27/06/2026
“Dr., tomar remédio para dor vicia?”
Essa pergunta não nasceu por acaso.
Ela nasceu do medo.
Do preconceito.
E, muitas vezes, da culpa que o próprio paciente sente por precisar de tratamento.
Ao longo da minha prática, já ouvi frases como:
“Tenho vergonha de dizer que tomo esse remédio.”
“Minha família acha que estou f**ando viciado.”
“Preferi sentir dor a ser julgado.”
E isso me faz refletir.
Ninguém olha para um paciente diabético e pergunta se ele é “viciado” em insulina.
Ninguém questiona quem precisa de um anti-hipertensivo ou de um anticonvulsivante para controlar uma doença crônica.
Mas quando falamos de dor crônica, o julgamento aparece antes mesmo da informação.
É claro que alguns medicamentos, especialmente os opioides, podem causar dependência e tolerância. Por isso, eles exigem indicação criteriosa, acompanhamento médico e reavaliações periódicas.
Reconhecer esses riscos é parte da boa prática médica.
Mas também precisamos reconhecer outro problema: o estigma.
Porque depender de um tratamento para controlar uma doença não é a mesma coisa que perder o controle sobre uma substância.
São conceitos diferentes.
O paciente com dor crônica não procura um medicamento para fugir da vida.
Na maioria das vezes, ele procura justamente o contrário.
Quer voltar a dormir.
Quer conseguir trabalhar.
Quer brincar com os filhos.
Quer caminhar.
Quer recuperar a autonomia que a dor lhe tirou.
O verdadeiro objetivo do tratamento da dor nunca foi “dar um remédio”.
Sempre foi devolver qualidade de vida.
E talvez essa seja a mensagem mais importante deste vídeo:
Precisar de um medicamento para tratar uma doença não faz de ninguém um viciado.
Faz dessa pessoa alguém que merece ser tratado com ciência, responsabilidade e, acima de tudo, respeito.
Agora eu gostaria de ouvir você.
Você já presenciou algum paciente sendo julgado por usar medicamentos para controlar a dor crônica?
Vamos conversar sobre isso.