13/07/2026
“Mas a Psicologia não deveria ser imparcial?”
Essa é uma pergunta que aparece com frequência quando falamos sobre perspectiva de gênero bem como, diante de outros posicionamentos.
E a resposta exige uma distinção importante: imparcialidade não e sinônimo de neutralidade (que também muito já foi e é infelizmente utilizado na comunicação psi).
Ser imparcial significa analisar cada caso com rigor técnico, ética e responsabilidade. Já a neutralidade, quando ignora as desigualdades que estruturam as relações sociais, reproduz injustiças.
Homens e mulheres não vivenciam a violência, a parentalidade, a divisão do trabalho doméstico, a autonomia financeira e o acesso à justiça da mesma forma. Essas diferenças são
amplamente documentadas por pesquisas e não desaparecem quando um processo judicial começa por exemplo. Pelo contrário: muitas vezes, elas se tornam ainda mais evidentes.
É por isso que a perspectiva de gênero não busca favorecer um dos lados. Ela busca ampliar a compreensão sobre o contexto em que os fatos acontecem, reconhecendo que experiências
individuais também são atravessadas por relações de poder, desigualdades históricas e violências que nem sempre são imediatamente visíveis.
Na Psicologia Jurídica, uma análise técnica precisa considerar esses elementos para que a avaliação seja, de fato, contextualizada e comprometida com a realidade. Ignorar o contexto não torna uma prática mais científica. Apenas limita aquilo que conseguimos enxergar.
Afinal, compreender o contexto também faz parte da técnica!
Amanda Duarte
Psicóloga CRP 07/23608
Especialista em Políticas Públicas de Saúde Mental e Assistência Social
Pós Graduanda em Psicologia Jurídica
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