Dr. Adolfo Gabriel

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Dr. Adolfo Gabriel 👨🏻‍⚕️ Ginecologista e Obstetra / Especialista em Laparoscopia e Histeroscopia

24/09/2026

“Tenho miomas. Isso significa que não vou conseguir engravidar?”

Não. Ter mioma não é sinônimo de infertilidade.

Os miomas são tumores benignos do útero e, em muitas pacientes, não impedem a gravidez.

Mas existe uma questão fundamental: nem todo mioma é igual.

A possibilidade de interferência na fertilidade depende principalmente de fatores como:

🔹 localização — especialmente quando o mioma altera a cavidade uterina;
🔹 tamanho;
🔹 quantidade de miomas;
🔹 relação com o endométrio e o restante da anatomia uterina;
🔹 idade e reserva reprodutiva;
🔹 presença de outros fatores que também possam interferir na fertilidade.

Por isso, diante de uma paciente que deseja engravidar, não basta olhar para o laudo e dizer: “você tem mioma”.

É preciso entender qual mioma, onde ele está, qual o seu impacto e se realmente existe indicação de tratamento.

E existe outro ponto importante:

ter mioma também não significa que a paciente necessariamente precise operar antes de tentar engravidar.

Em algumas situações, o acompanhamento pode ser suficiente. Em outras, o tratamento pode aumentar as chances de uma gestação ou reduzir determinados riscos — e essa decisão precisa ser individualizada.

Uma investigação bem conduzida permite evitar dois extremos: subestimar um mioma que pode interferir na fertilidade ou indicar uma cirurgia que talvez não seja necessária.

💛 O diagnóstico não deve ser uma sentença.

Informação adequada, investigação detalhada, acolhimento e planejamento individualizado podem transformar completamente a condução de uma paciente que deseja realizar o sonho da maternidade.

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22/09/2026

Essa é uma situação que exige uma avaliação cuidadosa — principalmente porque estamos falando de sangramento intenso, dor importante e falha do tratamento utilizado até agora.

Primeiro: o tamanho do útero, sozinho, não determina se a paciente precisa de cirurgia.

Um útero aumentado pode estar relacionado à adenomiose, mas a decisão terapêutica precisa considerar o conjunto do quadro:

🔹 intensidade e frequência dos sangramentos;
🔹 presença de anemia;
🔹 intensidade da dor e impacto na qualidade de vida;
🔹 extensão da adenomiose;
🔹 resposta e tolerância aos tratamentos anteriores;
🔹 idade e desejo de gestação;
🔹 outras doenças associadas, como miomas ou endometriose.

E se o anticoncepcional funcionou por apenas 3 meses?

Isso não significa automaticamente que não exista mais nenhuma alternativa conservadora.

Existem diferentes estratégias para controle da adenomiose, e a escolha depende das características de cada paciente. Em alguns casos, pode-se ajustar ou mudar o tratamento clínico; em outros, é necessário considerar tratamentos intervencionistas ou cirurgia.

Mas existe um ponto importante:

quatro atendimentos de emergência por hemorragia e dor intensa não devem ser tratados simplesmente como “mais um sangramento”.

É necessário entender por que o tratamento não está conseguindo controlar adequadamente a doença e avaliar, inclusive, as consequências desses episódios, como anemia e comprometimento da qualidade de vida.

E quando a cirurgia entra na discussão?

Quando os sintomas são importantes, persistentes e incapacitantes, especialmente quando existe falha ou intolerância aos tratamentos conservadores, a cirurgia pode passar a ser uma opção.

Para algumas pacientes que não desejam mais engravidar, a histerectomia pode ser um tratamento definitivo para a adenomiose uterina.

Mas isso não significa que toda paciente com útero aumentado ou adenomiose precise retirar o útero.

A indicação precisa ser individualizada.

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21/09/2026

Essa é uma situação que merece uma avaliação cuidadosa — mas esses achados, isoladamente, não significam que a cirurgia seja obrigatória.

Quando encontramos miomas + aumento do útero + um cisto ovariano de 8 cm, precisamos entender exatamente o que está acontecendo antes de definir qualquer tratamento.

