19/05/2026
O que mais me chamou atenção nesse estudo foi a forma como os pesquisadores representaram a perimenopausa. Não como uma simples fase de “deficiência de estrogênio” ou apenas de queda hormonal. Mas exatamente como ela costuma acontecer na prática…uma fase de intensa oscilação hormonal, em que o estrogênio pode apresentar grandes flutuações, inclusive níveis elevados em alguns momentos, enquanto a progesterona, de fato, tende a estar reduzida.
E é exatamente esse desequilíbrio entre estradiol e progesterona, ou seja, muito estrogênio para pouca progesterona, que os autores associam a alterações metabólicas cerebrais, alterações cognitivas e até maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de Alzheimer no futuro.
Achei essa visão extremamente interessante porque ela olha para a perimenopausa de forma muito mais abrangente e fisiológica, entendendo-a como uma transição hormonal complexa, e não apenas como uma “falta de estrogênio”.
A queda hormonal pode ser apenas uma ponta do iceberg.
Outro ponto que achei fascinante foi o olhar para o papel da progesterona no cérebro, e não apenas do estrogênio.
No experimento, o uso de progesterona durante essa fase mostrou efeitos neuroprotetores no modelo experimental, estando associada à melhora de diversos aspectos relacionados ao metabolismo cerebral, função mitocondrial, memória e integridade neuronal.
Claro que: estamos falando principalmente de um estudo em modelos animais, então não podemos extrapolar diretamente para humanos. Mas ainda assim, é um trabalho extremamente interessante por trazer a discussão sobre saúde cerebral feminina e o equilíbrio hormonal completo, não apenas olhando para um hormônio isoladamente.
A progesterona sempre ficou muito fora do “hype” quando comparada ao estrogênio ( já expliquei o motivo aqui p vcs), e, muitas vezes, acaba sendo pouco lembrada nas discussões sobre cérebro, cognição e envelhecimento feminino.
Espero que estudos como esse comecem a mudar isso. O que você achou?