03/08/2026
A presença de tiques costuma gerar grande preocupação em pais, familiares e professores. Não raramente, qualquer movimento repetitivo ou som involuntário é imediatamente associado à Síndrome de Tourette. No entanto, essa associação é incorreta e pode levar tanto a diagnósticos precipitados quanto a sofrimento desnecessário.
Os tiques são movimentos ou vocalizações involuntários, rápidos e recorrentes. São relativamente frequentes na infância e, muitas vezes, transitórios, desaparecendo espontaneamente ao longo do desenvolvimento.
A Síndrome de Tourette é um transtorno do neurodesenvolvimento com critérios diagnósticos específicos. Além disso, um dos maiores mitos é acreditar que todos os pacientes falam palavrões. A coprolalia ocorre apenas em uma pequena parcela dos casos.
Outro ponto importante é que ansiedade, estresse, fadiga e privação de sono podem aumentar a frequência dos tiques. Isso não significa que sua origem seja psicológica, mas que esses fatores intensificam um transtorno de base neurobiológica.
Também é comum que algumas crianças consigam suprimir os tiques durante a escola e os apresentem com mais intensidade ao chegar em casa. Esse comportamento não é proposital, mas consequência do esforço para contê-los por longos períodos.
Mais do que identificar um sintoma, o papel do psiquiatra é compreender seu contexto, sua evolução e seu impacto na vida da criança. Diagnosticar corretamente evita estigmas, tranquiliza famílias quando necessário e permite indicar tratamento apenas para quem realmente precisa.