que uma palavra escapa, uma resposta não chega…

Ainda não tenho uma conclusão fechada sobre todas as relações possíveis entre IA e clínica.
Mas tenho cada vez mais perguntas sobre uma cultura que parece suportar cada vez menos o não saber.

Referências: Conselho Federal de Psicologia (2025); Lacan, Seminário 11; Byung-Chul Han, Infocracia; Marcela Rocha, Psicanálise na era da psicopolítica digital.

Vivemos cercados por dispositivos construídos para diminuir intervalos: A resposta chega, a compra chega, o vídeo seguin...
20/09/2026

Vivemos cercados por dispositivos construídos para diminuir intervalos: A resposta chega, a compra chega, o vídeo seguinte começa. A rota é calculada.
Já reparou que até a recomendação aparece, antes mesmo de termos formulado uma procura?

Que há ganhos evidentes nisso, é fato. Mas tenho me perguntado sobre o custo subjetivo de uma vida com cada vez menos espera, hesitação e não saber.

A psicanálise me interessa também porque não promete eliminar esse intervalo. E, em um mundo organizado para oferecer respostas cada vez mais rápidas, sustentar uma pergunta talvez tenha se tornado um gesto mais radical do que parece.

Referências: Byung-Chul Han, Infocracia; Marcela Rocha, Contra o Real e Psicanálise na era da psicopolítica digital.

17/09/2026

Nem todo bastidor da pesquisa é intelectualmente interessante.... Na maioria das vezes é transporte, prazo, café frio e um texto que precisa ser relido.

Mas existe uma parte nesse processo que gosto de mostrar por aqui, porque o pensamento que aparece nos conteúdos não nasce pronto. Ele vem de leitura, discussão, escrita, clínica, discordância, revisão e muitas perguntas que ainda não sei responder.

Hoje foi um pouco disso, um fragmento bastante comum da vida de doutoranda.

Não é do meu interesse afirmar que algoritmos “não entendem nada sobre nós”. Pelo contrário, essa seria uma conclusão si...
15/09/2026

Não é do meu interesse afirmar que algoritmos “não entendem nada sobre nós”. Pelo contrário, essa seria uma conclusão simples demais.

Eles conseguem reconhecer padrões, produzir inferências e antecipar determinados comportamentos com uma capacidade que merece ser levada a sério.

Minha pergunta está em outro lugar: o que acontece quando confundimos aquilo que pode ser inferido a partir de dados com a totalidade de um sujeito?

Na psicanálise, o inconsciente não aparece como um banco de informações escondidas esperando para ser descoberto.
Ele aparece também no lapso, no equívoco, naquilo que vacila.
É justamente por isso que tenho me interessado tanto pela psicopolítica digital.

Tenho pensado que talvez o problema não seja apenas o quanto as máquinas sabem sobre nós, mas a nossa crescente crença de que tudo sobre um sujeito pode ser transformado em informação.

Referências: Han, Infocracia; Melhado & Rabot, “Análise de Sentimentos: Da Psicométrica à Psicopolítica”; Lacan, Seminário 11; Rocha, Psicanálise na era da psicopolítica digital.

O que é ser uma pesquisadora? Definitivamente não é sobre ir em muitos congressos. Apesar deles comporem uma parte essen...
10/09/2026

O que é ser uma pesquisadora?

Definitivamente não é sobre ir em muitos congressos. Apesar deles comporem uma parte essencial deste percurso.

Penso que talvez seja sustentar mais perguntas por tempo indeterminado. Estar sempre aberta para aprender, ensinar, ser corrigida e construir.

Ler, escrever, duvidar, voltar ao texto, confrontar hipóteses e aceitar que o conhecimento não se produz a partir de certezas, mas de problemas que insistem.

Também compreendi, desde muito cedo, que nem pesquisa neutra. Eu investigo de um lugar, sou atravessada por muitas histórias que antecedem a minha existência e que produzem questões no meu corpo e no mundo.

eu pude escutar nomes importantes da psicanálise, tocando em temas sensíveis de nossa época. Eu aprendi, revi alguns conceitos, e repensei a minha prática e a minha vida.

Este de um congresso Internacional me lembra justamente isso: pesquisar também é colocar nossas ideias em circulação, submetê-las ao debate e permitir que o encontro com outros pesquisadores desloque o nosso próprio pensamento.

Ter a honra de escutar uma das maiores intelectuais negras dentro da psicanálise, o meu desejo de seguir no campo.

Para quem não conhece, indico a leitura do livro “ a cor do inconsciente”, da Isildinha Baptista Nogueira

Sair das telas e colocar o corpo em movimento para aprendizado e trocas.

em que pé estamos no que tange uma psicanálise antirracista?

Ser pesquisadora, às vezes, pode ser solitário. Mas não precisa ser sempre.

propor uma mesa, ter os trabalhos aceitos e poder transmitir um pouco do trabalho que realizamos e da teoria que sustentamos, foi algo do qual me orgulho muito.

O nome da nossa mesa foi: leituras e intervenções psicanalíticas no contexto tecno-militar e neocolonial de uma guerra permanente.

em breve compartilho com vocês o trabalho completo que apresentamos neste congresso.

Uma inteligência artificial pode produzir uma resposta extremamente convincente. Ela pode reconhecer padrões na linguage...
06/09/2026

Uma inteligência artificial pode produzir uma resposta extremamente convincente. Ela pode reconhecer padrões na linguagem, estabelecer relações entre elementos do discurso e produzir uma frase que pareça acolhedora.

Mas o que acontece com aquilo que não cabe no padrão?

Na psicanálise, um lapso, uma contradição, uma palavra aparentemente equivocada ou um silêncio não são necessariamente ruídos que precisam ser corrigidos...
Podem ser o lugar onde alguma coisa do sujeito aparece.

É por isso que me interessa pensar a tensão entre tecnologias que operam pelo reconhecimento de padrões, classificação e predição e uma prática clínica que se interessa precisamente pelo tropeço, pela ambiguidade, pela contradição, por aquilo que não se deixa reduzir inteiramente a uma regularidade.

Ainda estamos começando a compreender os efeitos disso
e talvez seja cedo demais para respostas definitivas.

Referências: Byung-Chul Han, Infocracia; Lacan, O Seminário, Livro 11; Melhado e Rabot, “Análise de Sentimentos: Da Psicométrica à Psicopolítica”; Conselho Federal de Psicologia, Nota sobre IA e Psicologia (2025).

A história oficial tende a centralizar poucos nomes e datas. Mas a resistência negra no Brasil tem uma trajetória longa ...
03/09/2026

A história oficial tende a centralizar poucos nomes e datas. Mas a resistência negra no Brasil tem uma trajetória longa e organizada, que sustenta boa parte da minha pesquisa sobre memória e constituição subjetiva.

Separei 5 marcos que considero importantes de estarem mais presentes nesse relato: a imprensa negra paulista (1916-1966), a Frente Negra Brasileira (década de 1930), o Teatro Experimental do Negro, a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (2000) e as leis 10.639/2003 e 12.711/2012.

Nenhuma dessas conquistas veio de graça: foram resultado de décadas de organização, muitas vezes fora do centro da narrativa histórica oficial.

Referência: GOMES, N. L. O movimento negro brasileiro como ator político, In: O movimento negro educador, 2019.

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 21:00
Sábado 08:00 - 12:00

Notificações

Seja o primeiro a saber: enviaremos um e-mail para você quando Psicóloga Marcela Rocha publicar novidades e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado para nenhum outro fim, e você pode cancelar a inscrição a qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar