Gustavo Schvartsman

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Gustavo Schvartsman Oncologista
Hospital Israelita Albert Einstein
EPM-UNIFESP
Fellowship MD Anderson Cance

24/09/2026

Hormônio não é algo simples.
E “personalizado” não significa, necessariamente, seguro.

Existe uma diferença importante entre a terapia hormonal indicada para sintomas da menopausa, com avaliação médica, dose adequada, tempo de uso individualizado e acompanhamento, e o uso de hormônios com finalidade estética, performance, ganho de massa, libido ou “otimização”, sem deficiência real ou indicação bem estabelecida.

No primeiro caso, falamos de uma prática estudada, que pode ter benefícios para mulheres selecionadas, especialmente quando iniciada perto da menopausa, sem contraindicações e com reavaliação periódica dos riscos e benefícios.

No segundo, o problema está nos protocolos hormonais sem validação científica, doses acima do necessário, uso de testosterona em mulheres sem indicação clara e promessas de energia, juventude ou longevidade.

A testosterona, por exemplo, tem indicação muito restrita em mulheres.

O risco é transformar um tratamento médico em produto.

E quando isso acontece, o paciente pode pagar o preço no longo prazo, com efeitos metabólicos, cardiovasculares, ginecológicos, hepáticos e, em alguns contextos, possíveis impactos relacionados ao risco de câncer.

Na saúde, o que parece melhorar performance no curto prazo nem sempre protege o corpo no futuro.

Tratamento hormonal precisa de indicação, dose, acompanhamento e ciência.
Não de moda.

O caso recente de Lito Sousa trouxe visibilidade ao uso compassivo de medicamentos experimentais. Embora a situação dele...
22/09/2026

O caso recente de Lito Sousa trouxe visibilidade ao uso compassivo de medicamentos experimentais. Embora a situação dele não envolva câncer, ela ajuda a abrir uma discussão importante na oncologia: o que acontece quando um paciente não possui mais alternativas terapêuticas satisfatórias, mas existe um medicamento ainda em desenvolvimento?

Nesses casos, dois caminhos podem ser avaliados.

O acesso expandido é destinado a um grupo de pacientes com doença grave ou que ameaça a vida. Em geral, envolve um medicamento em fase avançada de desenvolvimento, mas que ainda não possui registro no Brasil ou não está disponível comercialmente.

Já o uso compassivo é avaliado individualmente. Pode ser considerado quando o paciente tem uma doença grave, não dispõe de alternativa terapêutica satisfatória e não consegue acessar o medicamento por meio de um estudo clínico ou programa de acesso expandido.

Na oncologia, essas possibilidades podem ser discutidas quando os tratamentos disponíveis deixaram de controlar a doença, não podem ser utilizados ou quando existe uma opção experimental potencialmente compatível com as características do tumor e do paciente.

Isso não significa que todo paciente será elegível. A análise considera o tipo e o estágio do câncer, os tratamentos já realizados, o estado clínico, as evidências disponíveis, os possíveis riscos e benefícios, a disponibilidade do medicamento e as autorizações necessárias.

Também é importante entender que a autorização para o acesso não comprova a segurança ou a eficácia do medicamento e não representa garantia de resposta.

Quando possível, a participação em um estudo clínico continua sendo a principal forma de acesso a terapias experimentais, dentro de um protocolo estruturado de acompanhamento. O acesso expandido e o uso compassivo são alternativas excepcionais.

Conhecer esses caminhos não significa criar falsas expectativas, mas permitir uma conversa mais informada entre o paciente, a família e o oncologista.

03/09/2026

Setembro Verde é o mês de conscientização sobre o câncer de intestino, e uma das mensagens mais importantes dessa campanha é lembrar que esse é um dos poucos tipos de câncer que pode ser prevenido antes mesmo de aparecer.

No meu consultório, existe um dado que sempre chama a atenção: todos os pacientes que chegaram com câncer de intestino já metastático nunca haviam feito uma colonoscopia de rastreamento.

Isso reforça uma das maiores vantagens desse exame: a colonoscopia não serve apenas para diagnosticar o câncer, ela pode impedir que ele apareça.

Durante o exame, é possível identificar e remover pólipos, lesões que, na maioria das vezes, levam cerca de 10 anos para se transformar em câncer. Ou seja, ao retirar um pólipo hoje, você pode estar prevenindo um câncer que surgiria anos depois.

Além disso, quando um tumor é encontrado precocemente, antes de causar sintomas como sangramento, alteração do hábito intestinal, perda de peso ou dor abdominal, as chances de cura são muito maiores. Em muitos casos, uma única cirurgia é suficiente, sem necessidade de quimioterapia ou outros tratamentos.

Quando o diagnóstico acontece apenas após o surgimento dos sintomas, infelizmente é mais comum encontrarmos a doença em estágios avançados, o que reduz as possibilidades de cura e torna o tratamento mais complexo.

Por isso, a recomendação atual é que pessoas com 45 anos ou mais conversem com seu médico sobre o rastreamento. Quem tem histórico familiar de câncer de intestino ou síndromes hereditárias pode precisar iniciar esse acompanhamento ainda mais cedo.

