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dr.brunomioto.cardiologista “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
- Antoine de Saint-Exupéry

A vacina para Zoster reduz infarto e AVC, com benefício sustentado por 8 anos, segundo estudo sul-coreano com mais de 1 ...
09/08/2026

A vacina para Zoster reduz infarto e AVC, com benefício sustentado por 8 anos, segundo estudo sul-coreano com mais de 1 milhão de pessoas.
O ACC publicou em 2026 uma orientação com as vacinas de proteção cardiovascular para quem já tem doença do coração: influenza, pneumocócica, COVID-19, VSR e Zoster.
A gripe multiplica por 6 o risco de infarto agudo após a infecção. Na insuficiência cardíaca, a dose alta evita 1 internação a cada 105 vacinados.
COVID-19 grave é 3 vezes mais comum em quem tem doença cardiovascular. O VSR causa 10 mil mortes por ano nos Estados Unidos, maiores de 65 anos, número comparável ao da gripe.
A vacina para Zoster, 2 doses a partir dos 50 anos, reduziu infarto, AVC, insuficiência cardíaca e arritmia.
Vacina não é conversa de pediatra. Para quem tem doença cardiovascular, é parte do tratamento.
Se é médico, revisa a caderneta do próximo paciente cardiopata. Se é paciente, leva a lista pro cardiologista.

Fonte: Heidenreich PA et al. Adult Immunizations as Part of Cardiovascular Care: 2026 ACC Concise Clinical Guidance. J Am Coll Cardiol. 2026.

Dr. Bruno Mioto CRM 112.007-SP · RQE 89316

Saiu! Muito feliz em compartilhar nosso novo Editorial Comment publicado no JACC: Case Reports:“When Recurrent Myxoma Is...
06/08/2026

Saiu! Muito feliz em compartilhar nosso novo Editorial Comment publicado no JACC: Case Reports:

“When Recurrent Myxoma Is Not a Myxoma: Reclassification and Recurrence in Cardiac Myxofibrosarcoma”, em coautoria com Júlia Fernandes Aguiar (Júlia Fernandes Aguiar | Cardiologista).

Neste editorial, discutimos um desafio diagnóstico raro, mas extremamente relevante: quando a recorrência de um aparente mixoma cardíaco deve nos fazer questionar o diagnóstico inicial e considerar o mixofibrossarcoma cardíaco.

A mensagem central é simples e importante: recorrência onde a recorrência deveria ser rara precisa acender um alerta. Crescimento rápido, comportamento infiltrativo, doença multifocal ou envolvimento valvar devem levar à revisão histopatológica e imuno-histoquímica do diagnóstico.

Mais do que comentar um caso, procuramos reforçar algo que vale para toda a prática médica: um diagnóstico prévio não deve se tornar uma verdade imutável quando a evolução clínica deixa de fazer sentido.

Ciência também é ter disposição para rever diagnósticos.

Mais da metade dos casos de insuficiência cardíaca tem fração de ejeção preservada. Durante anos, a doença mais frequent...
28/07/2026

Mais da metade dos casos de insuficiência cardíaca tem fração de ejeção preservada. Durante anos, a doença mais frequente era também a menos tratável. Isso mudou.

Em julho de 2026, o ACC publicou a atualização do Expert Consensus Decision Pathway para ICFEp, revisando o documento de 2023. O novo consenso consolidou quatro pilares terapêuticos com base em ensaios recentes.

SGLT2i como base para todos os pacientes: dapagliflozina (DELIVER, HR 0,82; IC 95%: 0,73–0,92) e empagliflozina (EMPEROR-PRESERVED, HR 0,79; IC 95%: 0,69–0,90) para o desfecho composto de piora de IC e morte CV.

Finerenona como o nsMRA preferencial, aprovada pelo FDA em julho de 2025 para IC com FE ≥40%. FINEARTS-HF: HR 0,82 (IC 95%: 0,71–0,94) para eventos totais de piora de IC e morte CV.

Para pacientes com IMC ≥30, tirzepatida (SUMMIT: HR 0,62; IC 95%: 0,41–0,95, com 11,6% de perda de peso) ou semaglutida.

