Pedro Maroun - Mastologista

Pedro Maroun - Mastologista Orientação e divulgação de medidas para redução do Câncer de Mama
Dicas para quem está em tratamento
Discussão de Mitos e preconceitos sobre o Câncer

Ontem tive o prazer de moderar uma das mesas da IV Jornada do PPGCan, com trabalhos desenvolvidos por egressos do Progra...
11/08/2026

Ontem tive o prazer de moderar uma das mesas da IV Jornada do PPGCan, com trabalhos desenvolvidos por egressos do Programa de Pós-Graduação em Cancerologia do INCA.

Foram três pesquisas sobre temas bastante diferentes: eventos adversos relacionados à imunoterapia, acompanhamento de mulheres com câncer de mama em uso de hormonioterapia e qualidade de vida de mulheres com nefrostomia por câncer do colo do útero.

Durante o debate, uma questão acabou aproximando os três trabalhos: como fazer o cuidado continuar quando boa parte do tratamento acontece fora do hospital?

Isso envolve orientar pacientes e familiares, organizar melhor a relação entre os diferentes serviços de saúde e compreender que conviver com um tratamento ou com um dispositivo médico também modifica a rotina, as relações e a maneira de lidar com o próprio corpo.

Foi uma boa oportunidade para discutir também algo que considero importante na pós-graduação: uma pesquisa não termina necessariamente na dissertação ou no artigo. Ela pode produzir materiais educativos, propor novas formas de organizar a assistência e ajudar a resolver problemas que encontramos todos os dias nos serviços de saúde.

Obrigado a Ruan Soares da Silva, Nathalia de Medeiros Santos Tenorio Correa e Rafaela Rosenthal Perini pelas apresentações e pela conversa.

Agradeço o carinho da organização em nome da querida Jeane Tomazelli e a linda recordação feita pela Andréa Costa

Dias na Bahia que me lembram o melhor de mim. Obrigado!
10/08/2026

Dias na Bahia que me lembram o melhor de mim. Obrigado!

10/08/2026

O câncer de mama produz alterações no corpo. Mas o significado dessas alterações não é determinado apenas pela extensão de uma cirurgia, por uma cicatriz ou por aquilo que a medicina consegue medir.

Há uma vida social acontecendo ao redor desse corpo.

Heleieth Saffioti foi fundamental para compreender o patriarcado não como uma opinião sobre as relações entre homens e mulheres, mas como uma estrutura histórica que organiza desigualdades de gênero e se articula às relações de classe e raça. Rita Segato, por outro caminho, mostrou como essa ordem também se expressa sobre os corpos das mulheres.

Isso importa para a mastologia.

As mulheres que tratamos não deixam as relações de gênero na porta do consultório. O adoecimento, as alterações corporais, a sexualidade, o trabalho, a maternidade, as relações afetivas e a experiência do cuidado acontecem na sociedade em que vivemos — e ela não é neutra.

Há também uma razão para eu falar sobre isso publicamente.

Sou um homem cis discutindo uma estrutura social que historicamente beneficia homens. Isso exige cuidado para não falar pelas mulheres, mas não pode significar silêncio.

O enfrentamento das desigualdades de gênero não pode ser uma tarefa atribuída exclusivamente às mulheres. Homens também precisam estudar, reconhecer as estruturas das quais participam e colocá-las em discussão, inclusive nos espaços profissionais que ocupam.

Falar de patriarcado não é substituir ciência por opinião. É recorrer a uma tradição intelectual consolidada para compreender relações sociais que têm consequências concretas sobre a vida, a saúde e a morte de mulheres.

Na mastologia, ignorar essa discussão não torna o cuidado neutro. Apenas deixa parte da realidade fora daquilo que escolhemos enxergar.

Para aprofundar:

SAFFIOTI, Heleieth I. B. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.

SEGATO, Rita Laura. Las estructuras elementales de la violencia: ensayos sobre género entre la antropología, el psicoanálisis y los derechos humanos. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2003.

06/08/2026

Quando falamos em câncer de mama, costumamos pensar em exames, cirurgias e medicamentos. Tudo isso é indispensável. Mas existe uma pergunta anterior: quem consegue chegar a esse cuidado?

Neste vídeo, proponho uma reflexão sobre o câncer de mama a partir de duas obras fundamentais da teoria social contemporânea.

Judith Butler nos convida a pensar como determinadas vidas são socialmente reconhecidas como dignas de proteção e de luto. Achille Mbembe mostra que as desigualdades não produzem apenas diferenças de renda ou de acesso, mas também diferentes exposições ao sofrimento e à morte evitável.

