28/07/2026
A gente costuma aprender sobre neutralidade muito cedo na formação.
Mas, com o tempo, fui percebendo que a pergunta talvez nunca tenha sido “como não influenciar?”. A pergunta passou a ser: como reconhecer minha presença sem colocar minhas questões no centro da relação?
Jung escreveu que é ilusório pensar que estamos completamente isentos. Essa ideia sempre me acompanha porque me lembra que negar aquilo que nos atravessa não nos torna mais éticos. Às vezes, apenas nos torna menos conscientes.
Para mim, presença não é falar de si mas, sustentar uma relação em que o paciente não sinta que está falando para o vazio.
E, ao mesmo tempo, ter responsabilidade suficiente para que aquilo que nos toca não conduza o processo sem percebermos.
Essa tensão não se resolve de uma vez. Ela acompanha a clínica inteira.
Como essa discussão aparece para você na prática clínica?