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Quanto tempo leva um parto?Curioso como ninguém pergunta isso sobre as coisas mais importantes da vida.Quanto tempo leva...
28/05/2026

Quanto tempo leva um parto?

Curioso como ninguém pergunta isso sobre as coisas mais importantes da vida.

Quanto tempo leva para você se tornar um grande profissional?
Quanto tempo levou a primeira vez que você fez algo sem saber exatamente como faria?
E quanto esse tempo mudou depois, quando você já conhecia o caminho — ou pelo menos achava que conhecia?

Agora pensa:
quantas vezes aquilo que depende só de você já saiu diferente do esperado?
Então por que esperamos que um parto siga um cronograma perfeito… se ele depende de dois?

Porque parto não é uma prova individual.
É um encontro.
Um binômio.
Uma mãe e um bebê.

E talvez uma das partes mais difíceis de aceitar seja justamente essa:
não existe apenas o seu tempo.
Existe o tempo do bebê também.

Mesmo em um segundo, terceiro ou quarto parto.
Mesmo com um corpo que já tem memória.
Porque o bebê é outro.
Porque você é outra.
Porque a vida entre um nascimento e outro também mudou você.

O corpo lembra.
Mas ele também carrega novas histórias, novos medos, novas experiências, novas cicatrizes e novas versões de quem você é.

E talvez esteja aí uma reflexão importante:

O que nós queremos quando dizemos que queremos um parto normal?
Um parto natural?
Um parto humanizado?

Nós queremos viver a experiência do nascimento…
ou queremos apenas um parto que caiba nas expectativas que criamos sobre ele?

Porque quando a única ideia aceitável é:
“quero que seja rápido”,
“quero que seja de tal jeito”,
“quero que aconteça assim”…

talvez sem perceber a gente comece a negociar justamente a experiência que diz querer viver.

Parto não é linha de produção.
Não é competição.
Não é sobre quem dilata mais rápido.
Nem sobre quantas horas “deveria” durar.

É sobre atravessar um processo que não se constrói só com relógio.
Mas com hormônios, segurança, entrega, relação, ambiente, memória corporal, emoções… e um bebê que também participa ativamente desse nascimento.

Talvez a pergunta não seja:
“quanto tempo leva um parto?”

Talvez a pergunta seja:
quanto tempo nós permitimos que um nascimento tenha?

Tem positivos que chegam acompanhados de grito. Outros chegam acompanhados de silêncio.Tem mulher que olha para o teste ...
25/05/2026

Tem positivos que chegam acompanhados de grito. Outros chegam acompanhados de silêncio.

Tem mulher que olha para o teste e chora de felicidade. Tem mulher que olha para o teste e a primeira coisa que sente é medo.

E isso não signif**a ausência de amor. Signif**a memória.

Memória do ultrassom que mudou tudo. Do quarto que já tinha nome. Da tentativa que não vingou. Dos exames, hormônios, coletas, esperas. Do luto que ninguém viu inteiro. Da sensação de ter aprendido, cedo demais, que nem todo positivo termina com um bebê nos braços.

Quando uma gestação chega depois de uma perda, de um óbito, de uma longa jornada de fertilização ou de tentativas frustradas, ela não chega em um corpo vazio. Ela chega em alguém que já foi atravessada pela possibilidade da dor.

E é por isso que, às vezes, o medo ocupa espaços que a sociedade acha que deveriam pertencer somente à felicidade.

Existe culpa por não conseguir “curtir”. Existe medo de se apegar. Existe ansiedade antes de cada ultrassom. Existe quem evite comprar roupas. Existe quem só consiga respirar depois de ouvir o coração. E, às vezes, nem depois disso.

Porque o trauma também gesta.

Nosso cérebro aprende através das experiências vividas. Quando houve perda, ele deixa de entender a gestação apenas como esperança e passa a entendê-la também como possibilidade de perigo. Isso pode fazer com que essa mulher viva em estado de alerta constante, mesmo desejando profundamente aquele bebê.

Por isso, acolhimento importa tanto.

Uma boa rede de apoio. Uma psicóloga que compreenda saúde mental perinatal. Uma obstetra que não minimize medos. Uma doula que saiba acolher silêncios, e não apenas planos de parto. Uma equipe que entenda que existe muito mais acontecendo naquela gestação além dos exames normais.

Nem toda mulher que engravida depois de uma perda consegue viver uma gestação leve. E tudo bem.

Às vezes, amar também é tremer. Às vezes, amar é contar os dias com medo. Às vezes, amar é sobreviver emocionalmente a cada semana da gestação.

E ainda assim… isso continua sendo amor.