Nesse contexto, fortalecer o Sistema Único de Saúde significa mais do que investir em hospitais ou tecnologias. Significa ampliar as possibilidades concretas de diagnóstico precoce, tratamento oportuno e reconstrução mamária para milhões de brasileiras.

Defender o SUS é defender uma sociedade em que o acesso ao cuidado não dependa da capacidade de pagamento, mas do reconhecimento da saúde como um direito.

Se esse tema despertou seu interesse, vale a leitura das obras que inspiraram esta reflexão:

Referências

BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? 8. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. 1. ed. São Paulo: n-1 edições, 2018.

Toda pesquisa começa com uma pergunta.A deste pós-doutorado nasceu da inquietação de perceber que as alterações corporai...
04/08/2026

Toda pesquisa começa com uma pergunta.

A deste pós-doutorado nasceu da inquietação de perceber que as alterações corporais provocadas pelo câncer de mama costumam ser descritas pela medicina em termos anatômicos ou funcionais, mas raramente são discutidas como experiências atravessadas por relações de gênero, reconhecimento e poder.

Hoje, esse projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do INCA.

A pesquisa, intitulada “Gramáticas das perdas corporais no câncer de mama: estigma, poder e violência de gênero”, investigará como mulheres atribuem significado às transformações corporais decorrentes do tratamento e como essas experiências são produzidas nas relações entre cuidado, cultura e normas sociais.

Meu objetivo é aproximar a mastologia das ciências sociais, produzindo conhecimento que ajude a compreender dimensões da experiência do adoecimento que não aparecem nos exames, nas imagens ou nas estatísticas, mas que influenciam profundamente a vida das pacientes.

Agradeço ao Comitê de Ética do INCA pela aprovação do projeto e à Prof.ª Dra. Martha C. Nunes Moreira, supervisora deste pós-doutorado, pelo rigor intelectual, pela generosidade e pelo diálogo que têm orientado essa trajetória.

Agora começa a etapa mais importante: ouvir, pesquisar e aprender com as mulheres que aceitarão compartilhar suas histórias.

Durante muitos anos, era natural imaginar que o tamanho do tumor fosse a principal informação para definir o tratamento ...
04/08/2026

Durante muitos anos, era natural imaginar que o tamanho do tumor fosse a principal informação para definir o tratamento do câncer de mama.

Essa lógica continua tendo importância. O estadiamento anatômico (TNM) permanece uma das bases da oncologia moderna.

Mas a medicina evoluiu.

Hoje sabemos que dois tumores com o mesmo tamanho podem apresentar comportamentos completamente diferentes. A biologia tumoral passou a ocupar um papel central na estimativa do prognóstico e na escolha do tratamento. Receptores hormonais, HER2, grau histológico, índice de proliferação e, em situações selecionadas, assinaturas genômicas ajudam a compreender o comportamento daquele câncer específico.

É por isso que duas pacientes podem receber propostas terapêuticas distintas e ambas estarem sendo tratadas de acordo com as melhores evidências científicas.

Individualizar o tratamento não significa tratar mais. Também não significa tratar menos.

Significa oferecer a estratégia mais adequada para cada mulher, considerando a anatomia do tumor, sua biologia e as evidências disponíveis.

Essa é uma das maiores transformações da mastologia nas últimas décadas.

Você já imaginava que dois tumores do mesmo tamanho poderiam receber tratamentos completamente diferentes?

03/08/2026

A cirurgia do câncer de mama é, antes de tudo, um tratamento oncológico. Mas as alterações corporais que ela produz não se encerram na anatomia.

Grande parte da literatura biomédica dedica-se, legitimamente, a compreender complicações, resultados estéticos, reconstrução, funcionalidade e sobrevida. Essas são perguntas essenciais para a prática clínica.

As ciências sociais em saúde dirigem o olhar para outro problema: como uma alteração corporal passa a adquirir significado na vida de quem a experimenta.

Em Estigma, Erving Goffman demonstra que determinadas marcas corporais podem reorganizar as relações sociais, influenciando a forma como uma pessoa é vista e como passa a se perceber. O estigma não é uma propriedade da cicatriz; ele emerge na interação entre o corpo e os significados produzidos pela sociedade.

Emily Martin, por sua vez, amplia essa discussão ao mostrar que a própria medicina também produz interpretações do corpo por meio de categorias, metáforas e linguagens historicamente situadas. O conhecimento biomédico descreve a realidade com rigor, mas também é construído dentro de uma cultura.

Essas leituras não reduzem a importância da cirurgia nem relativizam a medicina baseada em evidências. Ao contrário, ampliam nossa compreensão sobre o cuidado.

Se as alterações corporais também possuem uma dimensão social, faz sentido que as melhores práticas em mastologia procurem reduzir seu impacto sempre que isso for oncologicamente seguro.

Menos cicatrizes.

