09/12/2019
Compartilho com vocês um texto da Renata Miguel Vaz, amiga e colega psicanalista, que divide com a gente essas belas e boas palavras.. Aproveitem, boa leitura!
“O que uma análise pode fazer por você?”
“Sofremos, é fato. Faz parte de estar vivo, não é negociável. Não existe vida sem sofrimento. Entretanto, quando o sofrimento pesa, paralisando o sujeito de modo a impedi-lo de se expandir, de se movimentar, de interagir, de produzir modos de satisfação que possibilitem uma vida potente e de qualidade, é importante saber que há escolha. Sempre há escolha. Porém, essa condição ética, exclusiva do humano, do falante, não necessariamente facilita as coisas. Na maioria das vezes, implica mal estar, quando não o causa.
Escolher é difícil porque obriga a abrir mão. Como é difícil abrir mão! E não somente de coisas consideradas boas. Ocorre que, na grande maioria das vezes, inadvertidamente, nos agarramos também ao sofrimento, ao que nos faz mal, aos medos, às convicções adquiridas ao longo de nossa história de vida (o que nem sempre é consciente). Nos agarramos às certezas! Como elas nos aprisionam! Nos dão a ilusão de que a vida se baseia em consistências e nos impedem de ver que, quase tudo que nos define, para o bem e para o mal, é derivado apenas de contingências.
Angustiante pensar nisso, não é? Sim, pensar é angustiante. E angústia da medo, tentamos a todo o custo nos distrair dela. Nos distrair de pensar que somos seres frágeis e finitos, mas também potentes. Em vez disso, insistimos na ilusão da completude, da perfeição, resistimos a abrir mão. Como crianças mimadas, queremos tudo. E, por isso, muitas vezes, acabamos ficando com quase nada. Isto é, com muito menos do que poderíamos, caso nos entendêssemos com o que é possível: satisfações parciais.
Paradoxalmente, quando nos paralisamos frente às escolhas possíveis e suas consequências, quando nos recusamos a escolher, também estamos escolhendo. Às vezes, o pior…
Importante esclarecer, que não se trata de escolher entre o certo e o errado, mas sim do que nos move quando escolhemos! O que queremos quando escolhemos? O que se satisfaz aí, que não necessariamente tem a ver com prazer? Por que as vezes escolhemos sofrer? O que fazer com o sofrimento que é inerente à condição humana? Mais uma vez: o que nos move quando escolhemos?
As perguntas são muitas e todas elas têm respostas singulares que só uma análise poderá fazer emergir. Respostas que permitem uma apropriação do sofrimento e a construção de um saber fazer melhor com a dor de existir.
E aí? O que será que uma análise pode fazer por você?”
Renata Miguel Vaz
Psicanalista
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