28/06/2026
🎨Esse é meu registro visual de um processo de contato com minha vulnerabilidade e transformação, a partir do convite feito pelo professor da disciplina Gestalt Terapia. Representa experiências fenomenológicas que emergiram ao longo do meu 1° semestre - um problema na coluna, a morte da minha gata e a suspeição de câncer de mama (benigno🙏). Como meu campo de vida se reorganizou e quais novas figuras irromperam?
Primeiramente, as imagens das ressonâncias da minha coluna, do abdômen da minha gata e da minha mama representam momentos em que o corpo deixou de ser pano de fundo e passou a ocupar o centro da minha atenção. O que antes estava encoberto tornou-se figura - dor, susto, investigação, incerteza, luto. Olhei para o interior profundo do meu corpo-existência, criando uma ponte entre a materialidade dos exames e os conceitos gestálticos de awareness, contato, transformação, ajustamento criativo e self.
Compreendi as experiências dos exames como um aumento de awareness. Não apenas awareness do corpo físico, mas das emoções, medos, prioridades e limites. O próprio gesto artístico passou a representar uma transformação da experiência. Os traços acrescentados não apagaram as experiências, elas continuam aqui, visíveis, mas também não f**am congeladas no signif**ado original. Produzir uma nova figura sobre esse fundo nada mais é que um
ajustamento criativo diante de uma nova realidade, ou seja, além de produzir novas formas de estar no mundo - novos hábitos, valorização das pausas, redefinição de prioridades - a nova imagem passa a contar outra história - uma árvore representando o Self - um deslocamento para outro campo: do biológico para o existencial, do técnico para o vivido, da doença para a experiência humana.
Uma ideia muito cara à Gestalt é que não somos observadores externos de nosso corpo; somos corpo. Com essa intervenção, desejo mostrar a experiência de quem habita esse corpo. E a experiência não é algo estático: ela ganha forma, é assimilada e passa a integrar-nos de um modo novo.
Tem sido assim na minha vida e agradeço por isso: muitas vezes Deus me concede a poesia. Olho pedra, vejo arte!