08/04/2026
Trauma não é apenas o que aconteceu. Em termos clínicos, trauma é também o que permaneceu no sistema nervoso quando não houve recursos suficientes (internos ou externos) para processar e integrar a experiência.
Por isso, muitas pessoas descrevem algo como:
- hipersensibilidade a críticas, tom de voz, abandono ou rejeição
- sobressaltos, tensão corporal, respiração curta
- necessidade de controlar tudo ou evitar conversas/situações
- sensação de “desligamento” (entorpecimento emocional)
- padrões repetitivos de relacionamento (mesma dor, com pessoas diferentes)
Do ponto de vista neuropsicológico, o gatilho costuma acionar circuitos associados à ameaça, com participação de estruturas como a amígdala, e o corpo entra em defesa (luta/fuga/congelamento). Nem sempre isso passa pelo “racional”: a resposta pode ser rápida, automática e corporal.
Uma via terapêutica importante é trabalhar a integração entre narrativa (o que eu conto) e experiência emocional/corporal (o que meu corpo sente). Intervenções baseadas em estados ampliados de atenção (como a hipnose ericksoniana) podem favorecer:
- acesso mais seguro a memórias emocionalmente carregadas
- redução de reatividade fisiológica diante de lembranças
- atualização de crenças centrais (“eu não tenho saída”, “eu não sou suficiente”)
- construção de recursos internos (segurança, limites, autonomia)
No Protocolo SIS, também olhamos para o contexto e para padrões sistêmicos que podem manter a dor (ex.: lealdades invisíveis, repetições familiares, lugares assumidos por sobrevivência emocional). O objetivo não é “apagar” o passado — é ressignificar e reorganizar respostas para que o presente não seja comandado por memórias antigas.
Se você sente que seu corpo vive em alerta, a terapia pode ser o lugar onde a história finalmente encontra integração.
Heloísa Yamash*ta
Hipnoterapeuta e Terapeuta Integrativa Sistêmica
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