03/08/2026
Quando meu paciente descreveu o ZUMBIDO, eu já sabia por onde começar.
Ele não chegou com exame nenhum na primeira consulta. Chegou com uma descrição. E a descrição já dizia muita coisa.
Em mais de 20 anos ouvindo esse relato, aprendi que o jeito como a pessoa conta o barulho vale tanto quanto qualquer imagem. A palavra que ela escolhe é informação.
🔍 Foram três detalhes na fala dele:
Primeiro, ele disse que era um apito contínuo, e não um barulho que pulsa. Som que bate no ritmo do coração segue outro caminho de investigação.
Segundo, ele disse que era do lado direito. E a dor no rosto também era do lado direito. Quando o barulho e a dor moram do mesmo lado, isso pesa muito.
Terceiro, ele disse que o som aumentava ao mastigar carne e no fim do dia. Ou seja, mudava conforme o uso da mandíbula.
Nada disso é exame. É só descrição. E já apontava para a junta que liga a mandíbula ao crânio, que f**a a poucos milímetros do ouvido e divide nervo com a região da orelha. Essa junta é a ATM, e o problema dela chama DTM, disfunção da articulação temporomandibular.
Por isso vale anotar antes de qualquer consulta:
* como é o som: apito, chiado, cachoeira, ou batendo no ritmo do coração
* qual lado, e se é o mesmo lado da dor ou do estalo
* o que muda o barulho: mastigar, bocejar, apertar os dentes, fim do dia
Essas três respostas encurtam muito o caminho de quem vai avaliar.
Importante: nem todo zumbido vem da mandíbula. Se aparecer de repente, vier com queda de audição, tontura ou pulsar junto com o coração, a avaliação médica precisa ser rápida.
Quando o zumbido vem junto com estalo, dor no rosto ou dificuldade para abrir bem a boca, vale procurar a avaliação de um cirurgião bucomaxilofacial, o profissional que cuida dessa articulação.