🔹 Miomas: é importante saber quantos são, onde estão localizados, quais são os tamanhos e se estão deformando a cavidade do útero.

🔹 Útero aumentado e irregular: pode estar relacionado aos próprios miomas, mas também é necessário avaliar outras alterações, como a adenomiose.

🔹 Cisto de 8 cm: o tamanho chama atenção, mas não é o único critério. O aspecto do cisto nos exames de imagem, seu conteúdo, paredes, presença de componentes sólidos, vascularização e evolução também são fundamentais para definir a conduta.

🔹 Sintomas: sangramento intenso, anemia, dor, pressão pélvica, alterações urinárias ou intestinais e impacto na qualidade de vida também entram nessa decisão.

🔹 Idade, histórico clínico e desejo reprodutivo: são igualmente importantes para escolher entre acompanhamento, tratamento clínico ou cirurgia.

E por que a ressonância pode ser importante?

Porque ela permite uma avaliação mais detalhada da anatomia da pelve, ajudando a identificar a localização e a extensão dos miomas, avaliar o músculo uterino e caracterizar melhor algumas lesões ovarianas.

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18/09/2026

“Depois de uma cirurgia ginecológica, preciso ficar praticamente de repouso ou devo caminhar?”

Essa é uma dúvida muito comum — e o conceito de ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) mudou bastante a forma como pensamos o pós-operatório.

Hoje, sempre que não houver contraindicação, a tendência é evitar o repouso excessivo e estimular uma recuperação ativa e progressiva.

🚶‍♀️ Caminhadas precoces e frequentes podem contribuir para:
🔹 reduzir o tempo de recuperação;
🔹 estimular a mobilidade e a retomada das atividades;
🔹 diminuir complicações relacionadas à imobilidade;
🔹 favorecer a recuperação funcional.

Mas atenção: caminhar não significa fazer esforço.

A intensidade, a frequência e as limitações precisam ser individualizadas de acordo com o tipo de cirurgia, extensão do procedimento, condições clínicas e evolução de cada paciente.

O protocolo ERAS não significa simplesmente “levante e caminhe”. Ele envolve um conjunto de medidas antes, durante e depois da cirurgia para tornar a recuperação mais segura, planejada e eficiente.

O objetivo é encontrar o equilíbrio entre proteção, mobilidade e progressão segura, respeitando a cirurgia realizada e as características de cada paciente.

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17/09/2026

Não. Ter um cisto no ovário não significa automaticamente precisar de cirurgia.

E o tamanho, embora seja uma informação importante, não é o único fator que determina a conduta.

Antes de decidir pelo tratamento, é fundamental entender que tipo de cisto é esse e quais características ele apresenta.

Na avaliação, consideramos:

🔹 tamanho;
🔹 aspecto no ultrassom ou na ressonância;
🔹 conteúdo e características da lesão;
🔹 presença de sintomas;
🔹 crescimento ao longo do tempo;
🔹 idade da paciente;
🔹 situação hormonal;
🔹 desejo de preservar a fertilidade e a função ovariana.

Alguns cistos podem ser apenas acompanhados. Outros, especialmente quando apresentam características específicas, crescimento, sintomas importantes ou suspeita de complicação, podem ter indicação de cirurgia.

E existe uma preocupação muito importante: preservar o ovário.

Quando uma cirurgia é necessária, o objetivo, sempre que possível, é tratar a lesão preservando o tecido ovariano saudável.

💛 Por isso, diante de um cisto ovariano, não pense apenas: “quantos centímetros ele tem?”

Pergunte também:

“Que tipo de cisto é? Ele precisa realmente ser retirado? E, se precisar, qual é a melhor forma de fazer isso preservando o meu ovário?”

Uma boa avaliação especializada permite evitar tanto cirurgias desnecessárias quanto o atraso de um tratamento quando ele realmente é indicado.

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14/08/2026

A decisão cirúrgica precisa ser individualizada e considerar:

🔹 intensidade da dor e dos sangramentos;
🔹 impacto na qualidade de vida;
🔹 extensão da adenomiose;
🔹 tamanho e características do útero;
🔹 presença de miomas ou endometriose associada;
🔹 tratamentos já realizados e resposta a eles;
🔹 desejo de preservar a fertilidade;
🔹 objetivos e expectativas da paciente.

