31/07/2026
Com a colonização, aprendemos a enxergar a natureza como um conjunto de recursos disponíveis para exploração. A terra passou a ser propriedade. As florestas, matéria-prima. Os rios, canais de abastecimento.
Mas essa nunca foi a única maneira de compreender o mundo.
Em Ideias para adiar o fim do mundo, Ailton Krenak nos lembra que, para o povo Krenak, o rio é um avô, um ancestral. Não porque seja uma metáfora bonita, mas porque a vida de uma comunidade depende da relação de cuidado construída com ele. Quando um rio morre, uma parte da memória, da cultura e da própria possibilidade de existir também morre.
Em São Gonçalo, o Rio Imboaçu carrega essa história. Antes caudaloso e navegável, hoje traz as marcas da poluição e da urbanização sem planejamento. Ainda assim, sua nascente permanece viva, na APA do Engenho Pequeno, lembrando que todo curso começa em algum lugar.
Talvez esse provérbio africano também fale sobre nós.
Voltar à nascente não significa viver no passado. Significa reconhecer os territórios, as pessoas, os saberes e as ancestralidades que continuam alimentando quem somos.
🧡 E você? Quando pensa na sua própria nascente, o que ainda segue correndo dentro de você?
Referências:
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo; A vida não é útil.
Comitê da Baía de Guanabara – Rio Imboaçu.
Projeto de Restauração Florestal da APA do Engenho Pequeno.