05/06/2026
No contexto do Dia Mundial do Meio Ambiente, o “sentimento oceânico”, descrito por Romain Rolland e retomado por Freud em O Mal-Estar na Civilização, pode inspirar uma reflexão sobre a necessidade contemporânea de recuperarmos uma experiência menos utilitária e mais integrada com a natureza — não como objeto de domínio e exploração, mas como parte constitutiva da própria existência humana.
A psicanálise nos lembra que a ilusão de controle absoluto frequentemente encobre a dificuldade humana em lidar com a dependência, a fragilidade e a incompletude. Nesse sentido, a devastação do ambiente externo pode também expressar uma tentativa de negar o desamparo e a vulnerabilidade constitutivos da condição humana.
Cuidar do meio ambiente, portanto, não diz respeito apenas à preservação da natureza, mas também à preservação da nossa própria capacidade de sentir, simbolizar e habitar o mundo de maneira mais humana.
Adriana C. Uchôa