09/07/2026
A experiência materna, muitas vezes, é carregada de idealizações irreais. Como a ideia de que todos os momentos entre mãe e filho deveriam ser naturalmente bonitos, intuitivos e cheios de conexões espontâneas.
A amamentação costuma ocupar um dos lugares no topo dessa construção. Mas a realidade do corpo nem sempre segue o roteiro que nos ensinaram a esperar.
Algumas mulheres vivenciam uma onda repentina e extremamente desconfortável exatamente no instante em que o bebê começa a sugar e o leite se prepara para descer.
Uma tristeza que brota do nada. Um vazio no estômago. Uma angústia difícil de explicar em palavras, que dura poucos segundos, mas que se repete a cada ma**da.
Quando não entendemos a linguagem do corpo, o nosso psiquismo busca a explicação na tentativa de dar sentido àquilo: "Talvez eu não tenha nascido para ser mãe. Talvez eu não ame o meu filho o suficiente."
No entanto, existe um fenômeno fisiológico chamado D-MER (Reflexo de Ejeção de Leite Disfórico). É uma resposta do organismo, ligada a uma queda abrupta de dopamina segundos antes do leite descer. É química. É corpo. Não é falta de amor.
O seu corpo não está te dizendo que existe algo errado com o vínculo que você construiu com seu bebê.
Entender isso não cura o reflexo físico imediatamente, mas alivia uma culpa que nenhuma mulher deveria carregar sozinha. Nem sempre nomeamos o que sentimos para encontrar cura automática; às vezes, fazemos isso apenas para finalmente perceber que não estamos sozinhas e desamparadas na nossa dor.
Se essa experiência conversa com a sua história atual, ou com o seu passado na amamentação, me escreva aqui nos comentários ou por mensagem direta. Pode ser o momento de olharmos juntas para esse contorno. 🤍