Pensaram que eu ia falar sobre os tipos de indução? Agora o assunto é mais complexo. Bora lá? 👀Primeiro ponto importante...
22/05/2026

Pensaram que eu ia falar sobre os tipos de indução? Agora o assunto é mais complexo. Bora lá? 👀

Primeiro ponto importante para entendermos sobre indução de parto:
precisa existir real indicação.

E quem define essa indicação? Equipe técnica. Ponto final.

“Ahhh, mas eu tô cansada.”
E nós sabemos de verdade que gestar cansa. Principalmente no final, quando a ansiedade entra no jogo e parece que o tempo desacelera.

“Ahhh, mas minha amiga tomou um shake e horas depois o bebê nasceu.”
Mas quem indicou? Qual era o contexto? Qual o motivo daquela indução?

“Ahhh, mas eu tenho uma data preferida.”
E mesmo uma indução não funciona como botão de agendamento. A sua data preferida pode não ser a do seu bebê — e tudo bem.

Mas hoje eu nem quero focar nos métodos.
Quero falar sobre algo tão importante quanto:

Qual é o papel da doula em uma indução?

Seguimos exatamente no nosso papel: educação perinatal, acolhimento e suporte.

Ajudamos a família a entender o processo com mais tranquilidade, desmistif**ando tudo aquilo que sempre foi ouvido sobre indução de parto. Acolhemos os medos, as ansiedades e organizamos junto com vocês os próximos passos.

Porque quando vocês chegam sabendo que uma indução acontece de maneira gradual, deixam de se assustar com relatos de “40 horas de trabalho de parto”, como se isso signif**asse que algo está errado.

Indução não é sobre acelerar um corpo.
É sobre acompanhar um processo.

Cada doula tem seu jeito de cuidar.
Nós (eu e a maravilhosa da Lu ❤️) gostamos de acompanhar o começo de tudo. Segurar a mão, sustentar o olhar, ajudar vocês a atravessarem o início com segurança emocional e informação.

E depois… dar espaço para a fisiologia agir.
Dar espaço para o corpo trabalhar.
Dar espaço para vocês descansarem.

Isso tudo é sobre confiança.
Confiar no processo.
Confiar nas equipes com quem trabalhamos.
Confiar na segurança que a ciência nos traz sobre o nascimento.

Isso é doulagem ❤️

Foto: .estudio
Parto da maravilhosa

Saiu a convocação da Seleção Brasileira… e eu fiquei pensando:se existisse uma Seleção do Nascimento, quem seriam os tit...
21/05/2026

Saiu a convocação da Seleção Brasileira… e eu fiquei pensando:

se existisse uma Seleção do Nascimento, quem seriam os titulares? 👀⚽🤰

GOLEIRO: Plano de parto. Porque é ele que segura muita bola que vem sem necessidade.

ZAGUEIRA: Informação baseada em evidência. Defende a gestante de terrorismo e condutas sem explicação.

LATERAL: Fisiopélvica. Ajuda o corpo a encontrar espaço, mobilidade e equilíbrio no jogo.

VOLANTE: Rede de apoio. Faz o trabalho pesado que quase ninguém vê, mas muda completamente a partida.

MEIA ARMADORA: Doula. Lê o jogo, organiza o caos, conecta estratégia, emoção e fisiologia.

ATACANTE: Equipe alinhada. Porque quando todo mundo joga junto, o nascimento flui muito melhor.

TÉCNICO: A própria mulher. Porque ninguém deveria entrar em campo tirando dela o direito de decidir sobre o próprio corpo.

E o banco? Respiração. Movimento. Acolhimento. Comida boa. Sono. Escuta. Afeto.

Porque parto nunca foi jogo individual. Sempre foi coletivo. 🤍

Boa parte do “sucesso” de um nascimento começa muito antes do trabalho de parto.E não, não estou falando de fazer dezena...
18/05/2026

Boa parte do “sucesso” de um nascimento começa muito antes do trabalho de parto.

E não, não estou falando de fazer dezenas de ultrassons ou colecionar exames.

Pré-natal é olhar, escutar, orientar e respeitar.

É perceber a mulher além dos números.
Entender sua história, seus medos, seu corpo, sua realidade e seus riscos.

É ouvir um “acho que tem algo estranho” com atenção.
É acolher uma dor sem minimizar.
É orientar sem assustar.
E também sem romantizar.

Uma vez ouvi de uma gestante:
“Achei que pré-natal era só medir barriga e pedir exame.”

E talvez muita gente ainda ache.

Mas um bom pré-natal vai muito além disso.
É olhar além dos exames.
É saber quando não intervir — e principalmente quando intervir.

Porque segurança não é excesso de procedimentos.
Segurança é cuidado atento.

Não há autonomia sem segurança.
E pré-natal de qualidade salva vidas.

E se for possível para a sua realidade, busque uma equipe que enxergue você além dos protocolos.
Que saiba unir ciência, escuta e individualidade.

