22/09/2026
Problemas com o sono são uma das queixas mais frequentes no consultório. Mas por que parece que praticamente todo mundo enfrenta isso na vida adulta?
Além dos fatores óbvios (preocupações, múltiplas demandas, insegurança financeira e o acúmulo típico da rotina adulta), existe uma crença um tanto quanto comum: a de que o sono deveria simplesmente acontecer, sem nenhuma prática que sinalize para o corpo que é hora de desacelerar.
A higiene do sono existe justamente para isso. Reduzir estímulos antes de deitar, evitar telas e vídeos curtos na cama, usar a cama apenas para dormir, diminuir a luminosidade no fim do dia e cuidar do horário das refeições são medidas que ajudam o cérebro a reconhecer o momento de dormir.
Mas higiene do sono isolada não é o suficiente. Ela funciona melhor como parte de um conjunto: prática regular de exercício físico, estratégias de regulação emocional ao longo do dia e, quando necessário, abordagens estruturadas como a terapia cognitivo-comportamental para insônia, hoje reconhecida como a intervenção com maior respaldo de evidência para insônia crônica.
Não é muito razoável esperar que o cérebro que passou o dia em estado de alerta constante desligue sozinho ao encostar a cabeça no travesseiro. Se a dificuldade para dormir é persistente e interfere no seu funcionamento diurno, vale conversar com um psiquiatra para investigar as causas e definir a conduta adequada.