A colonoscopia é um dos poucos exames capazes de prevenir um câncer antes mesmo que ele exista. E essa é uma oportunidade que vale a pena aproveitar.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Isso é verdade.Mas descobrir cedo, sozinho, não basta.A sequência do t...
01/09/2026

O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Isso é verdade.

Mas descobrir cedo, sozinho, não basta.

A sequência do tratamento, a definição correta da estratégia e a integração entre cirurgia, oncologia, radioterapia, patologia e imagem podem ser tão importantes quanto o momento do diagnóstico.

Às vezes, iniciar um tratamento na ordem errada pode comprometer oportunidades importantes.
Por isso, em oncologia, não basta apenas encontrar o câncer. É preciso construir a melhor estratégia para tratá-lo.

Muitas pessoas que fumam há muitos anos carregam uma ideia silenciosa: “agora não adianta mais parar”.Mas adianta.Parar ...
29/08/2026

Muitas pessoas que fumam há muitos anos carregam uma ideia silenciosa: “agora não adianta mais parar”.

Mas adianta.

Parar de fumar hoje ainda faz diferença, mesmo depois de décadas de cigarro.

O risco não desaparece de um dia para o outro, e é importante ser honesto sobre isso. Quem fumou por muitos anos pode continuar tendo risco aumentado para câncer de pulmão e outras doenças relacionadas ao tabaco.

Mas parar muda a trajetória.

Com o tempo, o risco de câncer de pulmão diminui, o risco de outros tumores também pode cair, a função cardiovascular melhora e o corpo deixa de receber novas exposições tóxicas a cada cigarro.

Entre 10 e 15 anos após parar de fumar, o risco adicional de câncer de pulmão pode cair pela metade. Também há redução no risco de câncer de boca, garganta, laringe, bexiga, esôfago e rim.

Na prática clínica, essa é uma conversa muito importante. Parar de fumar não é apenas uma decisão de prevenção. Para quem já teve câncer ou está em tratamento, a cessação do tabagismo também pode impactar prognóstico, complicações e qualidade de vida.

Não se trata de culpa.
Se trata de oportunidade.

Se você fuma há muitos anos, parar hoje ainda pode reduzir riscos, melhorar sua saúde e abrir espaço para um cuidado mais completo.

Procure ajuda médica. Existem estratégias, medicações e acompanhamento que aumentam as chances de sucesso.

20/08/2026

Rouquidão pode acontecer por causas simples, como uma virose, refluxo, uso excessivo da voz ou inflamação nas cordas vocais.

Mas quando a rouquidão persiste por mais de 3 semanas, especialmente se está piorando ou vem acompanhada de outros sinais, ela merece avaliação médica.

Isso é ainda mais importante em pessoas com histórico de tabagismo, consumo frequente de álcool, refluxo crônico, nódulo no pescoço, dor para engolir, perda de peso ou feridas na boca que não cicatrizam.

Na oncologia, a rouquidão persistente pode ser um dos sinais de tumores de cabeça e pescoço, principalmente na região da laringe. Em alguns casos, também pode estar relacionada a alterações em regiões mais profundas, como o tórax, quando há compressão de nervos que participam do movimento das cordas vocais.

A maioria dos casos de rouquidão não é câncer.
Mas quando o sintoma não passa, investigar é a melhor forma de diferenciar causas benignas de situações que precisam de tratamento mais específico.

Rouquidão persistente não deve ser normalizada.

Se a voz mudou e não voltou ao normal, procure avaliação médica. E se você conhece alguém que tem normalizado a rouquidão, envie esse vídeo.

A imunoterapia já mudou o tratamento de vários tipos de câncer. Mas o que estamos vendo agora é uma nova etapa dessa his...
18/08/2026

A imunoterapia já mudou o tratamento de vários tipos de câncer. Mas o que estamos vendo agora é uma nova etapa dessa história.

Uma matéria recente da BBC trouxe um ponto importante: novas classes de imunoterapias vêm sendo estudadas para tentar superar uma das maiores dificuldades da oncologia, tratar tumores complexos que conseguem escapar do sistema imunológico.

Isso é especialmente relevante nos tumores sólidos, que muitas vezes criam barreiras físicas, moleculares e imunológicas para dificultar a ação das células de defesa.

Entre as estratégias em estudo estão vacinas terapêuticas contra o câncer, terapias celulares, células CAR-T adaptadas para tumores sólidos, anticorpos biespecíficos, vírus oncolíticos e combinações com radioterapia, quimioterapia ou outras imunoterapias.

A lógica por trás dessas abordagens é sofisticada: fazer com que o sistema imune reconheça melhor o tumor, encontre seus alvos, vença mecanismos de camuflagem e mantenha uma resposta ativa contra as células cancerígenas.

Um exemplo recente é a vacina ELI-002 2P, estudada em pacientes com câncer de pâncreas e colorretal associados a mutações em KRAS. Os resultados iniciais, publicados na Nature Medicine, mostraram respostas imunes persistentes, o que reforça o potencial desse caminho, embora ainda sejam necessários estudos maiores para confirmar benefício clínico.