Porque nascer com segurança começa muito antes do nascimento.

Nosso amor para todas as pré natalistas que vivem esse cuidado com dedicação, ciência e amor.

Nós não nos tornamos mães de repente.Seria fácil demais se baixasse um sistema automático junto com o nascimento dos fil...
10/05/2026

Nós não nos tornamos mães de repente.
Seria fácil demais se baixasse um sistema automático junto com o nascimento dos filhos.

A gente escolhe ser mãe.
Escolhe no dia a dia.
Nas pequenas renúncias silenciosas da rotina e nas decisões gigantes que mudam a vida inteira.
Escolhe quando acolhe, quando protege, quando erra e volta atrás. Quando tenta de novo mesmo cansada.

Tem gente que diz que a mulher renasce quando um filho nasce.
Mas hoje eu acho que, na verdade, nós nos reconhecemos.

Juntamos pedaços das muitas mães que nos atravessaram antes.
A mãe da mãe.
A mãe do pai.
A mãe.
A tia.
A madrinha.
A amiga.
A bisa.

E nessa mistura meio maluca, vamos entendendo quem somos de verdade.

Hoje eu olho para mim e consigo enxergar partes de cada uma delas moldando o barro que fui feita.
Tem gesto que nem percebo que repito. Tem cuidado que veio delas. Tem força que talvez eu nem soubesse que existia em mim.

E quando olho para os meus filhos, o que eu mais desejo é que, se um dia escolherem ter filhos — porque amor não deveria vir acompanhado de chantagem de “me dar netos” k*k — eles entendam o quanto é precioso, sagrado e transformador maternar alguém.

Que a Clara seja feliz nessa caminhada, se ela desejar vivê-la.
E que os meninos saibam reconhecer, respeitar e exaltar as mães dos filhos deles, independentemente de como esses filhos cheguem ao mundo.

Porque gerar vai muito além do corpo.
Existe gente que parí com o ventre.
E existe gente que parí no amor, na presença, na escolha diária de permanecer.

No fim, talvez ser mãe seja isso:
uma construção antiga, coletiva e profundamente humana.
Um fio invisível que atravessa gerações e, sem que a gente perceba, continua vivendo dentro de nós.

E em um país onde tantas mulheres vivem a maternidade de forma solitária, que esse Dia das Mães também nos lembre que apoio salva vidas.
Que acolhimento salva vidas.
Que nenhuma mulher deveria precisar atravessar a maternidade inteira sozinha.

Não somos guerreiras o tempo todo.
Somos verdadeiras.
Cansadas às vezes. Confusas em outras. Fortes quando dá. Vulneráveis quando precisa.

Obrigada por formarem partes de mim.

(Tem mais mães para por foto, mas o insta me limita k*k)

Tem gente que chega ao mundo e apenas nasce.E tem gente que chega ocupando espaços que nem sabíamos que estavam esperand...
06/05/2026

Tem gente que chega ao mundo e apenas nasce.
E tem gente que chega ocupando espaços que nem sabíamos que estavam esperando por ela.

O Miguel chegou assim.
Pequenininho, novo por aqui, mas com um lugar tão dele dentro da nossa família que parece que sempre existiu. Como se o amor já soubesse antes da gente. Como se algumas almas fossem anunciadas baixinho muito antes de chegarem nos nossos braços.

E talvez o amor seja exatamente essa coisa maluca mesmo…
A que bagunça certezas, muda rotas, faz a gente entender por que o céu insiste em ser azul mesmo depois das tempestades.

Hoje eu finalmente conheço o Miguel sem ser através das mãos de trabalho, dos protocolos, da técnica ou do cuidado profissional. Hoje eu sou só tia. E talvez “só” nunca tenha signif**ado tanto.

E que presente é te ver nascer, pequeno.
Te ver nos braços da tua mãe, completando a Anna de um jeito que palavras não alcançam. Existe algo muito bonito em observar uma mulher encontrar um pedaço novo dela no olhar do filho.

Miguel…
Teu nome já carrega força, proteção e caminho.
E eu desejo que São Miguel caminhe contigo sempre: na esquerda, na direita, à frente e atrás. Que nunca te falte amparo, coragem e luz.

Porque você já chegou sendo amado de um jeito imenso.

São Miguel três vezes.

