04/02/2026
aconteceu dia 25 de janeiro o baile da perifanálise, no museu das favelas, aniversário da cidade de São Paulo.
mas foi de minhas lembranças infantis onde a inspiração do baile surgiu. ter frequentado as festas dos quintais dos meus vizinhos, dançado axé, funk, ouvido rap no começo dos anos 2000, sem que não houvesse um encontro entre famílias e amigos com música alta e muita dança, a porta de casa aberta, as pessoas chegando e saindo, na calçada, além de uma das memórias mais alegres, mudou a forma de habitar e de andar pelas ruas da zona leste. o que me levou anos depois a conhecer Baile Arruda na pessoa da Estela Afrodun, DJ Tari Eshe, a Festa Digitáspora na pessoa do DJ Tchaka e MC Pedrinho JN.
os bailes são tecnologia de resgate de um povo, de memória e escancara como a cultura periférica e negra enfrentou as políticas de destruição de São Paulo.
ao reunir artistas e profissionais do território da zona leste de SP, lugar de onde viemos, a Perifanálise enquanto coletividade que se auto organiza, ali no museu, neste espaço que hoje simboliza para muitos um resgate da memória, pode confrontar uma ideia de saúde mental e de intelectualidade fechada na mente de senhores.
no mesmo dia em que esta cidade completou 472 anos, marcada pela promessa do progresso da elite escravagista branca brasileira, que trouxe demolição de casas e favelas, perseguição, relegando toda uma população aos extremos da cidade, o prédio que antes abrigava governadores do Estado de SP onde está localizado o museu das favelas, foi palco das nossas memórias de infância na voz e na arte de Pedrinho JN, Afrodun, DJ Tari Eshe, DJ Tchaka e pelas mãos da Kezia. momento em que passados e presentes de muitas pessoas se encontram e reescrevem a história de uma cidade, de pessoas, de grupos, de coletividades.
a cultura dos nossos bairros em suas diferentes formas e as pessoas que as constroem revela a necessidade de reconhecer uma saúde mental que se faz vivendo, aonde as histórias continuam, não são apagadas nem desaparecem.
texto por: Thainá Aroca
📍episódio do podcast Balanço & Fúria: “baile na favela do Maranhão: políticas do prazer e territórios em desaparecimento por Thais Regina”.