03/08/2026
O que mais me preocupa nesse caso não é apenas o vídeo.
É perceber como tantas pessoas ainda olham para cenas como essa e pensam:
“Foi um momento de estresse.”
“Foi um caso isolado.”
“Foi tirado de contexto.”
Como psicóloga, eu gostaria de dizer que situações como essa são raras.
Mas eu estaria mentindo.
A violência emocional acontece muito mais do que imaginamos.
Ela nem sempre aparece em vídeos.
Nem sempre vira notícia.
Nem sempre deixa marcas no corpo.
Mas deixa marcas profundas no desenvolvimento emocional de uma criança.
Às vezes ela vem em forma de humilhações constantes.
De ameaças.
De gritos.
De medo.
De rejeição.
De silêncio.
De palavras que uma criança jamais deveria ouvir de quem deveria ser o seu lugar mais seguro.
E ela não escolhe classe social, profissão ou nível de escolaridade.
Ela acontece em famílias pobres.
Ela acontece em famílias ricas.
Ela acontece em casas onde, para quem olha de fora, parece estar tudo bem.
O que mais me preocupa é que ninguém nasce acreditando que ser humilhado, controlado, ameaçado ou desrespeitado faz parte do amor.
Isso é aprendido.
Nós construímos, na infância, as primeiras referências sobre como as pessoas se tratam, como resolvem conflitos, como exercem poder e como demonstram afeto.
É por isso que tantas pessoas chegam à vida adulta sem perceber que estão vivendo relações abusivas.
Não porque são fracas.
Não porque “gostam de sofrer”.
Mas porque, muitas vezes, cresceram acreditando que aquilo era normal.
Falar sobre isso não é para apontar o dedo.
É para romper um ciclo.
Porque toda criança merece crescer aprendendo que amor combina com respeito, segurança e acolhimento.
Nunca com medo.
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