24/09/2026
Sob quais olhares você se enxerga?
Há quem somos para nós mesmos.
Há quem acreditamos ser para aqueles que nos conhecem de perto.
E há também a imagem que imaginamos produzir no olhar de quem pouco ou nada sabe sobre nós.
Esses três lugares nem sempre coincidem.
Às vezes, eu me percebo de uma maneira, acredito que minha família me vê de outra e suponho que, para o mundo, pareço alguém completamente diferente.
Na perspectiva psicanalítica, nossa identidade não se constrói isoladamente. Desde muito cedo, vamos nos reconhecendo também através dos olhares, respostas e significados que encontramos nas relações.
Winnicott nos ajuda a pensar justamente na construção de um sentimento de si que possa, ao longo do amadurecimento, tornar-se cada vez menos dependente de corresponder às expectativas externas.
Por isso, talvez a questão não seja descobrir qual desses três olhares está certo.
Talvez seja perceber quanto do modo como me vejo realmente me pertence. Faz sentido pra você?
Quanto carrega o olhar daqueles que fizeram parte da minha história?
E quanto da minha vida ainda é organizado pela maneira como imagino que os outros me enxergam?
Conhecer-se também passa por diferenciar esses olhares. E, pouco a pouco, poder existir sem precisar ser apenas aquilo que imaginamos que esperam de nós.
Ψ Erika Lee
Psicóloga Clínica e Jurídica | Psicanalista
Referência: Winnicott, D. W. O ambiente e os processos de maturação; O brincar e a realidade.