24/09/2026
Se você tem esclerose múltipla, muita gente ao seu redor pode não perceber — mas você sente. É assim que muitos pacientes descrevem os problemas cognitivos da doença: invisíveis para quem olha de fora, mas reais no dia a dia.
Os domínios mais afetados são a velocidade de processamento de informação e a memória, além de atenção e funções executivas em graus variáveis. A linguagem, na capacidade de nomear, pode estar afetada em algumas pessoas.
E o ponto mais importante: cognição não se avalia “no olho”. Existem te**es neuropsicológicos padronizados e validados — te**es simples como o teste dos símbolos e dígitos, ou escalas, como a escala BICAMS (onde dentro dela também temos o teste de símbolos e dígitos, além de trilhas de memória verbal e visual), e a bateria de Rao (outro conjunto de te**es, mais longo que a BICAMS) são alguns dos mais usados no mundo — que permitem rastrear essas alterações de forma objetiva, inclusive em fases bem iniciais da doença, antes mesmo de a pessoa perceber qualquer dificuldade no dia a dia.
Por isso, acompanhar bem não é só olhar ressonância, surtos e testar a marcha e a força muscular. É também investigar ativamente a cognição, porque isso impacta diretamente trabalho, estudo e qualidade de vida — e, identificado cedo, pode ser trabalhado. Gosto de (no mínimo) ter uma avaliação basal de triagem de todos os meus pacientes, e sempre encaminhar para Neuropsicologia, quando indicado.
Um abraço!
Dr. Mateus Boaventura, Neurologista especialista em Esclerose Múltipla e Neuroimunologia, CRM-SP 152585, RQE 70828