Maior simetria.

Reconstrução quando indicada e desejada.

E, sobretudo, decisões pactuadas entre médica e paciente.

A técnica trata a doença. O cuidado também precisa considerar o significado que esse novo corpo passará a ter na vida daquela mulher.

Referências

GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1988.

MARTIN, E. The Woman in the Body: A Cultural Analysis of Reproduction. Boston: Beacon Press, 1987.

01/08/2026

Hoje fiz minha primeira aula de samba no pé.

No fim da aula, gravei esse vídeo sem nenhuma pretensão. Apenas para registrar uma primeira vez.

Tenho pensado que fazer coisas pela primeira vez é uma das formas mais concretas de manter a vida em movimento.

Nem sempre precisa ser algo extraordinário. Pode ser dançar um ritmo que, durante anos, conhecemos apenas da plateia. Pode ser aprender um instrumento, iniciar um esporte, estudar um assunto novo ou visitar um lugar que sempre adiamos.

Essas experiências têm algo em comum: elas nos retiram da posição confortável de quem apenas observa e nos colocam na condição de aprendizes.

Existe uma humildade importante nisso.

Com o tempo, é fácil acreditar que a maturidade consiste em dominar cada vez mais coisas. Hoje me parece que ela também depende da disposição para continuar começando.

Hoje foi o samba.

Muito obrigado 𝙈𝙖𝙧𝙡𝙤𝙣 𝘾𝙧𝙪𝙯 pela gentileza e paciência nessa manhã incrível!

Vamos em frente!

30/07/2026

Quando pensamos em uma mastectomia, é comum imaginar apenas uma cirurgia destinada a retirar um tumor. Mas a experiência de adoecer nunca se limita ao que acontece no centro cirúrgico.

O corpo também é um lugar de memória, de identidade, de relações e de reconhecimento. Por isso, uma mesma operação pode adquirir sentidos completamente diferentes para mulheres diferentes.

Neste vídeo, proponho olhar para essa questão a partir de três autores fundamentais das ciências sociais: Clifford Geertz, David Le Breton e Michel Foucault. Eles nos ajudam a compreender que a doença acontece em um corpo biológico, mas esse corpo também existe dentro de uma cultura.

Essa perspectiva não substitui a medicina baseada em evidências. Ela a amplia. Porque tratar um câncer exige domínio técnico. Compreender o que permanece depois do tratamento exige também escutar os significados que cada mulher atribui ao próprio corpo.

Essa é uma das contribuições que as ciências sociais podem oferecer à mastologia contemporânea.

Leituras para quem deseja aprofundar:

• Geertz C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

• Le Breton D. A sociologia do corpo. Petrópolis: Vozes, 2016.

• Foucault M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

Gostaria de saber como essa reflexão ressoa em você.

— Pedro Maroun MD PhD
Mastologista | Doutor em Saúde Coletiva | INCA HC3

A cirurgia reparadora nunca atua apenas sobre um corpo biológico.Ela também se inscreve na forma como cada mulher habita...
30/07/2026

A cirurgia reparadora nunca atua apenas sobre um corpo biológico.

Ela também se inscreve na forma como cada mulher habita o próprio corpo depois do câncer.

Reparação e corporeidade caminham juntas porque a experiência da doença ultrapassa os limites da anatomia. Ela alcança a identidade, as relações e as maneiras pelas quais nos tornamos reconhecíveis no mundo.

O cuidado, entretanto, nunca é isento. Toda prática clínica acontece em uma cultura que atribui significados aos corpos, às mamas e à feminilidade. Ignorar esse contexto empobrece a compreensão daquilo que fazemos todos os dias.

Ainda assim, é nessa mesma cultura que muitas mulheres encontram nas técnicas de reconstrução uma possibilidade concreta de restabelecer uma relação mais confortável com o próprio corpo. Não porque exista um modelo correto de corpo feminino, mas porque o reconhecimento também é vivido de forma singular.

Por isso, oferecer a reconstrução mamária quando ela é oncologicamente segura, tecnicamente viável e desejada pela paciente não representa a imposição de um ideal. Representa o compromisso de ampliar possibilidades para que cada mulher possa decidir sobre o próprio corpo de forma livre, informada e respeitada.

A boa cirurgia não produz apenas um resultado estético. Ela participa de um cuidado que reconhece que tratar o câncer de mama é também cuidar da forma como cada mulher poderá continuar vivendo em seu próprio corpo.

Pedro Maroun
Mastologista
WhatsApp 21982164567
Coordenador da residência médica do Inca
Pós doutorando do IFF/ Fiocruz

Endereço

Rua Dona Mariana, Nº 143, Sala D33, Botafogo
Rio De Janeiro, RJ
22280020

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