24/09/2026
Há algo nessas fotografias que sempre me fazem olhar demoradamente, talvez a semelhança entre nós .
Os traços do rosto, as proporções, sem dúvida o sorriso…
A genética participa da nossa história, mas não a determina por inteiro. O corpo é atravessado pelo tempo, pelo ambiente, pelos hábitos, pela cultura, pelas experiências e pelas relações que estabelecemos ao longo da vida.
É nesse entrelaçamento que penso a corporeidade: não como o corpo que temos, mas como o corpo que somos, um corpo vivido, percebido, construído e transformado continuamente.
Talvez o corpo seja uma das formas mais concretas de experimentar a ancestralidade.
Carregamos características que nos antecedem, mas também produzimos, no presente, novas marcas para aquilo que virá depois de nós.
Olhar para essas fotos hoje é perceber que existe uma história familiar que também se manifesta .
E talvez seja por isso que, no meu trabalho com as artes do corpo e o Pilates, me interesse tanto menos pela ideia de “corrigir” um corpo e mais pela possibilidade de escutá-lo, compreendê-lo e ampliar suas possibilidades.
Porque conhecer o corpo também pode ser uma forma de conhecer a própria história.