E a mudança que deve provocar revisão de conduta: beta-bloqueadores não têm benefício estabelecido na ICFEp. Podem causar incompetência cronotrópica e piorar a intolerância ao esforço. O uso deve ser limitado a angina ou controle de frequência na FA.

Limitações importantes: ICFEp é síndrome heterogênea, os trials incluíram populações distintas, e a maioria tem predomínio masculino numa condição que afeta mais mulheres. A evidência sobre beta-bloqueadores ainda é observacional.

DOI: 10.1016/j.jacc.2026.06.018

26/07/2026

Frank Sinatra não carregava o próprio piano.

E isso não fazia dele menos talentoso.

No consultório acontece a mesma coisa.

Existe uma ideia de que o bom médico precisa fazer tudo sozinho: atender, responder mensagens, organizar agenda, resolver burocracias, produzir conteúdo, administrar a clínica…

Mas a verdade é outra.

Quanto mais você tenta fazer tudo, menos tempo sobra para aquilo que realmente só você pode fazer: cuidar bem dos pacientes.

Os grandes profissionais entendem que excelência não é fazer tudo. É construir um sistema onde cada pessoa exerce o seu melhor papel.

Delegar não é luxo.
É estratégia.
É maturidade.
E, muitas vezes, é o que separa um consultório comum de uma prática médica de alto nível.

Você ainda está carregando o próprio piano?

Pacientes com doença coronária bem tratados ainda enfrentam risco residual significativo. Controlamos o LDL, prescrevemo...
25/07/2026

Pacientes com doença coronária bem tratados ainda enfrentam risco residual significativo. Controlamos o LDL, prescrevemos antiagregantes — mas a inflamação vascular persiste. E ela mata.

Uma meta-análise Cochrane (novembro de 2025) reuniu 12 ensaios randomizados e 22.983 pacientes com DAC estável, pós-IAM ou pós-AVC em uso de colchicina 0,5mg/dia versus placebo.

Os resultados têm alta certeza pelo GRADE: colchicina reduziu infarto (RR 0,74; IC 95%: 0,57-0,96) e AVC (RR 0,67; IC 95%: 0,47-0,95), sem aumento em eventos adversos sérios (RR 0,98) nem mortalidade (RR 1,01). Eventos gastrointestinais foram mais frequentes, mas leves e transitórios.

Limitações relevantes: mortalidade sem benefício demonstrado (certeza moderada), alta heterogeneidade nos eventos GI (I2 = 91%) e maioria dos participantes do s**o masculino (79,4%).

A colchicina não substitui o tratamento otimizado. Ela adiciona proteção anti-inflamatória sem equivalente de baixo custo e alta evidência. Avaliar tolerância GI, função renal e interações antes de prescrever.

Fonte: Ebrahimi F et al. Cochrane Database Syst Rev. 2025;11:CD014808.

Uma taça de vinho às refeições realmente reduz o risco cardiovascular de quem já segue a dieta mediterrânea, ou o benefí...
22/07/2026

Uma taça de vinho às refeições realmente reduz o risco cardiovascular de quem já segue a dieta mediterrânea, ou o benefício é só do resto do prato?

Um novo estudo publicado no European Heart Journal combinou o ensaio PREDIMED, com 7.447 participantes de alto risco cardiovascular seguidos por até 17 anos, e a coorte SUN, com 10.554 participantes seguidos por 22 anos, ambos na Espanha.

Alta adesão à dieta mediterrânea sem vinho associou-se a 23% menos mortalidade geral (HR 0,77). Incluindo o consumo moderado de vinho, definido como 7 ou mais taças por semana, a redução chegou a 33% (HR 0,67). Na análise combinada dos dois estudos, o HR foi de 0,66 (IC 95% 0,57-0,78; p=0,01).

Para eventos cardiovasculares, o benefício também apareceu no PREDIMED (HR 0,55), mas não foi confirmado na coorte SUN, e desapareceu com consumo de 3 ou mais taças por dia.

O vinho não foi randomizado, apenas recomendado a quem já bebia. A interação estatística entre dieta e vinho não atingiu significância, e o confundimento residual não pode ser excluído.

Este achado não é uma recomendação para abstêmios começarem a beber. Há divergência entre agências de saúde sobre o tema, e a decisão deve ser individualizada, considerando risco oncológico e preferência do paciente.

