14/08/2026
Os inibidores da tirosina quinase de Bruton, os iBTKs, mudaram o tratamento de doenças como a leucemia linfocítica crônica e o linfoma de células do manto. Ao bloquear uma via importante para a sobrevivência dos linfócitos B, essas terapias conseguem controlar a doença com uma abordagem diferente da quimioterapia tradicional.
Contudo, existe uma questão cada vez mais importante: muitos desses medicamentos são utilizados por longos períodos. Por isso, a eficácia precisa caminhar junto com a tolerabilidade e o acompanhamento adequado dos efeitos adversos.
Entre os eventos que merecem atenção estão a hipertensão arterial, a fibrilação atrial e outros distúrbios do ritmo cardíaco, além do aumento do risco de sangramento. O risco não é igual para todos os pacientes e pode variar de acordo com o medicamento utilizado e com as características clínicas de cada pessoa.
A escolha do iBTK também faz diferença. Alguns são mais seletivos, como acalabrutinibe e zanubrutinibe, desenvolvidos para reduzir alguns efeitos fora do alvo observados com o ibrutinibe e, em estudos comparativos, apresentaram menor incidência de determinados eventos cardiovasculares. Isso não signif**a, porém, uma ausência de risco. Mesmo com as opções mais novas, hipertensão, fibrilação atrial e sangramento continuam exigindo acompanhamento.
Outro ponto fundamental é a interação com outras dr**as. Anticoagulantes, antiagregantes e medicamentos que interferem no metabolismo hepático podem modif**ar o risco de complicações ou alterar a exposição aos inibidores.
Por isso, acompanhar um paciente em uso prolongado dessas terapias exige mais do que avaliar se a doença está respondendo. É preciso acompanhar pressão arterial, sintomas cardiovasculares, risco hemorrágico, interações medicamentosas e outras condições que possam interferir na segurança do tratamento.
O objetivo médico é permitir que o paciente permaneça em tratamento pelo tempo necessário, com melhor controle da doença e menor toxicidade possível.
Por aí, qual desses efeitos adversos tem exigido mais atenção?
Dra. Adriana Scheliga
MÉDICA - Hematologista | Oncologista
CRM 52-49052-5 | RQE 30636 / 30637