26/06/2024
A falta de passagem é uma justificativa mais comuns alegadas para indicação de cesarianas durante o trabalho de parto ou ainda pior, antes.
A desproporção cefalopélvica (DCP) - nome técnico para a "falta de passagem" - acontece quando a cabeça do bebê não encontra espaço para transpor a pelve materna, seja por ser efetivamente maior do que ela ou apenas por alguma dificuldade de rotação ou mau posicionamento na descida rumo ao canal de parto. O diagnóstico correto só pode ser dado após prova de trabalho de parto, ou seja, apenas durante o mesmo, com contrações efetivas, dilatação avançada e horas e horas de espera sem evolução. Não existem exames confiáveis prévios ao TP que atestem esse achado. Só se confirma a DCP após parada de progessão e descida do bebê, ainda que a mulher tenha contrações e/ou puxos.
A questão principal é que a DCP absoluta - que é a causada por uma disparidade real entre o tamanho fetal e a bacia materna - é rara e normalmente patológica. Já a "falta de passagem" mais comum é a DCP relativa, consequência de posicionamento anômalos do feto, que podem e devem ser corrigidos durante o trabalho de parto, sugerindo-se posições e posturas adotadas pela mãe.
IMPORTANTE: A analgesia NÃO RESOLVE problemas de mau posicionamento e só faz atrasar o processo, além de agregar riscos materno-fetais. O que vai resolver mesmo são profissionais capacitados a corrigir a posição do bebê para seguir com o parto. Ou seja, muito estudo sobre anatomia e fisiologia e atualização. 😉
Portanto, em vez de indicações de cesariana apenas quando há a desproporção real (mais uma vez, RARO), o que se vêem são indicações frequentes e irresponsáveis que poderiam ser resolvidas com extenso conhecimento sobre anatomia e fisiologia do parto.
O mais apropriado é intervir e ajudar o bebê a rodar, posicionar-se e descer.
A maioria não sabe conduzir, não consegue resolver e acaba operando.
É preciso evoluir muito nesse sentido…
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Com carinho,
Dra. Ana Paula de Amorim
Ginecologia & Obstetrícia
CRM/SC 14292