E existe um ponto fundamental:

A cirurgia começa muito antes do centro cirúrgico.

Uma boa avaliação pré-operatória permite entender exatamente qual é o problema que precisa ser tratado e qual estratégia oferece o melhor equilíbrio entre segurança, eficácia e preservação das estruturas quando possível.

Em algumas pacientes, o tratamento pode ser clínico e não cirúrgico.

Em outras, quando a cirurgia é indicada, a extensão do procedimento dependerá das doenças encontradas e dos objetivos da paciente.

Adenomiose não é sinônimo de histerectomia.

E uma cirurgia maior não deve ser indicada simplesmente porque existe uma alteração no útero.

💛 Informação, planejamento e uma avaliação especializada ajudam a transformar uma decisão que pode parecer assustadora em uma escolha consciente e individualizada.

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11/08/2026

Quando o tratamento clínico falha, não devemos simplesmente prolongá-lo indefinidamente.

No caso dos miomas, a localização é extremamente importante.

Um mioma com componente submucoso pode alterar a cavidade uterina e estar diretamente relacionado a sangramento uterino anormal.

Por isso, dependendo do tamanho, localização e grau de comprometimento da cavidade, pode existir uma alternativa cirúrgica específica, como a histeroscopia cirúrgica, em casos selecionados.

E isso muda completamente a conversa.

💛 Cirurgia não deve ser a primeira resposta para todo mioma. Mas também não devemos insistir indefinidamente em um tratamento que claramente não está funcionando.

A paciente precisa ser reavaliada para entender:

🔹 O sangramento está sendo causado pelo mioma?
🔹 O medicamento está ajudando ou piorando o controle dos sintomas?
🔹 Existe anemia?
🔹 O mioma compromete a cavidade uterina?
🔹 Há indicação de tratamento cirúrgico?
🔹 Qual técnica oferece o melhor equilíbrio entre segurança e resultado?

E um alerta importante: sangramento intenso pode levar à anemia e, em situações mais graves, exigir atendimento de urgência.

Se houver sangramento muito volumoso, tontura, fraqueza importante, falta de ar, desmaio ou outros sinais de instabilidade, não espere pela consulta agendada: procure atendimento médico imediatamente.

A mensagem deste relato é para todas as mulheres que estão vivendo algo parecido:

Você não precisa simplesmente aceitar meses de sofrimento porque “o tratamento ainda está começando”.

É fundamental acompanhar a resposta ao tratamento e, quando ele não funciona, reavaliar a estratégia sem perder tempo desnecessariamente.

Existe solução para muitos desses casos. O primeiro passo é descobrir qual é a causa do sangramento e qual tratamento realmente faz sentido para aquela paciente.

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10/08/2026

Afinal: retirar o útero resolve a endometriose?”

Essa é uma dúvida extremamente importante — porque adenomiose e endometriose não são a mesma doença e não devem ser tratadas da mesma maneira.

👉 Na adenomiose, a doença está localizada no músculo do útero. Por isso, em pacientes selecionadas, a histerectomia pode ser um tratamento definitivo, principalmente quando não existe desejo de preservar a fertilidade e os sintomas são importantes.

👉 Já na endometriose, retirar o útero não significa automaticamente eliminar a doença.

A endometriose pode estar localizada em diferentes estruturas da pelve, como ovários, ligamentos, intestino, bexiga e peritônio.

Por isso, uma histerectomia isoladamente pode não resolver os sintomas se os focos de endometriose permanecerem.

Então qual é o objetivo de uma cirurgia eficaz para endometriose?

É realizar uma avaliação completa da pelve e, quando houver indicação, tratar adequadamente os focos de endometriose identificados, respeitando a anatomia, os órgãos envolvidos e os objetivos da paciente.

Dependendo do caso, isso pode envolver:
🔹 tratamento das lesões profundas;
🔹 retirada de endometriomas;
🔹 tratamento de aderências;
🔹 abordagem de lesões intestinais ou urinárias;
🔹 e, em pacientes selecionadas, associação com histerectomia para tratamento da adenomiose ou de outras condições uterinas.

