04/01/2022
Atualmente a sociedade (capitalista e pós moderna) cultua e prioriza a alta performance, causando uma grande ânsia nos sujeitos em produzir e manter-se ativo o tempo todo.
Nós vivemos sobre o imperativo: “Mantenha-se produtivo” “Não perca tempo com coisas distantes”, e assim nós defendemos a todo custo de nos reconhecermos como deprimidos ou até mesmo tristes com algo.
Podemos dizer que a sociedade contemporânea não oferece ao sujeito tempo para sofrer, e assim muitas vezes não há experimentação de dor, apenas uma tentativa momentânea de vivenciar algum tipo de satisfação.
O sujeito atual nega a dor e exalta a felicidade e o positivismo. Assim o sofrimento não cabe mais dentro da vida das pessoas, bem como as insuficiências e falhas.
Por isso, segundo Kehl (2009), hoje em dia, a depressão tem tido caráter de sintoma social. O sujeito ao não sentir-se auto suficiente, ou produtivo (conforme a sociedade demanda) sente-se culpado por não ser capaz de atingir os ideais propostos, e assim automaticamente se deprime por se culpar.
E ai que entra a importância da psicoterapia na vida dos sujeitos. É preciso sentir e falar sobre suas dores, pois, quando não aceitamos nossos sentimentos não os vivenciamos e assim não encontramos formas de simbolizá-los.
Ref.
Roudinesco, E. (2000). Por que a psicanálise? Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Tavares, L. A. T. (2010). A depressão como "mal-estar" contemporâneo: medicalização e (ex)-sistência do sujeito depressivo. São Paulo: Cultura Acadêmica.
Kehl, M. R. (2009). O tempo e o cão: a atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo.