04/04/2026
Ah, o silêncio... esse dom esquecido em tempos tão barulhentos.
Hoje um silêncio paira no ar, o céu parece conter o fôlego.
Tudo se aquieta diante do mistério, e aguarda, em recolhimento, a luz da ressurreição.
Esse é o dia do silêncio sagrado. E quanta sabedoria há nisso.
Há nisso uma profundidade serena, que nos lembra que o silêncio é necessário para que a alma se eleve ao que é mais alto. A contemplação requer quietude, porque só no silêncio interior conseguimos ouvir a Verdade que nos sussurra, aquela que não grita, mas toca suavemente o coração.
Nós somos muitas vezes convocadas a estar por todos e vivemos em um tempo de ruído constante: notificações, compromissos, cobranças, vozes externas e internas.
E, nessa pressa, vamos nos afastando de quem somos.
Perdemos a escuta da alma.
Por isso, silenciar tornou-se um ato de coragem. Um gesto contracultural. Mas é no silêncio que voltamos para casa. É nele que acessamos as virtudes que nos habitam: a prudência que nos orienta, a fortaleza que nos sustenta, a temperança que nos equilibra, a sabedoria que nos guia.
Precisamos silenciar.
Não como fuga, mas como retorno.
Pausar não é perder tempo. É regar as raízes. É no recolhimento que nos reencontramos com nossas potências mais profundas e, assim, voltamos ao mundo com mais presença, mais clareza, mais amor.
Deixemos que o silêncio nos visite. E que nele, como num ventre sagrado, possamos gestar vida nova.
Do meu coração para o seu,
Magali
04 de abril 2026