E aqui está um ponto fundamental:

A paciente não deve escolher uma cirurgia baseada no medo.

Uma indicação cirúrgica precisa ser explicada com clareza: quais doenças estão presentes, onde estão localizadas, quais estruturas serão abordadas, quais são os benefícios, riscos e alternativas.

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09/08/2026

O teratoma ovariano (teratoma cístico maduro) geralmente é uma lesão benigna, mas um tamanho próximo de 10 cm merece uma avaliação ginecológica cuidadosa.

👉 É possível engravidar tendo um teratoma?

Em muitos casos, sim. A presença de um teratoma não significa, por si só, infertilidade.

Porém, uma lesão desse tamanho pode aumentar o risco de algumas complicações, principalmente:

🔹 Torção ovariana: o aumento do volume do ovário pode favorecer sua torção, uma situação que pode causar dor intensa e exigir cirurgia de urgência.

🔹 Ruptura: é uma complicação menos frequente, mas pode ocorrer.

🔹 Compressão de estruturas próximas: dependendo da localização, o cisto pode causar desconforto, dor ou sintomas urinários/intestinais.

🔹 Crescimento progressivo: mesmo sendo geralmente benigno, um teratoma grande precisa ser acompanhado e, em determinadas situações, a cirurgia é recomendada.

“Mas vou perder o meu ovário?”

Não necessariamente.

Quando a cirurgia é indicada, o objetivo, especialmente em mulheres que desejam engravidar, é preservar o máximo possível do tecido ovariano saudável.

Em muitos casos, é possível realizar a cistectomia, retirando o teratoma e preservando o ovário.

Quanto mais cedo o caso for avaliado corretamente, mais informações teremos para escolher a estratégia que melhor equilibre segurança, tratamento da doença e preservação da função ovariana.

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09/08/2026

👉 TER MIOMA NÃO SIGNIFICA, AUTOMATICAMENTE, PRECISAR DE UMA HISTERECTOMIA.

A histerectomia — cirurgia para retirada do útero — pode ser uma excelente opção em situações específicas, mas não é a única possibilidade de tratamento para os miomas.

A conduta precisa ser individualizada.

Antes de falar em cirurgia, é fundamental entender:

🔹 Onde estão os miomas?
🔹 Quantos são e qual o tamanho?
🔹 Eles alteram a cavidade uterina?
🔹 Estão causando sangramento, dor ou pressão pélvica?
🔹 Existe anemia?
🔹 Qual é a idade da paciente?
🔹 Ela ainda deseja engravidar?
🔹 Já tentou algum tratamento clínico?
🔹 Qual é o impacto dos sintomas na qualidade de vida?

Dependendo dessas respostas, podem existir diferentes estratégias:

✔️ acompanhamento;
✔️ tratamento medicamentoso;
✔️ histeroscopia;
✔️ miomectomia;
✔️ embolização em situações selecionadas;
✔️ ou histerectomia, quando realmente indicada.

E aqui entra uma parte que considero fundamental na medicina: a consulta.

Uma boa avaliação não deveria ser apenas uma análise rápida do exame de imagem.

É preciso ter tempo para ouvir a paciente.

Tempo para entender a intensidade do sangramento.
Tempo para falar sobre dor.
Tempo para entender o desejo de preservar o útero.
Tempo para ouvir os medos e as angústias.
Tempo para explicar as alternativas.

Porque muitas vezes a paciente chega ao consultório acreditando que existe apenas uma possibilidade:

“Tenho mioma → vou precisar retirar o útero.”

E, depois de uma avaliação adequada, percebe que o cenário é muito mais amplo.

💛 O papel do especialista não é simplesmente indicar uma cirurgia. É entender quando ela realmente é necessária, quando existem alternativas e qual estratégia faz mais sentido para aquela mulher.

Acolhimento, informação e tempo de consulta não são detalhes.

Eles fazem parte do tratamento.

E quando a paciente entende o diagnóstico e participa da decisão, o processo se torna muito mais seguro, consciente e tranquilo.

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