04/09/2026
A Amazônia não me recebeu apenas como um lugar.
Recebeu-me como um chamado.
Na aldeia sagrada Yawanawá, a natureza não é cenário. Ela está viva. Respira nos rios, fala através do fogo, atravessa o vento e sustenta cada rito. Ali, os elementos não estão ao nosso redor. Estão dentro de nós.
A árvore sumaúma se ergue como uma grande guardiã. Suas raízes parecem conhecer os caminhos profundos da terra, enquanto sua copa toca aquilo que os olhos não alcançam. Diante dela, compreendi que algumas presenças não precisam de palavras para ensinar. Basta silenciar e sentir.
As mulheres Yawanawá carregam uma força que não se anuncia. Ela vive nos gestos, nos cantos, nos mistérios compartilhados e nas pinturas que percorrem seus corpos. Cada traço revela memória, pertencimento e proteção. Não são apenas desenhos. São uma linguagem ancestral escrita sobre a pele.
Quando cheguei à aldeia, senti que precisava me despir de mim. Das certezas, do controle, das camadas construídas ao longo da vida. Era preciso esvaziar para vestir tudo aquilo que o povo Yawanawá tinha para me mostrar.
Seus saberes.
Seus ritos.
Sua relação sagrada com a natureza.
A cura que não vem de fora, mas desperta aquilo que já existe dentro de nós.
Como alguém desperta para o espiritual, senti Deus nos cantos, nas pinturas, no fogo, na floresta e no silêncio entre um ritual e outro. Senti o sagrado sem forma definida, mas presente em tudo.
Essa viagem foi um portal de cura.
Voltei diferente. Talvez mais inteira. Talvez apenas mais consciente de tudo o que ainda preciso atravessar.
E agora me pergunto:
Estou pronta para a próxima viagem?
Que nova dimensão de mim encontrarei?
E qual cura estará à minha espera?
Aldeia sagrada