01/08/2022
Hoje é o Dia Mundial da Amamentação.
O objetivo da data é promover a conscientização sobre a importância do aleitamento materno nos primeiros anos de vida de um bebê, com reflexos na saúde coletiva.
Falar sobre é tornar o assunto cada vez mais natural. É munir mulheres de informações para que elas possam, então, tomar decisões conscientes sobre como conduzir esse processo.
Quero dizer quê:
Eu já atendi mulheres que por questão de saúde – delas ou dos bebês, não puderam amamentar;
Já atendi mulheres que optaram em parar – nos primeiros meses ou dias, e foi essa decisão que trouxe melhor qualidade emocional a ela e a relação mãe/bebê;
Já atendi mulheres que desejaram muito, mas não puderam – por questões internas emocionais e também por questão externas, como uma rede de apoio nada funcional que colocava em cheque a sua capacidade e até mesmo pela má condução dos profissionais de saúde ainda no hospital;
Já atendi mulheres que desejavam seguir amamentando, mas que se depararam com as dificuldades em fazê-lo após o retorno ao mercado de trabalho – pois sim, embora existam políticas públicas que garantem alguns direitos, elas acabam se tornando disfuncionais porque desconsideram às necessidades de um bebê e da sua mãe com um tempo cronologicamente contado no calendário.
O Organização Mundial da Saúde e a Sociedade de Pediatria aconselham que o aleitamento materno seja ofertado no MÍNIMO até os dois anos de vida do bebê. Ótimo. Mas e aí? Que custos a sociedade cobra e quais as garantias que oferece para que essa realidade possa ser o “novo normal”?
Tá certo responsabilizar mulheres pelas suas escolhas ou falta delas? Qual a qualidade das informações oferecidas ainda no pré-natal e das orientações no pós-nascimento? Quem decide o que é certo e errado quando não partilhamos de equidade nesse processo?
A clínica segue sendo ponto de acolhimento e olhar para as reais necessidade da mulher. Lugar de elaborar lutos, desejos, anseios, medos.
A amamentação é sim um processo lindo quê – também – cria vínculo entre mãe/bebê… Mas veja, perpassa tantas outras coisas. Tantas crenças culturais, questões sociais/políticas e subjetivas.
Não é oito ou oitenta.