Fonte: Martínez-González MA et al. Eur Heart J. 2026;47:3591-3606.

Fiz doutorado sobre os efeitos cardiovasculares do consumo de café, então esse é um tema que acompanho de perto. A Ameri...
21/07/2026

Fiz doutorado sobre os efeitos cardiovasculares do consumo de café, então esse é um tema que acompanho de perto. A American Heart Association acaba de publicar a revisão mais completa até hoje sobre cafeína e doença cardiovascular.

O documento reúne estudos observacionais, ensaios randomizados e randomização mendeliana sobre pressão arterial, diabetes, lipídios, arritmias, doença coronariana, insuficiência cardíaca e AVC.

Consumo moderado de café, entre 3 e 5 xícaras por dia, associou-se a menor risco de diabetes tipo 2, com redução de 20 a 30% conforme a dose, cerca de 10% menos risco de doença coronariana e 21% menos risco de AVC. No ensaio DECAF, manter o café reduziu em 39% a recorrência de fibrilação atrial.

A maior parte dos dados é observacional e sujeita a confundimento residual. Muitos achados são específicos do café como bebida, não da cafeína isolada.

Para a maioria dos adultos, consumo moderado de cafeína, até 400 mg por dia, é seguro e pode compor um estilo de vida saudável.

Fonte: Marcus GM et al. Circulation. 2026;154:e00-e00.

Nem toda vitória faz barulho. Mas algumas merecem comemoração. 🎉❤️
19/07/2026

Nem toda vitória faz barulho. Mas algumas merecem comemoração. 🎉❤️

Muitos homens que recebem terapia com testosterona no mundo real não têm hipogonadismo confirmado. Esse estudo quantific...
19/07/2026

Muitos homens que recebem terapia com testosterona no mundo real não têm hipogonadismo confirmado. Esse estudo quantifica o risco disso.

Kerniss et al. analisaram 358.957 homens iniciando testosterona em 123 organizações de saúde globais. Após propensity score matching 1:1 (113.554 pares), compararam TT sem evidência de hipogonadismo versus TT com hipogonadismo documentado, com seguimento de até 10 anos.

MACE em 10 anos: 16,53% versus 11,83%, HR 1,51 (IC 95% 1,45-1,56), p menor que 0,0001. Mortalidade: 10,71% versus 5,99%, HR 1,90 (IC 95% 1,80-2,00), p menor que 0,0001. AVC isquêmico (HR 1,23), insuficiência cardíaca (HR 1,32) e parada cardíaca (HR 1,41) também foram mais frequentes no grupo off-label.

Limitações importantes: confundimento residual, classificação de hipogonadismo dependente de prontuário e impossibilidade de avaliar dose e formulação.

A evidência randomizada, incluindo o TRAVERSE, é tranquilizadora em hipogonadais confirmados com monitoramento adequado. Fora desse contexto, o risco cardiovascular parece real. Avaliação diagnóstica rigorosa antes de prescrever não é burocracia, é proteção ao paciente.

Kerniss H et al. eBioMedicine. 2026;130:106373.

Após 12 meses de DAPT pós-stent, a maioria dos pacientes suspende o clopidogrel. Mas e quem tem doença multiarterial?O e...
17/07/2026

Após 12 meses de DAPT pós-stent, a maioria dos pacientes suspende o clopidogrel. Mas e quem tem doença multiarterial?

O ensaio DAPT-MVD randomizou 8.250 pacientes com DAC multiarterial estável para DAPT estendida vs. aspirina isolada por mais 12 meses.
Resultado: redução do desfecho primário (morte CV + IAM + AVC) de 6,8% para 5,8% — HR 0,82 (IC 95% 0,69-0,98; p=0,03).

O ponto mais surpreendente: sem aumento de sangramento. BARC ≥2 foi 1,4% vs. 1,5% (HR 0,89; p=0,54).

Antes de mudar a prática, vale lembrar: estudo aberto, população predominantemente chinesa e uso de clopidogrel (não ticagrelor ou prasugrel). A generalização requer cautela.

Mas para o paciente com DAC multiarterial estável, sem eventos no primeiro ano, o balanço parece favorável. A decisão continua sendo individual.

Fonte: Tian J et al. NEJM. 2026;395:233-42.

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