Nosso Miguel. 🤍

Tem datas que passam batido pra mim — e tudo bem.Mas o que a gente construiu não passa.A gente nunca foi sobre perfeição...
30/04/2026

Tem datas que passam batido pra mim — e tudo bem.
Mas o que a gente construiu não passa.
A gente nunca foi sobre perfeição.
Nunca foi sobre fazer tudo certo, falar bonito ou acertar sempre.
A gente é feito de tentativa, de erro, de ajuste no meio do caminho… e de continuar mesmo assim.
Eu sei que te incomodo com 99% das minhas chatices.
E você sabe que, no fundo, nem me incomoda tanto quanto eu finjo que incomoda.
A gente se entende até no que não fala — e talvez seja isso que mais sustenta.
A verdade é que nada disso aqui estava no roteiro.
Nem no meu, nem no seu.
E ainda bem.
Porque o que a gente construiu não nasceu de sonho perfeito,
nasceu de escolha.
Escolha de f**ar, de tentar de novo, de levantar quando parecia mais fácil largar.
E nisso… a gente é f**a.
Não pelo que mostra, mas pelo que segura.
Não pelo que acerta, mas pelo que não desiste.
Mesmo quando tudo parecia pouco demais,
a gente decidiu olhar pro demais.
E talvez seja isso que faz a gente ainda estar aqui.
Sem romantizar o que não é bonito,
mas sem esquecer o que é real.
Somos o que somos.
E, de algum jeito meio nosso,
isso sempre foi suficiente pra continuar.

Hoje, olhando as fotos de ontem, da nossa pescaria de última hora, percebi algumas coisas que eu queria registrar aqui.P...
22/04/2026

Hoje, olhando as fotos de ontem, da nossa pescaria de última hora, percebi algumas coisas que eu queria registrar aqui.

Primeira delas:
ontem eu entendi um pouco mais o meu avô, que foi quem me ensinou a pescar.
Pescar nunca foi sobre o peixe em si (pelo menos não pra mim).
É sobre estar exatamente ali.
Num lugar onde o tempo não existe.
Minha cabeça f**a calma, quase vazia, concentrada.
Eu não preciso pensar em tudo, nem sentir tudo.
É só respirar e fazer aquilo que me propus: esperar.
Tem gente que diz que parece parto…
mas, pra mim, vai além.
Porque ali ninguém espera nada de mim.
Eu não preciso ser nada além do que eu sou.

Segunda:
a gente se acha importante em muitos lugares…
e esquece que são poucos onde isso é verdade.
Eu sempre tive medo de ser eu mesma.
De incomodar.
De magoar.
De não atender expectativas.
Mas ontem… nada disso importava.
Porque ali era o meu lugar.

Meus filhos não esperam que eu seja perfeita.
Nem meus afilhados.
Nem meu marido.
Eles só esperam que eu esteja.
E ontem eu estava.
E isso me atravessou de um jeito profundo…
porque um dia eu não vou estar mais aqui fisicamente.
Mas todos os dias em que eu estive de verdade…
deixam um pouco de mim neles.
Do mesmo jeito que ontem, ali sentada,
o homem que me ensinou a pescar… estava em mim.
Se for pra deixar algo no mundo,
que seja isso: um pouco de mim em quem eu amo.

Obrigada, vô.
Eu sou mais inteira
porque levo o senhor comigo.

Essa foto e essa música são a prova viva desse texto:Quero parto porque é emocionante.E é.Mas não do jeito que o Instagr...
05/02/2026

Essa foto e essa música são a prova viva desse texto:

Quero parto porque é emocionante.
E é.
Mas não do jeito que o Instagram costuma contar.
Parto é nu.
É cru.
É atravessamento.
Nem sempre é bonito.
Nem sempre é silencioso.
Nem sempre termina como o roteiro que a gente imaginou.

O parto que aparece nas redes costuma vir com trilha sonora, luz boa e final apoteótico.
Mas ele não mostra o cansaço.
Não mostra a dúvida.
Não mostra o susto.
E quase nunca mostra o depois.

Quando a realidade não corresponde a esse romance, muitas mulheres começam a se perguntar: “Será que eu errei?”
“Será que meu corpo falhou?”
“Será que outra via teria sido melhor?”
Essas perguntas não nascem do parto.
Elas nascem da expectativa.
Parto não é guerra.
Mas também não é espetáculo.
Não é sobre vencer.
Nem sobre performar força.
É sobre atravessar algo grande demais para caber em um vídeo de 30 segundos.
Mesmo quando precisa de ajuda.
Mesmo quando foge do plano.
Mesmo quando não termina como o imaginado.
Parto continua sendo forte.
Mas força não é sinônimo de beleza.
Nem de controle.
Nem de final perfeito.

Falar disso não é para assustar.
É para proteger.
Porque quando a gente tira o romance excessivo, sobra algo muito mais honesto: a possibilidade de viver o parto sem se sentir culpada por ele não ter sido instagramável.

Bora seguir falando de parto?
Sem guerra.
Sem conto de fadas.
Com verdade.

Uma parto lindo, emocionante, totalmente fora do roteiro, e que nos lembra que tudo o que acontece em uma sala de parto é único.
personal
Guiiiii, não achei seu insta

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