15/08/2026
Quando um bebê chega à clínica, muitas vezes é ele quem aparece como “a questão”.
“Ele não dorme.”
“Ele não olha.”
“Ele não fala.”
“Ele não se desenvolve como deveria.”
Mas o bebê não existe sozinho.
Existe uma família, uma história, expectativas, medos, desejos e também um modo particular de cada um se encontrar com a chegada daquela criança.
Escutar os pais não significa deixar de olhar para o bebê.
Significa ampliar o olhar.
Talvez, antes de perguntar apenas “o que esse bebê tem?”, possamos também nos perguntar:
O que está acontecendo nessa relação?
Como esses pais estão vivendo a chegada desse bebê?
Que lugar essa criança ocupa nessa história familiar?
Na clínica dos primeiros anos, muitas vezes, é preciso sustentar um espaço onde aquilo que ainda não pôde ser dito possa começar a ganhar palavras.
Porque cuidar do bebê também pode significar cuidar do lugar daqueles que cuidam.
E você, já tinha pensado sobre a importância de escutar os pais para além da queixa sobre o bebê?