24/07/2026
Durante muito tempo, achei que eu voltava ao Egito por causa da dança.
Nesta viagem, percebi que não era só por isso.
Meu aniversário aconteceu no Egito pela segunda vez. E foi curioso perceber como um lugar que, há alguns anos, parecia apenas um destino no mapa, hoje faz parte da minha história.
Existe uma música egípcia que sempre me emociona. Em um dos trechos, ela pergunta:
“Egito, como é que você faz isso?”
E continua dizendo:
“Você é um pedaço de mim, e eu sou um pedaço de você.”
Quando ouvi essa letra novamente, senti que ela traduzia exatamente o que eu estava vivendo.
A dança foi o que me trouxe até o Egito.
Mas foi o Egito que me ensinou a dançar a vida.
Porque as maiores transformações desta viagem não aconteceram no palco.
Nem durante as aulas.
Nem diante das pirâmides.
Elas aconteceram nos silêncios.
Na confiança.
Na fé.
Em aceitar que nem tudo estaria sob o meu controle e, ainda assim, confiar que tudo aconteceria da maneira certa.
Voltei lembrando de algo que muitas vezes esquecemos na correria do dia a dia:
A arte não nasce apenas da técnica.
Ela nasce da forma como escolhemos viver.
Talvez seja por isso que eu insista tanto que técnica, leitura musical e expressividade não podem caminhar separadas.
Tudo o que vivemos atravessa o nosso corpo.
E, cedo ou tarde, aparece na nossa dança.
Hoje tenho ainda mais certeza de que não atravesso oceanos apenas para aprender novos movimentos.
Atravesso para voltar uma mulher, uma artista e uma professora melhor do que aquela que embarcou.
Talvez seja isso que alguns lugares façam com a gente.
Eles deixam de ser apenas um destino.
E passam a fazer parte de quem somos.
✨ Existe algum lugar que deixou de ser apenas um destino e passou a fazer parte de quem você é?