30/08/2026
Embora meu trabalho seja fortemente direcionado à prevenção, à promoção da saúde e à redução dos fatores de risco associados ao declínio cognitivo, não podemos ignorar pesquisas que apontem novas possibilidades de tratamento para quem já convive com a doença de Alzheimer.
Uma dessas linhas de investigação envolve o tazbentetol (SPG302), medicamento experimental de uso diário desenvolvido pela Spinogenix. Diferentemente das terapias voltadas principalmente para a remoção de proteínas acumuladas no cérebro, essa molécula busca estimular a formação de novas sinapses (conexões entre os neurônios fundamentais para a memória e o aprendizado).
Em um estudo clínico de fase 2a, com apenas 24 participantes com Alzheimer leve a moderado, o grupo que recebeu 300 mg apresentou, após quatro semanas, uma melhora média superior a 2,5 pontos na escala cognitiva SMMSE em comparação ao placebo. Trata-se de um sinal inicial relevante, especialmente porque o objetivo não seria apenas desacelerar a progressão da doença, mas potencialmente recuperar parte da função cerebral comprometida.
Dados de acompanhamento divulgados em julho de 2026 também chamaram atenção. Alguns pacientes que permaneceram em tratamento mantiveram resultados cognitivos acima dos valores iniciais por até 84 semanas. Entre os relatos apresentados, o cuidador de uma mulher de 72 anos observou que, após aproximadamente três meses, ela voltou a ler livros, acompanhar filmes e recordar seus enredos.
É fundamental interpretar essas informações com prudência. Os resultados foram divulgados pela própria empresa, o estudo inicial envolveu poucas pessoas e o acompanhamento prolongado não teve grupo placebo.
Mesmo assim, uma pesquisa com essa proposta não deve ser ignorada. Prevenir continua sendo essencial, mas precisamos acompanhar com atenção toda estratégia cientificamente plausível que possa oferecer esperança e melhorar a autonomia e a qualidade de vida de pessoas que já desenvolveram Alzheimer.
Fonte: https://spinogenix.com/press-release/spinogenix-reports-positive-data-on-alzheimers-patients-who-continued-treatment-with-tazbentetol-for-up-to-84-weeks/