Esse é o ponto mais importante: promissor não significa pronto para todos.

Muitas dessas estratégias ainda estão em fase de pesquisa, algumas disponíveis apenas em estudos clínicos, e outras indicadas para cenários muito específicos.

Ainda assim, esses avanços mostram algo muito importante: a oncologia caminha cada vez mais para tratamentos individualizados, baseados na biologia do tumor e na interação entre câncer e sistema imune.

A imunoterapia não é uma promessa simples.
É uma área complexa, em evolução, e uma das frentes mais importantes da medicina de precisão.

Tenho atendido cada vez mais pacientes jovens com diagnóstico de câncer, e essa percepção da prática clínica também tem ...
11/08/2026

Tenho atendido cada vez mais pacientes jovens com diagnóstico de câncer, e essa percepção da prática clínica também tem sido acompanhada por dados científicos.

Um estudo publicado no BMJ Oncology, mostrou aumento importante nos casos de câncer de início precoce, definidos como aqueles diagnosticados antes dos 50 anos.

Outro estudo, publicado no The Lancet Public Health, avaliou dados populacionais dos Estados Unidos e observou aumento da incidência em gerações mais jovens para 17 tipos de câncer.

Mas é fundamental ter cuidado na interpretação desses dados.

Não podemos reduzir esse aumento a uma única causa. A ciência ainda está investigando os mecanismos envolvidos. O que parece mais provável é uma combinação de fatores: mudanças metabólicas, obesidade, resistência à insulina, alimentação, álcool, sedentarismo, alterações do microbioma, exposições ambientais, fatores reprodutivos, além de maior acesso a exames e diagnóstico mais precoce em alguns contextos.

A mensagem não é gerar medo.

A mensagem é valorizar prevenção, individualizar rastreamento, investigar histórico familiar e não banalizar sintomas persistentes apenas porque o paciente é jovem.

06/08/2026

O câncer de pulmão tem cura? A resposta é: depende.

O principal fator que determina essa resposta é o estágio da doença no momento do diagnóstico.

Quando o câncer é identificado na fase inicial, especialmente no estágio 1, as chances de cura podem ultrapassar 90%, geralmente com tratamento cirúrgico e, em alguns casos, complementado por outras terapias. É exatamente por isso que o diagnóstico precoce faz tanta diferença.

À medida que o tumor cresce ou acomete os linfonodos, o tratamento se torna mais complexo e pode envolver cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e radioterapia para aumentar as chances de cura.

Já no estágio 4, quando há metástases, a possibilidade de cura é menor. Mas isso não significa que não haja o que fazer. A oncologia evoluiu muito nos últimos anos. Hoje, alguns pacientes apresentam respostas profundas e duradouras à imunoterapia, especialmente aqueles com alta expressão de PD-L1. Outros podem permanecer por muitos anos com a doença controlada graças às terapias alvo, mantendo qualidade de vida e levando uma rotina próxima do normal.

Na oncologia, nosso objetivo é sempre o mesmo: oferecer o tratamento mais eficaz para cada paciente, buscando a cura quando ela é possível e, quando não é, prolongar a vida com qualidade, preservando ao máximo o bem-estar e a autonomia.

Se você ficou com alguma dúvida sobre o tratamento do câncer de pulmão, deixe sua pergunta nos comentários.

Durante muito tempo, o câncer de pulmão foi visto quase exclusivamente pela lente do tabagismo.E sim, o tabaco continua ...
01/08/2026

Durante muito tempo, o câncer de pulmão foi visto quase exclusivamente pela lente do tabagismo.

E sim, o tabaco continua sendo o principal fator de risco. Isso precisa ser dito com clareza.

Mas, na prática clínica, também atendemos pacientes com câncer de pulmão que nunca fumaram, pacientes jovens, mulheres, pessoas com sintomas pouco específicos e casos em que o diagnóstico acontece por um achado em exame feito por outro motivo.

No Dia Mundial do Câncer de Pulmão, talvez uma das mensagens mais importantes seja esta: não existe uma única história por trás desse diagnóstico.

Além do tabagismo, outros fatores podem estar envolvidos, como exposição ao fumo passivo, poluição do ar, radônio, exposições ocupacionais e predisposição individual.

Outro ponto essencial é que, muitas vezes, o câncer de pulmão pode ser silencioso nas fases iniciais. Quando sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, escarro com sangue, perda de peso ou cansaço aparecem, a doença pode já estar mais avançada.

Por isso, o rastreamento com tomografia de baixa dose pode ser indicado para pessoas com alto risco, especialmente aquelas com histórico importante de tabagismo. Não é um exame para todos, mas pode salvar vidas quando bem indicado.

O câncer de pulmão não é uma doença simples.
Mas hoje sabemos mais, diagnosticamos melhor e tratamos de forma cada vez mais individualizada.

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Rua Ruggero Fasano
São Paulo, SP
05653120

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