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dr.brunomioto.cardiologista “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
- Antoine de Saint-Exupéry

12/10/2026

Ainda é comum ouvir que obesidade é falta de força de vontade. A medicina trata a obesidade como uma doença crônica, com várias causas, que costuma voltar quando o tratamento para.

O próprio corpo faz de tudo para manter o maior peso que já teve. Depois de perder peso, os hormônios do apetite mudam no sentido de recuperar o que foi perdido. Em um estudo com dieta de muito baixa caloria, essa mudança ainda estava lá um ano depois, junto com mais fome.

Com remédio acontece o mesmo. No estudo STEP 1, quem parou a semaglutida recuperou dois terços do peso perdido em um ano.

Por isso, a primeira conversa com quem quer tratar o peso é sobre o tempo de tratamento. Ele é de longo prazo, como o da pressão alta, do colesterol e do diabetes. Qual caminho entra em cada caso é conversa individual, feita junto com o paciente.

Trecho da minha aula sobre obesidade no Heart Team Xperience. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do seu médico.

Obesidade como doença crônica: doi.org/10.1111/obr.12551
Hormônios depois da perda de peso: doi.org/10.1056/NEJMoa1105816
STEP 1: doi.org/10.1111/dom.14725

Dr. Bruno Mioto · CRM 112.007-SP · RQE 89316

02/10/2026

Quanto mais complexa a anatomia coronária, mais a cirurgia ganha da angioplastia. São três motivos.

O primeiro é a mamária para a descendente anterior. Em uma série australiana com angiografia, a patência foi de 96% em dez anos.
O segundo é a chance de revascularização completa. No SYNTAX, ela foi alcançada em 67% dos operados e em 53% dos tratados com angioplastia.
O terceiro é a colateralização. O stent trata a lesão que limita o fluxo, mas o infarto muitas vezes vem de outra placa, que era moderada. O enxerto chega depois dessas placas e mantém o fluxo se uma delas instabilizar.

Trecho da mesa de discussão no Heart Team Xperience.

Mamária: doi.org/10.1016/j.athoracsur.2011.03.099
SYNTAX: doi.org/10.1016/j.jacc.2012.10.017
Colateralização: doi.org/10.1016/j.jacc.2018.11.053

O conhecimento que compartilhamos no congresso precisa fazer diferença na vida de quem atendemos.De 8 a 10 de outubro, e...
01/10/2026

O conhecimento que compartilhamos no congresso precisa fazer diferença na vida de quem atendemos.

De 8 a 10 de outubro, estarei no Rio de Janeiro como palestrante do 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em conjunto com o World Congress of Cardiology.

É uma alegria participar desse encontro, compartilhar experiências e debater com colegas os caminhos da cardiologia. E também aprender — porque ensinar e continuar aprendendo fazem parte do mesmo compromisso.

Para mim, participar de um congresso tem um propósito que vai além do palco: levar para o consultório e para o hospital decisões mais bem fundamentadas, com ciência, responsabilidade e atenção às necessidades de cada paciente.

Afinal, por trás de cada estudo, cada recomendação e cada tratamento, existe uma pessoa.

Nos vemos no Riocentro!

Perdas de 30% do peso corporal, até pouco tempo, eram resultado de cirurgia bariátrica.O TRIUMPH-1, publicado no NEJM, t...
30/09/2026

Perdas de 30% do peso corporal, até pouco tempo, eram resultado de cirurgia bariátrica.
O TRIUMPH-1, publicado no NEJM, testou a retatrutida, agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon. Foram 2.339 adultos com obesidade e sem diabetes, com IMC médio de 40, randomizados para retatrutida semanal de 4, 9 ou 12 mg ou placebo por 80 semanas.
Com 12 mg, a perda média foi de 25,0% do peso, contra 3,9% no placebo. A diferença foi de 21,0 pontos percentuais (IC 95% 19,6 a 22,5; p

Hoje o seu coração vai bater cerca de 100 mil vezes. E quase nunca avisa quando alguma coisa vai mal.Neste Dia Mundial d...
29/09/2026

Hoje o seu coração vai bater cerca de 100 mil vezes. E quase nunca avisa quando alguma coisa vai mal.

