27/08/2026
Hoje quero falar sobre o outro lado. Sobre o privilégio que é poder acompanhar pessoas enquanto elas se conhecem, se questionam, se descobrem, se desconstruem e, aos poucos, vão entendendo quem são e quem querem ser.
A clínica é um trabalho muito íntimo e particular. É uma horinha da semana, duas pessoas e uma conversa que, muitas vezes, ninguém mais vai saber que aconteceu. E acho curioso pensar nisso em uma época em que parece que precisamos expor tudo, compartilhar tudo, mostrar tudo e aqui, é quase o contrário. Tantas coisas importantes acontecem em silêncio. Sem foto, sem registro, sem ninguém vendo.
E, apesar de ser um trabalho que muitas vezes pode ser solitário, ele se torna muito menos quando eu tenho a companhia de cada uma das pessoas que passam por aquela sala. 🥰
Eu conheço pessoas em momentos em que elas mesmas já não se reconhecem muito bem, tentando entender por que sentem o que sentem, por que fazem determinadas coisas, por que se cobram tanto, por que não conseguem se enxergar com o mesmo carinho que conseguem enxergar os outros. E com o tempo, eu também vou conhecendo outras versões delas. 🥰♥️
Acompanho pequenas mudanças, grandes conquistas, recaídas, descobertas, medos, planos… e é muito bonito perceber que, no fim, não se trata de virar outra pessoa. Muitas vezes, é sobre conseguir voltar para si.
E ainda sobre o outro lado, também existem versões minhas que só os meus pacientes conhecem. Coisas que eu só vivi dentro daquela sala, com aquelas pessoas. Risadas, choros, conversas, aprendizados e vínculos que são importantes para mim também. ♥️
Eu sei que eu não faço esse caminho por ninguém, e que não tenho todas as respostas e não posso viver as mudanças pelo outro. Mas posso estar ali! Posso escutar, acolher, ajudar a olhar para algumas coisas por outros ângulos e oferecer um lugar onde, talvez, aquela pessoa consiga finalmente parar um pouquinho e ser ela mesma. E que privilégio conhecer tantas pessoas, compartilhar um pedacinho da vida delas toda semana e acompanhar, de pertinho, enquanto elas vão se tornando quem são.
Não é só sobre amar ser psicóloga, mas sobre ser mu