Neste Dia Mundial do Coração, o recado é um só: saiba os seus números. Pressão arterial, LDL (o colesterol ruim), glicemia e, uma vez na vida, a lipoproteína(a).

Se você é médico, vale para você também.

Mande para alguém que precisa ler isso hoje.

Dr. Bruno Mioto
CRM 112.007-SP · RQE 89316

Fontes: American Heart Association; World Heart Federation, campanha Don’t Miss a Beat (2026); Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, SBC (2025).

Post feito por inspiração da minha amiga Carla Kikuchi Endometriose costuma ser tratada como assunto só do ginecologista...
29/09/2026

Post feito por inspiração da minha amiga Carla Kikuchi

Endometriose costuma ser tratada como assunto só do ginecologista. Um estudo publicado este ano sugere que ela também merece a atenção do cardiologista.

Pesquisadores juntaram 11 estudos, com mais de 3 milhões de mulheres acompanhadas por anos. Quem tinha endometriose teve, em média, 29% mais infarto e 47% mais doença nas artérias do coração. O estudo mostra associação, e o risco para a mulher jovem sem outros fatores de risco continua baixo.

No carrossel explico por que isso acontece, o que fazer e quando procurar atendimento.

Fonte: Wang L et al. Ann Med. 2026;58(1):2534083. DOI: 10.1080/07853890.2025.2534083

Dr. Bruno Mioto · CRM 112.007-SP · RQE 89316

24/09/2026
24/09/2026

Há alguns anos, eu não me via falando de obesidade.
Como cardiologista, meu papel quase se resumia a dizer se o paciente podia ou não tomar sibutramina. Os remédios daquela época ou não eram seguros para o coração, ou não eram seguros do ponto de vista psiquiátrico, ou não entregavam resultado. A sibutramina foi testada em pessoas com doença cardiovascular e aumentou infarto e derrame não fatais, no estudo SCOUT.
Hoje o cenário é outro. A semaglutida foi testada em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular, sem diabetes, e reduziu em 20% o risco de morte cardiovascular, infarto e derrame, no estudo SELECT.
Foi por isso que a obesidade entrou de vez no meu consultório. O alvo do tratamento é o risco de infarto, de derrame e de morte, e o número da balança vem como consequência. E qual caminho entra em cada caso, com remédio, com cirurgia ou com nenhum dos dois por enquanto, é conversa individual, feita junto com o paciente.
Trecho da minha aula sobre obesidade no Heart Team Xperience. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do seu médico.

SCOUT: doi.org/10.1056/NEJMoa1003114
SELECT: doi.org/10.1056/NEJMoa2307563

Dr. Bruno Mioto · CRM 112.007-SP · RQE 89316

20/09/2026

Na doença arterial coronária crônica, o BRA é que nem xarope: entra quando aparece tosse com o iECA.
É assim que eu explico para os residentes. A evidência de redução de desfecho na doença coronária é com inibidor da enzima conversora, não com bloqueador do receptor de angiotensina. Os dois estudos que sustentam isso são o HOPE, com ramipril, e o EUROPA, com perindopril.

No EUROPA, o perindopril reduziu em 20% o desfecho de morte cardiovascular, infarto ou parada cardíaca em pacientes com doença coronária estável e sem insuficiência cardíaca.
A nossa diretriz de síndrome coronariana crônica mantém o iECA como primeira escolha e deixa o BRA como opção para quem não tolera.

Vale checar na próxima prescrição de quem já teve infarto ou foi revascularizado.
Trecho da minha aula sobre tratamento das síndromes coronarianas crônicas, no Heart Team Xperience.

HOPE: doi.org/10.1056/NEJM200001203420301
EUROPA: doi.org/10.1016/S0140-6736(03)14286-9

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